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Emendas Parlamentares distribuídas por Deputados Federais poderia acabar com as filas de Cirurgias do SUS no RS

O cálculo é obsceno: enquanto 219 mil gaúchos sofrem em uma fila de espera por cirurgias eletivas que custariam, em média, R$ 766 milhões para serem zeradas, os parlamentares do Rio Grande do Sul dispõem de R$ 1,5 bilhão por ano em emendas individuais — o dobro do necessário para resolver o problema de uma vez por todas.

É importante destacar que, embora a Saúde ofereça os números mais dramáticos, ela é apenas o sintoma mais visível de uma patologia que corrói todos os serviços públicos. O “sequestro” do orçamento por interesses paroquiais expressas nas “mendas parlamentares” repete-se na Segurança, na Educação e na Infraestrutura. O desvio de finalidade provocado pelas Emendas Parlamentares mesmo legais, fazem com que o dinheiro que deveria financiar o planejamento estratégico é capturado pela lógica da sobrevivência eleitoral, o que ilude parcelas significativas dos eleitores que supostamente se sentem beneficiados por esta ou aquela Emenda.

A Matemática da Indignação

Se considerarmos o valor médio de R$ 3.500,00 por cirurgia pago pelo SUS em regime de mutirão, pago pelo Governo Lula para ampliar número de cirurgias eletivas e reduzir filas, o potencial do recurso das emendas individuais da bancada gaúcha é devastador:

O Valor total das emendas (2025/2026): ~ R$ 1,5 bilhão, o que daria a Capacidade de realização: 428.571 cirurgias. Já a Fila para cirurgias eletivas chega a 219.000 pessoas, apesar de todos os esforços do Governo Lula, com a realização de mutirões e ampliação do número de Médicos Especialistas, a custa de mexer em outras áreas do Orçamento Federal, que também precisariam deste recurso.

Isso significa que, se os parlamentares abrissem mão de suas indicações pessoais em favor de um plano técnico, o RS poderia zerar a fila atual e ainda sobrariam cerca de R$ 730 milhões para investimentos em outras áreas críticas. O mesmo poderia acontecer no Brasil. Mas pelo contrário, o que se vê, é cada vez mais maracutaias sendo desmascaradas pela Ação do STF, mostrando a evidente corrupção que perpassa o instrumento das tais “emendas parlamentares” e “emendas pix”.

O Labirinto da Pulverização: Onde o Dinheiro se Perde

O grande entrave é a pulverização irracional que as Emendas Parlamentares fazem. Essa lógica fragmentada faz com que o dinheiro seja fatiado para atender redutos eleitorais, ignorando onde o gargalo realmente aperta.

Na Saúde por exemplo, vemos ambulâncias luxuosas em cidades sem médicos; na Educação, verbas para reformas de fachadas em escolas que carecem de professores; na Segurança, a entrega de viaturas para municípios com baixos índices criminais, enquanto as delegacias especializadas das metrópoles operam no limite. O resultado é o “marketing do objeto”: entrega-se o veículo ou a pintura nova para a foto em rede social, mas o serviço final ao cidadão continua precário. Essa lógica privilegia a visibilidade política imediata em detrimento da solução de problemas estruturais.

A Deturpação das Funções do Estado

O que assistimos é uma invasão de competências que fere o princípio da eficiência pública. Pela Constituição, cabe ao Poder Executivo o planejamento estratégico, pois é ele quem detém o mapa das carências reais do Estado.

Quando o Orçamento se torna um “balcão de varejo” parlamentar, a gestão é corrompida:

O recurso não vai para onde a necessidade é maior (seja um hospital de trauma ou uma estrada tronco), mas para onde o parlamentar tem alianças.

O parlamentar entrega o “bem material” (a obra ou o carro), mas o Estado ou o Município não têm verba de custeio para manter o serviço funcionando.

Isto quando o concedente da Emenda não dá um jeito de “levar uma parte”, como já esta comprovado por várias Ações comandadas pelo Ministro Flavio Dino, do STF.

A fragmentação impede a economia de escala. O que poderia ser uma solução sistêmica para o Estado vira uma colcha de retalhos de favores locais.

As emendas parlamentares mesmo legais, são um obstáculo a um Estado com Serviços Públicos planejados. A loucura disto chega a tal ponto, que já vi Ministros indo ao Congresso “mendigar” Emendas, por que se esgotaram os recursos da União justamente com R$ 61 Bilhões em Emendas Parlamentares para este ano. Além de compra de votos enrustida e corrupção evidente, : As emendas Parlamantares passaram a fazer, como diz o Ditado Popular, “o poste mijar no cachorro”.

Enquanto o interesse eleitoral fatiar o orçamento em pequenos “presentes” locais para garantir votos, o conjunto da população continuará pagando o preço com a própria vida nas filas ou com a insegurança nas ruas.

O problema dos serviços públicos tem solução matemática, mas falta a coragem política de colocar o interesse da coletividade acima do palanque individual.


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