O Modelo JBS: Lucro Global, Precarização Local
A JBS, controlada por alguns dos bilionários mais ricos do Brasil, opera sob uma lógica implacável. Se no Brasil a empresa é alvo constante de denúncias por jornadas exaustivas e condições degradantes, nos EUA ela utiliza a vulnerabilidade de imigrantes para impor ritmos de produção desumanos.
A estratégia é clara: enfraquecer a legislação de cada país para que o trabalho custe cada vez menos e o lucro suba cada vez mais. Mas há uma diferença crucial que o trabalhador brasileiro precisa observar.
O Que Está em Jogo: O “Espelho” Americano
Muitos críticos dos direitos trabalhistas no Brasil apontam o modelo americano como ideal. No entanto, a greve no Colorado mostra o outro lado da moeda. Nos EUA, o trabalhador da JBS luta por condições que, para o brasileiro, ainda são garantias legais, mas que correm sério risco:
Ausência de 13º e FGTS: Direitos inexistentes no modelo americano e que as multinacionais pressionam para flexibilizar aqui através de reformas trabalhistas.
O Pesadelo da Saúde: Sem um sistema como o SUS, o trabalhador da JBS nos EUA fica refém de planos de saúde privados caros e abusivos vinculados à empresa. Perder o emprego lá significa perder o acesso à saúde — um modelo que as grandes corporações adorariam ver replicado no Brasil.
Aposentadoria Incerta: Enquanto aqui lutamos para manter a previdência pública, lá o trabalhador depende da sorte do mercado financeiro.
Comparativo de Realidades (2026)
| Benefício / Direito | Situação na JBS Brasil | Situação na JBS EUA (Greeley) |
| Saúde | Proteção pelo SUS (sob ataque) | Planos privados caros; barreira de acesso |
| Garantias trabalhistas | 13º salário, FGTS entre outros | Inexistentes |
| Estabilidade | Multa rescisória e proteção legal | “At-will employment” (demissão arbitrária) |
| Salário Base | R$ 1.950,00 – R$ 2.400,00 (Reais) | U$ 3.200,00 – U$ 4.500,00 (dólares) |
Mas se os trabalhadores americanos ganham 3.200 dólares contra 500 dólares apenas no Brasil, por que lá fazem greve e aqui não? Se os trabalhadores brasileiros não se derem conta logo, daqui a pouco os mesmos ricos que subornam até o Trump nos EUA, não deixarão pedra sobre pedra dos direitos trabalhistas no Brasil. Hora de brigar por mais salários e mais direitos. Por que estas mega empresas tem condições de pagar.
A greve nos EUA prova que a classe trabalhadora não morreu; ela apenas está sendo sufocada. A ideia de que “sindicatos não são mais necessários” é uma propaganda financiada por quem quer negociar sozinho com o trabalhador fragilizado.
Se os trabalhadores da JBS no Brasil não retomarem sua mobilização coletiva e não fortalecerem seus sindicatos, o destino é a “americanização” da miséria: trabalhar até a exaustão sem o amparo do 13º, sem a segurança do FGTS e sem o socorro do SUS.
Não há geração de riqueza sem trabalho. Se a JBS é hoje uma gigante global, é porque o suor de seus trabalhadores brasileiros e depois também dos americanos, ergueu esse império.
A união dos trabalhadores, inspirada pela coragem da greve nesta Greve no Estado americano do Colorado, é o único caminho para garantir que o progresso econômico não seja sinônimo de retrocesso social. É hora de os sindicatos brasileiros voltarem à linha de frente, antes que os direitos de hoje virem apenas lembranças de ontem.
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