No cenário de uma América Latina sob cerco — com a invasão da Venezuela, a desestabilização da Colômbia sob o comando de Noboa e o garrote renovado sobre Cuba — o Brasil enfrenta um dilema histórico: ser um mero exportador de terra bruta para o Império ou um senhor de sua própria tecnologia. A recente criação da Nadina Minerals, fruto da parceria entre a estatal russa Rosatom (via Uranium One Group) e a brasileira NBEPar, coloca a disputa pelos minerais críticos no centro do tabuleiro geopolítico.
Esta aliança não é apenas comercial. Ela representa uma escolha estratégica por um modelo de desenvolvimento que prioriza o controle nacional e a transferência de tecnologia, em oposição direta aos acordos de entrega total que observamos em nível estadual no Brasil.
O Modelo Lula: Minério em Troca de Tecnologia e Valor Agregado
Conforme tem reiterado o Presidente Lula, o tempo em que o Brasil apenas “cavava o chão” para enriquecer metrópoles estrangeiras acabou. A diretriz para a exploração de minerais críticos — como o lítio, o nióbio e as terras raras — é clara e exige contrapartidas reais:
Compartilhamento de Tecnologias: O parceiro internacional deve abrir a “caixa-preta” do conhecimento técnico, permitindo que o Brasil domine o ciclo completo de produção.
Investimento em Processamento Nacional: O mineral não deve sair do porto em estado bruto. O acordo deve prever a instalação de indústrias de beneficiamento e fabricação de componentes (como baterias e superimãs) em solo brasileiro, agregando valor à nossa riqueza.
Controle Estratégico e Estatal: Diferente da lógica de privatização cega, a parceria com uma estatal de ponta como a Rosatom permite que o Estado brasileiro mantenha a soberania sobre o destino desses recursos essenciais.
O Antiexemplo: A Entrega de Caiado aos Interesses Americanos
O contraste é gritante quando olhamos para o estado de Goiás. O governador Ronaldo Caiado tem avançado em acordos com mineradoras norte-americanas para a exploração de terras raras sem qualquer mecanismo de controle estatal efetivo ou exigência de industrialização local.
Enquanto o governo federal busca parcerias que verticalizam a produção, o modelo de Caiado é o da “Colônia 2.0”:
Ausência de Controle: As empresas americanas operam com autonomia quase total, respondendo aos interesses de Washington.
Evasão de Valor: O minério sai de Goiás para ser processado nos EUA, deixando para os brasileiros apenas o passivo ambiental e royalties irrisórios.
Alinhamento com o Império: Em um momento de agressividade militar dos EUA na região, entregar o controle dos minerais da transição energética a Washington é fornecer o combustível para a hegemonia que hoje ameaça a soberania de nossos vizinhos latinos.
Por que a Parceria com a Rússia é Estratégica?
Ao contrário das multinacionais que operam sob a lógica do lucro imediato e da reserva de mercado tecnológico, a parceria com uma estatal como a Rosatom oferece ao Brasil o acesso a um ciclo tecnológico complexo. A Rússia, desafiando a ordem unilateral do Norte, vê no Brasil um parceiro de interesses mútuos, o que viabiliza o “transbordamento tecnológico” que o país tanto necessita.
Explorar minerais críticos sob a lógica do compartilhamento técnico e do processamento interno é o que garantirá que o Brasil não seja apenas a “mina” do mundo, mas uma potência industrial.
A exploração das riquezas do subsolo brasileiro deve servir ao desenvolvimento do povo brasileiro. O acordo da NBEPar com a estatal russa, sob a égide da política externa altiva e ativa de Lula, aponta para o futuro da soberania digital e energética. Já o modelo de entrega de Caiado ao capital americano é um retrocesso ao passado colonial. No atual contexto de avanço imperialista sobre a América Latina, defender o controle estatal e a industrialização nacional é um ato de resistência indispensável.
A nossa riqueza deve financiar o nosso progresso, não a expansão do Império.
A Rosatom empresa estatal da Rússia responsável por todas as atividades nucleares do país, tanto civis quanto militares, ela é considerada a maior empresa de tecnologia nuclear do mundo, com presença em mais de 60 países.
A NBEPar é uma holding brasileira que atua principalmente no setor de infraestrutura e energia
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