Mulheres/política

COMO A TURMA DO TRUMP TRATA AS BRASILEIRAS (Por José Fortunati*)


Nos EUA tem tomado grandes proporções o escândalo de Jeffrey Epstein que envolve um bilionário americano acusado de comandar uma vasta rede de tráfico sexual de menores, conectando elites políticas, econômicas
e artísticas.

Epstein foi preso em 2019 e morreu na prisão, mas o vazamento de documentos (os “Epstein Files”) continua a revelar nomes influentes incluindo o presidente Donald Trump.

Os documentos citam figuras como Bill Gates, Elon Musk, Bill Clinton e o príncipe Andrew do Reino Unido, já “destronado” em função
do escândalo.

O caso tem demonstrado a forma como as elites americanas tratam das mulheres, especialmente das jovens adolescentes.

Corroborando esta realidade o Conselheiro para Assuntos Globais da Casa Branca, Paolo Zampolli, ao ser entrevistado pela RAI (Rádiotelevisione Itália) deixa claro qual o pensamento do governo Trump em relação às mulheres brasileiras.

É importante lembrar que Zampolli foi casado com a brasileira Amanda Ungaro por mais de 20 anos, com a qual teve um filho
que hoje tem 15 anos de idade.

Amanda pediu o divórcio e processa o conselheiro acusando-o de abuso sexual e violência doméstica.

Ao ser entrevistado pelo repórter italiano sobre as motivações do divórcio, Zampolli demonstrou o seu desprezo para com as mulheres, afirmando que “as brasileiras são programadas para criar problemas e causam
confusão com todo o mundo”.

Questionado pelo repórter da RAI ele continuou afirmando “ela é uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras
que são todas iguais”.

E continuou com a sua verberação misógina: “aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela ficou louca”.

Quero deixar claro que nada tenho contra as profissionais do sexo, que labutam na chamada “profissão mais antiga do mundo”.

Durante o meu mandato de Deputado Federal, na década de 1990, acolhi em meu gabinete na Câmara dos Deputados a Gabriela Leite, ex-prostituta e socióloga fundadora da
ONG Davida, que foi a primeira associação nacional de profissionais do sexo.

Ela foi pioneira na luta pela regulamentação da atividade, combatendo o estigma e a
discriminação, e ficou nacionalmente conhecida pela sua defesa dos direitos das
prostitutas. Organizei a vinda dela para o Rio Grande do Sul para tratar desta
questão com as prostitutas gaúchas.

Também sempre procurei ajudar o NEP – Núcleo de Estudos da Prostituição coordenado pela competente Tina Rovira em nossa cidade.

A fala de Paolo Zampolli nada tem a ver com qualquer tipo de respeito às profissionais do sexo. A entrevista é uma clara demonstração do pensamento das elites americanas em relação às mulheres brasileiras, sul-americanas, africanas.

Ele esbraveja contra a sua ex-esposa e com todas as brasileiras, cometendo um ato de misoginia contras as mulheres demonstrando o seu ódio, aversão e preconceito generalizado contra as mulheres, enraizado em uma cultura que inferioriza o feminino e que se manifesta por violência física, sexual, psicológica, objetificação ou comportamentos que buscam silenciar e punir mulheres, num claro mecanismo de manutenção da hierarquia de gênero.

Não podemos olhar este caso como um “incidente americano”.

Não podemos esquecer que este comportamento foi adotado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante o seu mandato.

Torna-se obrigatória desnudar a relação entre o comportamento das elites americanas com a elite política que administrou o nosso país até 2022, especialmente quando a pesquisa
Genial/Quaest mostra que começa a haver um movimento do voto das mulheres em direção ao Flávio Bolsonaro, abandonando a candidatura Lula.

Não podemos deixar passar batido um caso como este.

Pela primeira vez a maior parcela das mulheres (48%) desaprova o governo Lula, superando o indice de aprovação (46%), apesar de todas as políticas que vem sendo adotadas pelo governo federal em defesa do enfrentamento à violência contra a mulher.

Sem pruridos devemos deixar claro que a entrevista de Zampolli ofende a todas as mulheres brasileiras e que a misoginia irá voltar ao Planalto se Flávio Bolsonaro vencer as eleições presidenciais.

*José Fortunati – Foi Deputado Federal e Prefeito de Porto Alegre por dois
mandatos.


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