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Reflexões sobre o 1°. Congresso Gaúcho de Comunicação Pública (Por Milton Cruz*)

A experiência de Porto Alegre nas gestões municipais que priorizavam a participação social no debate e elaboração das políticas públicas nos diz que o principal desafio contemporâneo não é apenas a falta de informação pública, mas a distância entre informação, compreensão e participação.
Governos frequentemente comunicam muito, mas dialogam pouco.

E muitas vezes são transparentes na divulgação de dados, mas não na construção de significado para a população. Um bom exemplo é o Plano Diretor, que afeta a todos que moram e trabalham na cidade, que muito poucos entendem o seu significado.


Informação não gera automaticamente participação. Muitas políticas de transparência foram construídas com a ideia de que mais informação gera mais participação. Na prática, isso poucas vezes acontece.

Para haver participação são necessários: linguagem acessível; confiança; educação cidadã; canais de diálogo; e sentimento de pertencimento.


Acreditamos que uma comunicação pública democrática precisa combinar três elementos: transparência, inteligibilidade e participação.

Quando as pessoas compreendem as informações, conseguem relacioná-las ao seu cotidiano e encontram espaços para influenciar decisões, a comunicação deixa de ser mera divulgação institucional e passa a fortalecer a cidadania e os vínculos entre Estado e sociedade.


Cada vez mais especialistas defendem o conceito de “transparência significativa” ou “transparência cidadã”.

Isso significa apresentar informações de forma simples, visual, contextualizada, comparável, e útil para a tomada de decisão dos cidadãos.

Esse último aspecto o mais importante para convencer o cidadão da importância de acompanhar como os agentes públicos estão agindo nas Prefeituras e Câmaras Municipais.

Não basta abrir dados; é preciso transformá-los em conhecimento público.


Estratégias locais que produzem engajamento e conhecimento público devem levar a informação para bairros, escolas, associações, centros culturais, e conselhos comunitários; substituir a linguagem tecnicista e burocrática pela linguagem cidadã, substituindo jargões técnicos por comunicação clara; explicar como a política pública afeta a vida cotidiana; e fazer a prestação de contas dialogada através de encontros presenciais e digitais para apresentar resultados e ouvir críticas.

Deixo como perguntas:

  • seria possível ter a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) como parceira em um projeto que possa gerar conteúdo local de interesse comunitário e disseminar esse conteúdo utilizando os diferentes canais da empresa?
  • seria possível realizarmos uma live com a EBC para identificarmos as possibilidades da comunicação que utiliza as novas tecnologias e que tem por objetivo estimular a participação, gerar comprometimento e conhecimento público consistente?

*Milton Cruz, sociólogo, autor do livro A Cidade e a Modernização (Editora Appris), pesquisador das áreas de participação social, memória urbana e políticas pública


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