
Sob a falsa justificativa de modernização, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), avança a passos largos com seu projeto de mercantilização do direito mais básico da população: a educação pública. A mais recente ofensiva desse pacote neoliberal prevê a entrega de 98 escolas estaduais à iniciativa privada por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs). O ápice simbólico desse desmonte tem data e local marcados: dia 26 de junho na B3, a bolsa de valores de São Paulo, escancarando que, para a atual gestão gaúcha, o ambiente escolar virou um mero ativo financeiro a ser vendido.
Pior que vender, a proposta do Palácio Piratini prevê doar R$ 4,5 bilhões em recursos públicos para as empresas privadas ganhadoras do “pregão”. Diante desse montante colossal, emerge uma pergunta óbvia e dolorosa para quem conhece a realidade do ensino no estado: se há R$ 4,5 bilhões de dinheiro do povo disponíveis para serem repassados ao setor privado, por que esse mesmo recurso não é injetado diretamente nas mesmas escolas como instituições 100% públicas?
A inversão de prioridades beira o escárnio. Há anos as comunidades escolares gaúchas sofrem com tetos desabando, falta de fiação elétrica adequada, laboratórios desativados, escassez de recursos básicos e a persistente defasagem salarial e estrutural que pune educadores e funcionários. Em vez de valorizar a máquina pública e descentralizar esses bilhões em reformas diretas, compra de equipamentos tecnológicos e valorização dos profissionais da educação, o governo opta por assinar um cheque em branco de um quarto de século para que grupos empresariais lucrem gerindo a infraestrutura escolar e serviços não pedagógicos.
A história recente das privatizações no Brasil nos ensina que o lucro empresarial e o direito social são forças antagônicas. Quando o setor privado assume, a lógica da eficiência financeira se sobrepõe ao bem-estar coletivo: reduzem-se custos com limpeza e manutenção, precarizam-se as condições dos trabalhadores terceirizados e a escola perde sua identidade comunitária para se transformar em um balcão de negócios formatado para gerar dividendos.
Felizmente, a resistência a essa política de terra arrasada já está nas ruas e ganha contornos de ampla unidade. Liderados pelo CPERS-Sindicato e oxigenados pela força do movimento estudantil — representado de forma histórica por entidades como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (UGES) e a União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre (UMESPA) —, estudantes, educadores e familiares vêm construindo uma barreira de indignação contra esse leilão.

A mobilização permanente é o único caminho para frear a ganância privatista de Eduardo Leite. Audiências públicas e atos descentralizados por todo o estado deixam claro que a sociedade gaúcha não aceitará passivamente que o futuro de seus jovens seja rifado no pregão da B3. A escola pública pertence ao povo gaúcho e deve ser defendida com unhas e dentes contra todas as formas de militarização, mercantilização e privatização disfarçadas de parceria. Educação não é mercadoria, e R$ 4,5 bilhões devem servir para salvar a escola pública, não para engordar o caixa de acionistas privados.
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