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ECONOMIA E DISCURSO PÚBLICO

Coluna Econômica – 21/10/2009 do Luiz Nassif
Na cerimônia de premiação das empresas mais respeitadas do Brasil – pela revista Carta Capital – o presidente Luiz Ignácio Lula da Silva avançou mais alguns pontos na definição do novo modelo de desenvolvimento brasileiro.

É curioso como se processam essas mudanças. O Lula que discursou no evento nada tem a ver com o Lula do início do governo, a não ser no pragmatismo e na capacidade de análise da realidade. Não é um intelectual, um formulador – nem é seu papel. Mas consegue sintetizar o novo modelo de desenvolvimento com uma linguagem tal que pode ser entendido pelo especialista e pelo mais humilde brasileiro.

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JK conseguiu esse primor de síntese com seus “cinquenta anos em cinco”. Não era apenas o slogan, mas o sentido de urgência que imprimia em todos seus discursos. O país já tinha preparado as bases para um crescimento acelerado – com exceção do câmbio que estava apreciado. Getúlio Vargas tinha construído grandes estatais – CSN, Eletrobras -, a infraestrutura inicial estava plantada e, agora, a questão era crescer.

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Outro momento célebre foi a declaração de Fernando Collor sobre as “carroças”. Na década anterior houve exagero no fechamento da economia, na estatização e na burocratização, levando ao envelhecimento do parque industrial brasileiro. A expressão rapidamente ganhou corações e mentes do país.

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O momento atual é muito mais complexo do que os anteriores – porque o Brasil é muito maior do que era vinte ou cinquenta anos atrás. O grande desafio é entender o país como a soma de todas as partes, a inclusão de todos os agentes.

Foi isso que Lula trouxe em seu discurso. Primeiro, enfatizou valores irreversíveis: defesa da estabilidade monetária e fiscal, responsabilidade na condução da política econômica.

Depois, começou a juntar as peças que compõem o novo quadro do país. Mostrou que, ao levar as políticas assistenciais aos excluídos, tornou-os consumidores. E eles passaram a consumir chocolate da Nestlé (dirigindo-se ao presidente da empresa Ivan Zurita), cremes da Natura (o mesmo em direção à empresa), eletrodomésticos”.

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Depois, narrou a história da senhora que, no canal do São Francisco, vendia copos de guaraná. Um ano depois, com a movimentação econômica trazida pelas obras, foi ampliando as vendas, passou a vender refeições, comprou um carro e, na última declaração de renda, pagou 5 mil de imposto.

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Na diplomacia, relembrou seu passado sindicalista. Para receber respeito dos interlocutores, tem que conversar de cabeça erguida. Manifestou sua profunda crença no modo de ser brasileiro.

Finalmente, revelou porque surgiu esse novo Lula – que, na verdade, emerge apenas após a grande crise mundial do ano passado. É que todos os dogmas foram revirados de cabeça para baixo. Os expelidores de regras – FMI, bancos estrangeiros – de repente se viram sem discurso. E isso abriu caminho para um conjunto de medidas que, não tivesse Lula sido tão excessivamente cauteloso, poderia ter sido adotadas anos atrás, evitando o desperdício de tantos anos de crescimento rastejante.

Original Aqui: www.luisnassif.com.br

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