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O PT, o governo e as relações com o PSD

A Presidenta Dilma no ato comemorativo dos 32 anos do PT

Quando o PT resolveu participar da política nacional, se dispôs a entrar num jogo onde as regras são desenhadas a partir de composições partidárias que nem sempre tem afinidades ideológicas muito grandes. Foi assim que chegamos a presidência da república e já repetimos mais duas vezes o feito. Em 2002  a “Carta aos Brasileiros” não só corroborou as regras do jogo, mas pela primeira vez, além da emoção que sempre moveu a esquerda, com a razão elaboramos o documento que selou um acordo com parcela da burguesia nacional e nos deu fôlego para desenhar o futuro que estava por vir e hoje se concretiza na maior movimentação econômica da base da pirâmide social brasileira: mais de 30 milhões saíram da extrema pobreza e acenderam patamares de classe média. Além disto, o Brasil, de devedor internacional passou a grande credor econômico, já é a 6ª economia do mundo e se encaminha para ser a quinta economia mundial em pouco tempo. São avanços significativos obtidos a partir de um processo democrático e de convencimento de parcela das elites brasileiras de que de fato construíamos o bom caminho e o provamos. Governar exige a capacidade de construir alianças. Foi assim que aplicamos um revés ao neo liberalismo no Brasil. É verdade que não o derrotamos. Ele está bem vivo em outra paragens do mundo e hoje impinge graves derrotas aos trabalhadores e aos povos europeus. Derrotas estas, muitas vezes capitaneadas por quem um dia se disse representante da classe trabalhadora, caso da Social Democracia Européia. Aqui, em terras latino americanas, pelas vitória retumbantes de governos nacionalistas e pela política nacional desenvolvimentista aplicada no Brasil, superamos a crise econômica e nos transformamos  em referência mundial. Tudo isto foi possível pela competente capacidade do PT em buscar aliados nos mais diferentes campos e que estivessem dispostos a construir conosco as mudanças previstas em nosso programa de governo. Não tenho grandes problemas em aliar com o Kassab e a turma dele. Afinal, já coligamos com  PMDB, PTB, PL, PP, que não diferem tanto assim deste mais novo partido surgido da diáspora da oposição sem discurso e sem projeto. Isto não nos impediu de fazer profundas mudanças, benéficas ao povo brasileiro, aos mais necessitados e a própria nação brasileira, que resgatou o orgulho pátrio. Não. Não me assusta fazer aliança como Kassab e com esta gente. O que me assusta é a incapacidade do PT elaborar políticas para além do governo. O governabilidade é um problema do governo e precisa de composições para gerar maioria. No caso do brasil, sabemos nós, estas alianças muitas vezes são fisiológicas, custam cargos, emendas parlamentares, quando não, nos submetem a vexaminosas denúncias de corrupção no seio do governo. É assim que é. Mas poderia ser diferente. Uma Reforma Política que acabe com o financiamento privado de campanhas, instituindo o financiamento público, que garanta o voto em lista, dando assim maior poder aos programas partidários e ideológicos, que impeça alianças locais, constituindo as nacionalmente e calçadas em programas de governo previamente estruturados de frentes partidárias que sejam julgados nas eleições, é um dos caminhos que temos para nos desvencilharmos das incômodas alianças que hoje fazem parte das regras do jogo. Ao PT cabe propor à sociedade o debate sobre a Constituinte Soberana e Exclusiva. Se a bandeira num primeiro momento não mobiliza as multidões, por não ter o apoio da grande mídia, a história nos mostra no entanto, que o PT já começou praticamente sozinho movimentos como o das diretas já, que acabaram ganhando as massas, num período onde isto poderia ainda significar prisão e perda de emprego para o povo que ia para a rua reivindicá-las. Outras Reformas também são necessárias. A tributária, a Agrária, a administrativa e também a da segurança pública, ainda militarizada e departamentalizada.  A Presidenta Dilma em seu pronunciamento nos 32 anos do PT convocou militantes, intelectuais, pensadores a ajudar na construção de um Brasil mais justo, com mudanças estruturais e também com movimentação de ideias. “Uma grande transformação está em curso no Brasil e deve ser acompanhada de um grande movimento de ideias”. De acordo com ela, não há mudança social sem mudança cultural.

Ou o PT propõe e elabora o novo, alterando democraticamente as regras do jogo, com a participação popular em uma Constituinte, como a Presidenta pediu , ao falar das mudanças estruturais e culturais que precisam de novas idéias para se concretizarem, ou sucumbirão os direitos e avanços obtidos até aqui, por que as regras do jogo já não permitirão ir além. Não são portanto as alianças, sejam elas quais forem, que prejudicam a luta e nos fazem avançar menos do que poderíamos. O que nos faz andar mais lentos do que poderíamos, é a ainda pouca elaboração do PT para além do bom governo que ousamos construir.

Aliás, participei do ato de aniversário do PT. Foi emocionante ouvir “A Internacional” ser cantada na abertura do evento. Vi muitos dos presentes se emocionando também. Que esta emoção, que fez o PT construir os caminhos para o Brasil orgulhoso de si que temos hoje, ilumine nossa direção para, com esta emoção, mediada pela necessária razão que nos norteou até aqui, conduza as Reformas necessárias e ilumine o caminho para a construção do Socialismo democrático que todos almejamos para a humanidade inteira.


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2 pensamentos sobre “O PT, o governo e as relações com o PSD

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