Uma carta que mexeu com os rumos do Brasil. Se hoje temos a nossa democracia intacta e a economia continua crecendo, mesmo diante de toda a crise do capitalismo internacional, é por que num passado muito recente, personagens da nossa história souberam compreender que era necessário construir a Utopia Possível para que um dia possamos ter a utopia definitiva, da sociedade socialista e igualitária.
Há 10 anos, como presidente do PT, fui aos EUA levando a Carta ao Povo Brasileiro, assinada pelo ex-presidente Lula, então candidato. Começa assim: “O Brasil quer mudar. Mudar para crescer, incluir, pacificar. Mudar para conquistar o desenvolvimento econômico que hoje não temos e a justiça social que tanto almejamos. Há em nosso país uma poderosa vontade popular de encerrar o atual ciclo econômico e político.” (para quem quiser conhecer a carta na íntegra, clique aqui).
O fato, que teve impacto importante nas eleições e no que ocorreu depois no país, foi lembrado por um articulista e em texto publicado no jornal Brasil Econômico. O Brasil efetivamente mudou e a maior prova disso é que continuamos desenvolvendo uma política de crescimento, de diminuição da pobreza e de valorização do país e dos brasileiros, em plena crise mundial.
Leiam, por exemplo, este recorte que faço do texto do professor da FGV de relações internacionais, Matias Spektor, colunista da Folha: “Esta coluna ignoraria o tema solenemente, não fossem os efeitos do mensalão sobre a política externa brasileira. A história começa há dez anos, em julho de 2002, quando José Dirceu foi aos Estados Unidos pela primeira vez. Não falava nem entendia inglês. Não conhecia quase ninguém. Mas Lula crescia nas pesquisas de intenção de voto, Fernando Henrique patinava e o “Financial Times” sentia cheiro de calote no ar. (…).
“Lá foi José Dirceu com a “Carta ao Povo Brasileiro” debaixo do braço. Em Nova York, conversou com gente de JP Morgan, Citigroup, Morgan Stanley, Lehman Brothers, ABN Amro, Bear Stearns, da Alcoa e também da Moody’s. Em Washington, visitou a central sindical americana AFL-CIO, o Banco Interamericano, o Departamento de Estado, o Tesouro, o Conselho Econômico Nacional e o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Tirou foto solene no Ground Zero. WikiLeaks e outros documentos abertos pela lei americana de acesso à informação revelam que ele convenceu.”
O articulista trata, também, do papel que desempenhei depois nas relações bilaterais Brasil-EUA. O texto pode ser lido aqui .
Já no jornal Brasil Econômico, a reportagem conta com mais detalhes o que aconteceu e traz minha opinião sobre o que o documento representou, de que não foi de forma alguma uma ruptura, ao contrário do que muitos críticos à política adotada pelo PT e pelo ex-presidente Lula dizem. É sim expressão de uma continuidade nas mudanças programáticas que o Partido vinha implementando desde 1995. Para quem quiser conhecer o teor da reportagem na íntegra, basta clicar aqui .
Lembro também, para quem tem interesse em se aprofundar ainda mais no tema e conhecer, inclusive, as relações bilaterais Brasil-EUA, a leitura importante do livro do embaixador Rubens Barbosa, O Dissenso de Washington, lançado no ano passado. Ainda sobre o embaixador, há a entrevista que fiz com ele e que está publicada aqui no blog: Rubens Barbosa.
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