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Não é verdade, Sartori

E este blog avisou aos gaúchos ainda na época da eleição

E este blog avisou aos gaúchos ainda na época da eleição

Por Antônio Escosteguy Castro no SUL21

Há alguns dias , o governador Sartori deu uma entrevista à nova estrela do Grupo RBS, David Coimbra. Embora não haja nisto grande novidade, eis que Sartori governa através dos veículos da RBS, temos que prestar atenção nesta entrevista, porque revela por onde vai ir nosso estado nos próximos anos.

E o conceito fundamental que Sartori expressa neste verdadeiro editorial de seu governo é que o “ estado esgotou suas possibilidades de intervenção, de financiar , de investir e de oferecer investimentos para o crescimento econômico”. Isto é muito preocupante, porque não é verdadeiro. E é ainda mais preocupante , porque mostra claramente por onde o Governador quer levar o Rio Grande .

Nem de longe o Estado do Rio Grande do Sul perdeu sua capacidade de intervir , positiva e fortemente , no processo de desenvolvimento econômico. O que de fato houve foi uma opção política e ideológica do Governo, agora formalmente enunciada naquela entrevista, em afastar-se deste cenário e concedê-lo à iniciativa privada, abrindo mão de sua capacidade de intervenção própria. E o corolário essencial desta estratégia é um brutal processo de arrocho salarial e de sucateamento da máquina pública.

Se é real que o Estado se encontra em crise, também o é que ainda há espaço fiscal para buscar recursos, graças à lei aprovada no final do ano passado. E há, igualmente, os recursos que podem ser buscados no reexame das isenções fiscais, reduzindo ou eliminando aquelas que não atingiram suas metas. Se a isto fosse agregada uma estratégia de impulso aos setores econômicos mais dinâmicos de nossa economia e, principalmente, uma estratégia de renegociação da dívida e da Lei Kandir com a União, o Estado mostraria todo seu poder de fogo para tirar o Rio Grande da crise.

Acontece que Sartori não tem condições objetivas de fazer um reexame a fundo das isenções fiscais, porque é politicamente dependente dos grupos econômicos que se beneficiam destes 13 bilhões que o estado abre mão anualmente. Ele simplesmente não tem força política para fazê-lo. E não pode desenvolver uma estratégia de renegociação com a União, porque isto significa dialogar e cooperar, ainda que através de pressão política, com o Governo Dilma, e seus aliados não admitem uma política de cooperação com o governo do PT. Neste momento, a prioridade é isolar e derrotar o PT, ainda que ao custo de afundar o estado.

Os principais elementos estratégicos ao alcance do estado, portanto, aqueles que de fato poderiam render valores suficientes para alavancar a saída da crise, foram conscientemente descartados por Sartori. Não vai desafiar as empresas e não vai dialogar com a União. Não lhe resta outra opção, pois, que não seja a de arrochar os salários, cortar os orçamentos e vender parcelas do patrimônio público.

Mas o pior desta estratégia é que não será suficiente. Os resultados a serem auferidos destas medidas não são capazes de minimamente equilibrar as finanças. O alegado déficit anual de 5,4 bilhões sequer é arranhado com estas medidas meramente paliativas. Já vimos este filme , no funesto governo Britto. Antonio Brito negociou um pacto da dívida do estado com FHC, vendeu estatais e reduziu a máquina para sanear o quadro econômico-financeiro do Rio Grande. O resultado é que ficamos sem a CRT, sem 2/3 da CEEE, com o estado em frangalhos e com uma dívida duas vezes maior do que antes. Agora , os mesmos que apoiaram aquela patacoada insistem na repetição da velha fórmula. E sem tocar na dívida.

Não, não é verdade que o estado perdeu sua capacidade de intervenção no desenvolvimento econômico. Sartori é que abriu mão dela.

.oOo.

Antônio Escosteguy Castro é advogado.


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2 pensamentos sobre “Não é verdade, Sartori

  1. Penso que faltou um outro elemento que para mim é fundamental em qualquer processo de recuperação da capacidade financeira do estado, que é o espantoso índice de sonegação fiscal. Não há governo que consiga governar com uma sonegação de impostos de mais de 30 bilhões. E pior, muitos destes sonegadores ainda são agraciados com benefícios fiscais e empréstimos a juros subsidiados pelo governo. Na questão da dívida com a União há outro elemento que precisa ser considerado, que é a necessidade urgente de se fazer uma auditoria dessa dívida impagável. Não adianta só negociar a dívida se quanto mais o governo paga mais ela cresce.

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