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A fúria, o medo e o “salvador”; terreno fértil ao fascismo. Por Jari da Rocha

POR TIJOLAÇO

juizofinal

O quadro que vai sendo pintado a várias mãos – limpas – propõe reflexões. Tudo leva a crer que as cores escolhidas terminarão em imagens dignas de inveja ao holandês Hieronymus Bosch. A ideia é carregar na mão pesada para exprimir e explorar, ao máximo, o medo e a angústia.

Quando a justiça começa a ter cara e sobrenome, quando o caráter impessoal e, por conseguinte, neutro, dá lugar a atitudes egocentricamente pueris, quando há, como representação dessa justiça, a personificação do super homem com direito a pega-rapaz, é porque o que menos se pode esperar dela é justamente o que a nomeou.

O prefixo ‘in’ disfarçadamente assume as rédeas do processo de degradação social. Manda quem pode, obedece quem precisa.

Usada como ferramenta de disputas, adquire exterioridade de fúria divina. Um deus vingativo e cruel. A INjustiça propagada a esmo cria ares de retidão, como se fosse legitimada pela repetição, não importando os conceitos de equidade ou de bem estar.

A curiosa imagem de representação, cujos olhos vendados remetem à igualdade das pessoas diante da lei, assume aspecto de aberração quando esta se une à imprensa. Como se a segunda guiasse a primeira, apontando, a seu bel prazer e comprometimentos, a quem a espada será apontada. Ao seu comando, o golpe é desferido.

O objetivo é claro e o efeito devastador. Criar uma atmosfera de medo para silenciar a voz de quem se atrever contestar. Usar ícones e líderes como exemplo é crucial, sem esquecer, porém, de inibir toda e qualquer manifestação popular de contrariedade.

Veja que a palavra democracia fica tão distante que não encontra nem mais lugar aqui, senão por vontade de, pelo menos, lembrá-la.

Escandalizar-se ainda com a manipulação dos meios de comunicação tradicionais é como acreditar na justiça cega.

A sabedoria popular aponta, sem pestanejar, a quem a justiça serve e quem se serve dela. Aos três pês clássicos, outro P foi acrescido nos últimos tempos.

Mesmo assim, volta e meia, nos surpreendemos com o exagero dessa dobradinha alvissareira. Seria por falta de controle? Pesar a mão por descuido ou por propósito?

A grande maioria da população já percebeu a blindagem que ocorre dia após dia com determinado grupo político. Da mesma forma, a perseguição incansável aos atores do incômodo governo dos últimos anos.

Se não se ganha dentro das regras, muda-se as regras. O dono da bola e do campinho exerce a sua autoridade. Uma autoridade por posse, não por virtude.

A coleção de desmandos e arbitrariedades não é mais para ser escondida, pelo contrário. Acostuma-se ao absurdo para desfazer o estranhamento. Passa-se a acreditar que isso tudo é normal. Tubarão não se pesca e ponto final.

Tudo será crível a partir do jogo proposto (ludere = jogar > iludir). A partir disso, o que parece ilegal, ilícito, incapaz, inconfortável, incrédulo, indecente, infeliz, inválido e infiel torna-se legal, lícito, capaz, confortável, crédulo, decente, feliz, válido e fiel.

Porém, o desencanto que já vinha vagarosamente ocorrendo com os apoiadores da turma blindada tem adquirido força mais expressiva para abandonar o barco. Sugerem, sem cerimônias, uma terceira via.

Eis o perigo.

Muitas pessoas que nunca gostaram do Lula nem do PT ou de petistas começaram a se sentir amparados em discursos mais efusivos. Alguém que fale ‘verdades’ que acenem aos corações desamparados através de promessas de moralidade na política, fim de mordomias e defesa da pátria, da família e do pão de queijo.

Abriu-se um terreno fértil ao fascismo.

A trajetória dos últimos três anos é elucidativa. O congresso eleito é de chorar agachado. (Vide deputados federais mais votados em estados como, por exemplo: São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul).

A instituição justiça, por sua vez, perdeu os últimos pruridos – se é que os tinha – e se mostra bastante confortável diante das câmeras. Seus atores, narcisos, devoram suas imagens refletidas em horários nobres.

Com o lugar vago, um juiz de voz esganiçada assume a função de herói dos justos e rege, com aparente maestria, a orquestra estridente de horrores. O povo aplaude.

Se isso tudo seguir no ritmo em que está, daqui três anos, possivelmente, estaremos fugindo em bando.

Às montanhas.


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