Uncategorized

A “EX-QUERDA” QUE A DIREITA E O IMPÉRIO GOSTAM

Já vi delírios provocados pela doença do sectarismo. Lenin classificava o sectarismo como “doença infantil do comunismo. Mas o cartaz que reproduzo a seguir me leva a acreditar, mesmo sendo leigo na medicina, que o caso já é de hidrofobia mesmo:

Doença infantil...

A verdade sobre a Venezuela é bem outra, e pode ser interpretada de várias formas. Este blogueiro tem um entendimento similar ao que Breno Altman escreveu no artigo

VENEZUELA E GRAMSCI (Por Breno Altman)

mas mesmo que não fosse isto, alguém de esquerda sempre ficará ao lado de quem luta contra o Império e isto é o que o Povo Venezuelano esta fazendo ao defender a revolução bolivariana.

Chega de falar dos quinta colunas da esquerda latino americana. Leia o artigo do Breno Altman:

“Ganharam eleições, abriram processo constituinte, reformaram as instituições, construíram poder popular, assumiram o comando das Forças Armadas e do Poder Judiciário, arrebentaram o monopólio das comunicações.”

Venezuela

Por Breno Altman

Uma certa leitura do líder comunista italiano António Gramsci prestou péssimos serviços à esquerda mundial: de sua teoria sobre a revolução em países capitalistas avançados, baseada em longo processo de construção hegemônica antes que a classe trabalhadora pudesse conquistar o poder e edificar seu próprio Estado, muitos abduziram a ruptura antiburguesa como desfecho dessa dinâmica, transformando os fundamentos apresentados pelo antigo secretário-geral do PCI em um pacto de preservação melhorista da ordem capitalista e da democracia liberal.

Parte da esquerda, ainda antes do colapso soviético, fez dessa compreensão de Gramsci sua transição para se oferecer como “braço esquerdo” da hegemonia burguesa, aceitando a domesticação ideológico-cultural e a subordinação política como inevitáveis, ou até gostosamente desejáveis.

Quem bebe nessas águas, é claro, tem horror do chavismo e de sua revolução bolivariana.

Se fossem intelectualmente honestos, no entanto, teriam de reconhecer a Venezuela como o maior laboratório para o pensamento de Gramsci ao longo da história. Aliás, até hoje o único com chances de dar certo.

O italiano fazia uma contraposição teórica original entre a revolução nos países atrasados (como a Rússia) e nos mais desenvolvidos.

No primeiro caso, marcado pelo baixo grau de maturidade da sociedade civil e a hipertrofia dos aparatos repressivos do Estado, a primeira etapa da revolução seria destrutiva, baseada em alguma forma de levante popular-insurrecional, sustentado por uma vanguarda organizada, que enfeixaria o poder de Estado para, a partir de então, construir progressivamente hegemonia sobre o conjunto das instituições, da economia, da cultura e da vida social.

No segundo caso, a construção da hegemonia precederia o momento disruptivo: a classe trabalhadora teria de conquistar amplos espaços nas instituições e na cultura, forjando o embrião de poder popular antes de destruir o Estado burguês e dentro de sua própria casca, isolando a burguesia em seu próprio território de dominação, fazendo do enfrentamento direto o capítulo final da acumulação de forças.

A bem da verdade, todas as tentativas nesse rumo fracassaram: uns por trágica derrota, como o Chile de Allende, outros por aberta capitulação, como o próprio PCI.

Mas a Venezuela de Chávez e Maduro tem chances reais de triunfar, seguindo rigorosamente a prédica gramsciana.

Ganharam eleições, abriram processo constituinte, reformaram as instituições, construíram poder popular, assumiram o comando das Forças Armadas e do Poder Judiciário, arrebentaram o monopólio das comunicações.

Edificaram, enfim, hegemonia popular no interior do próprio Estado burguês e da sociedade capitalista, isolando as classes dominantes e levando-as ao enfrentamento já bastante enfraquecidas em suas próprias trincheiras, apesar do enorme desgaste do chavismo, provocado pela longa crise econômica e a sabotagem do capital.

Vitoriosa na eleição parlamentar de 2015, a burguesia venezuelana fez da Assembleia Nacional seu aríete para forjar dualidade de poder e derrubar o governo Maduro.

Para os socialistas venezuelanos, havia soado o timbre para o desfecho do processo iniciado em 1999: com a nova Constituinte, almeja-se eliminar a dualidade até agora vigente, destruindo o que resta do Estado burguês e impondo a hegemonia ilimitada da classe trabalhadora sobre o país, retirando completamente o poder político das antigas elites.

Isso é ou não puro Gramsci? A propósito, existe frase mais inspirada no revolucionário italiano que aquela proferida há tantos anos por Chávez, quando lhe pediram que comparasse a experiência venezuelana com a chilena e ele respondeu que “nossa revolução é pacífica, mas armada”?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s