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Primeiro Turno no TRF 4 (Por Juremir Machado)

TRF 4 INTRROMPA O GOLPE

Foto do Achutti; Mobilização da Juventude na volta ao trabalho do Judiciário

Nos últimos dias, tenho pensado muito em três homens que não conheço pessoalmente: João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Laus. São os desembargadores do TRF-4, baseado em Porto Alegre, que julgarão o ex-presidente Lula em segunda instância. Fico pensando no que pensam esses homens de meia idade enquanto examinam os documentos que lhes permitirão decidir o futuro do Brasil. Sim, esses três senhores que andam por nossas ruas, comem em nossos restaurantes, enfrentam nossos calores de verões tórridos e contemplam as águas do nosso Guaíba, vão decidir o primeiro turno das eleições de 2018. Por que o TRF-4 atropelou novos processos da Lava-Jato anteriores para julgar o de Lula primeiro? A ordem cronológica não é obrigatória.

A pressa é suspeita?

No Brasil da justiça lenta, celeridade causa espanto e pode não ser republicana.

Seria ideológica essa velocidade?

Tudo especulação. Pode ser apenas preocupação com o país.

É um país curioso. Aécio Neves não pode ser processado por ter foro. É senador.

O deputado Paulo Maluf foi para a cadeia. Sempre há uma diferença.

Difícil é haver padrão.

Voltemos a João Pedro, Leandro e Victor.

Que peso! É possível que eu tenha cruzado com Paulsen em algum momento nas alamedas floridas da PUC, onde lecionamos. A justiça deve ser técnica. Um juiz precisa ser capaz de colocar entre parênteses a sua ideologia, as suas preferências políticas e as suas inclinações partidárias na hora de julgar. Fico me perguntando num exercício especulativo inevitável: para que time torcem esses homens sob os quais pesa tamanha responsabilidade? Em que candidato votaram em 2014? Que visão de mundo defendem quando conversam com amigos? São de esquerda? De direita? Apolíticos? Conservadores? Progressistas? Acreditam que não há mais ideologias? O que pensavam de Lula antes do processo que agora vai ligá-los para sempre à figura do petista?

Penso nisso como qualquer pessoa que se interessa pelo seu país, mas também como alguém que vive obcecado com perguntas esquisitas: como pensamos? Podemos pensar contra os nossos pensamentos? Somos realmente capazes de bloquear nossos pré-conceitos e de vencer nossos preconceitos? Sou também fanático pelo conceito de prova. Quantas vezes já citei Agripa, o cético, que perguntava o que prova que uma prova é uma boa prova? A minha resposta hoje é simples: as malas de dinheiro com as impressões digitais de Geddel Vieira Lima. Não pretendo inverter a ordem das coisas e julgar os julgadores antes mesmo do julgamento. Penso enquanto escrevo. Não deveríamos conhecer tudo sobre os julgadores para confiar mais nos seus julgamentos?

Fico imaginando esses três juízes vendo televisão em casa. Em que pensam quando ouvem seus nomes nos telejornais? Pensam na glória, na visibilidade, no destino, na falta de outro nome, na tarefa que lhes cabe neste latifúndio de denúncias e contradições? O que se dizem quando se encontram nos labirintos do tribunal onde oficiam? Dormem tranquilos, exatamente como dormiam antes, sabendo que o mundo olhará para eles dentro de alguns dias? Gostaria obviamente de conversar com esses homens, de senti-los, de conhecê-los, de observá-los. Nas especulações em que me embrenho enquanto caminho fico imaginando um juiz que declarasse sua sentença assim: em 2014, votei em Fulano, sempre pensei o seguinte do agora julgado e meu conceito de prova é…

Não é assim que funciona. A questão se resume à existência ou não de provas. João Pedro, Leandro e Victor, que um dia foram nomes de meninos numa chamada escolar, são agora Gebran Neto, Paulsen e Laus. Em que pensarão nesta segunda do mês mais importante das suas vidas?

Se depender do presidente da casa, não precisa nem esperar o julgamento.

Pode mandar prender Lula agora mesmo.

Um pensamento sobre “Primeiro Turno no TRF 4 (Por Juremir Machado)

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