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Briga conjugal: Folha deixa o Facebook por assédio de mercado

Abstenha-se de rir com a insinuação da Folha, de que, ao contrário do Facebook, ela ofereceria pontos de vista contraditórios, nas incontáveis acusações que veicula, ou que ela mesma faz. Gargalhe disso outra hora. Atenha-se aos números, que é disso que trata o jornal.

Avançou mais uma casa, nesta semana, o interessante jogo da mídia tradicional com a digital.

A Folha de S.Paulo, maior jornal do país, anunciou estrepitosamente que não publicará mais o seu conteúdo no Facebook.

A bronca da Folha é com o famigerado algoritmo.

O jornal argumenta que o algoritmo do Facebook “passou a privilegiar conteúdos de interação pessoal, em detrimento dos distribuídos por empresas, como as que produzem jornalismo profissional”.

Segundo a Folha, “isso reforça a tendência do usuário a consumir cada vez mais conteúdo com o qual tem afinidade, favorecendo a criação de bolhas de opiniões e convicções, e a propagação das fake news“.

“Além disso”, diz ela, “não há garantia de que o leitor que recebe o link com determinada acusação ou ponto de vista terá acesso também a uma posição contraditória a essa.”

Parece uma posição ética, de legítima preocupação com a qualidade da informação servida à patuléia. Mas é comercial mesmo.

Abstenha-se de rir com a insinuação da Folha, de que, ao contrário do Facebook, ela ofereceria pontos de vista contraditórios, nas incontáveis acusações que veicula, ou que ela mesma faz. Gargalhe disso outra hora.

Atenha-se aos números, que é disso que trata o jornal.

Diz a própria Folha que “a importância do Facebook como canal de distribuição já vinha diminuindo” antes da mudança no algoritmo, não só para ela, mas para os outros veículos.

O colega Fernando Brito, no blog Tijolaço, resume o porquê.

“O Facebook veicula conteúdo alheio sem que isso gere receita (…) para quem o produz”, ele lembra.

“Ao contrário do Google, que oferece a partilha de seus ganhos com publicidade – ainda que em condições leoninas, por uma pequena fração do que se paga em publicidade na mídia convencional –, o Facebook ganha sozinho”.

Jogar o problema das fake news, que todos praticam desassombradamente, apenas no colo dos gigantes digitais é  uma resposta a essa questão de mercado.

Segundo o último levantamento Kantar Ibope Media, os tradicionalíssimos jornais, muitos deles centenários ou quase, ficaram com apenas 11,6% dos R$ 134 bilhões investidos em publicidade no ano passado.

Já a mídia em “display” e “search” – leia-se Facebook e Google, basicamente – levou 6,2%.

Ou seja: com menos de 20 anos de existência, o digital já leva metade da grana dos jornalões. E cresce quase 10% ao ano.

Isto é “real news”. É disto que a Folha reclama.

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