América Latina

Nicarágua sob assédio da violência

Grupos terroristas financiados pelo capital financeiro internacional semeiam a violência para desestabilizar o Governo da Nicarágua. A América Latina inteira esta sob ataque que se disfarça de várias formas, como no Brasil, onde se construiu um golpe de estado apoiado em “mobilizações” por interesses múltiplos que aconteceram em 2013 e seguiram até derrubar o governo petista e desestabilizar totalmente a nação. (Comentário do Blogueiro)

Do Diário Liberdade

[Yanet Llanes Alemán*] A morte de seis pessoas, incluindo duas crianças, em um incêndio provocado por grupos criminosos em Manágua, consternou a sociedade nicaraguense, sob assédio de uma violência desenfreada há dois meses.

Dizem os que viveram a ditadura de Anastacio Somoza antes do triunfo da Revolução Sandinista (1979) que, desde então, Nicarágua não sofria ações tão dantescas como a ocorrida contra essa família.

O terror e o desrespeito pela vida humana invadem as ruas desta terra de lagos e vulcões, onde eclodem a violência, o ódio e o rancor instigados pelos que pretendem desestabilizar o país.

Um dos sobreviventes do incêndio, cuja identidade se absteve de revelar por segurança, conta com tristeza que só pôde salvar a duas primas, porque, ao retornar, as chamas já haviam tomado a casa, onde funcionava uma fábrica de colchões com material altamente inflamável.

O negócio era de uma família sandinista do bairro Carlos Marx, em um setor assediado por vândalos desde o início da crise no país. O jovem, que pôde sair a tempo da moradia de três andares, relatou que delinquentes tentaram entrar com o pretexto de procurar supostos franco-atiradores escondidos no terraço. Bombas molotov e morteiros artesanais lançados por indivíduos encapuzados, segundo afirmam vizinhos, trouxeram a desgraça a essa família, uma das vítimas da onda de violência, que já custou a vida de pelo menos 168 pessoas e provocou mais de 2.100 mil feridos, de acordo com as cifras oficiais.

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Grande parte da população vive aflita. Criminosos com armas de fogo, morteiros e bombas molotov realizam atos de terrorismo e próprios do crime organizado em vários departamentos, segundo a Polícia. Os incêndios, bloqueios de vias, agressões e saques à propriedade pública e privada se intensificam, apesar do clamor pela paz.

O país atravessa uma crise sociopolítica sem precedentes nas últimas décadas. A escalada de violência eclodiu em 18 de abril em meio a protestos contra reformas no seguro social, mais tarde revogadas, mas que não detiveram as manifestações, às quais se somaram outras demandas políticas.

A espiral de violência e os fechamentos de estradas (tranques) geram severos danos ao país, sobretudo para as famílias pobres, assegurou o presidente da Comissão de Economia e Orçamento da Assembleia Nacional, Wálmaro Gutiérrez. Tal situação viola o direito à livre circulação, afeta o acesso ao trabalho, centros de saúde, escolas, e o abastecimento de alimentos e combustíveis, segundo denúncias de povoadores.

A Câmara de Comércio e Serviços da Nicarágua estima perdas de pelo menos 700 milhões de dólares na região centro-americana, a raiz do bloqueio de estradas, onde chegaram a estar parados cerca de seis mil caminhões de carga.

Analistas opinam que o impacto negativo da crise sociopolítica na economia nacional é praticamente irreversível.

O Banco Central estimou perdas no valor de 260 milhões de dólares em rendimentos, 157 milhões em investimento estrangeiro e direto, e 270 milhões em exportações, só em uma contabilização realizada até o dia 21 de maio. A isso se somam 58 mil empregos a menos, grandes impactos ao turismo e uma desaceleração na taxa de crescimento em atividades agropecuárias pela não comercialização de produtos, segundo avaliações do ente emissor.

‘As famílias estão enfiadas em suas casas com uma angústia horrível e os setores midiáticos que manipulam isto a partir de um interesse político pretendem nos lançar a uma guerra que já vivemos (…) O diálogo nacional é a última alternativa para seguir adiante’, expressou o jornalista Absalón Pastora.

O CAMINHO PARA A PAZ E SEUS DETRATORES 

O governo afirmou que a situação de violência criminosa gerada por grupos políticos de oposição com agendas específicas, constitui uma conspiração que viola a Constituição da República, e pretende destruir a segurança e a vida das famílias nicaraguenses.

Também repudiou as acusações desses grupos que ‘em uma provocação doentia e sem precedentes no país, se confabulam para denunciar ataques inexistentes, e depois agridem e produzem vítimas para culpar as instituições da ordem pública’. ‘É totalmente perverso, abominável provocar a dor, o crime, a aberração, e depois acusar. Quanto descaramento ou quanta maldade’, denunciou a vice-presidenta Rosario Murillo, ao lamentar a morte dos seis cidadãos no incêndio e o assassinato de um sandinista, cujo corpo foi profanado.

A opositora Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia culpou o governo pelos incidentes. Em resposta, Absalón Pastora denunciou que a mesma ‘está cumprindo uma agenda eminentemente política, e não para mudar a nação, mas para derrubar o governo eleito e se colocar em seu lugar, em nome das vidas perdidas’.

O presidente Daniel Ortega reconheceu que têm o direito de criticar, mas não de conspirar para destruir, promover a violência e, pior ainda, buscar nos Estados Unidos os grupos políticos mais extremistas, racistas, exterminadores, para que financiem planos de desestabilização no país.

Por sua vez, nas redes sociais leva-se a cabo uma intensa campanha de desinformação e manipulação, replicada pelos meios de comunicação alinhados à direita, para gerar confusão e exacerbar as tensões, segundo advertem internautas, observadores, acadêmicos e analistas políticos.

Diante dessa situação, Ortega pediu continuar trabalhando pelo diálogo nacional, pela paz, a justiça e a democracia na nação; todavia, a oposição propõe agendas que conduzem a um golpe de Estado, segundo advertiu o chanceler Denis Moncada.

Enquanto o governo tenta dialogar com os setores opositores para superar a crise no país e desenvolve um cronograma para o fortalecimento das instituições democráticas, mediante a implementação de recomendações da Missão de Acompanhamento Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A administração assegura que tem trabalhado aspectos relativos à configuração e composição do Conselho Supremo Eleitoral (CSE), como suporte institucional fundamental para as garantias eleitorais e eleições livres, justas, democráticas e transparentes.

Nesse caminho, a Assembleia Nacional aprovou a renúncia do presidente do CSE, Roberto Rivas, uma das demandas da oposição.

Com a Conferência Episcopal como mediadora e testemunha, a mesa de diálogo acordou recentemente a pronta presença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a OEA e uma missão da União Europeia, para contribuir com a saída da crise.

Apesar de se pactuar o fim da violência, as agressões continuam e com elas a aflição, o temor e o desespero.

‘Nosso maior compromisso, nossa obrigação, é lutar e defender a paz que temos que recuperar. O desafio é abrir caminho orientando-se para a paz’, assegurou o chefe de Estado.

Após dois meses do início da onda de violência, os nicaraguenses centram suas expectativas nos resultados do diálogo nacional, considerado única alternativa para devolver a tranquilidade, o entendimento e a estabilidade ao país.

* Correspondente da Prensa Latina na Nicarágua.

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