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A ONDA. VERMELHA. (Por Selvino Heck)

Olivio14 de novembro de 1988. Véspera de feriado e de eleição municipal de Porto Alegre,
Olívio Dutra e Tarso Genro candidatos a prefeito e vice-prefeito. O PT nunca tinha governado nenhuma cidade gaúcha (nas eleições de 1982, elegeu apenas um vereador em todo Estado do Rio Grande do Sul. Em 1986, dois deputados federais e 4 estaduais constituintes.) Final de tarde, horário de muita circulação de pessoas, foi organizada uma caminhada com Olívio Dutra na Rua da Praia, centro de Porto Alegre, a rua mais conhecida da capital, onde não circulam veículos, só transeuntes.
Caminhada silenciosa, sem qualquer tipo de som, não permitido naquele dia e horário.
Olívio à frente, éramos algumas centenas de militantes na rua. Campanha corpo a corpo, como era naqueles tempos, todo mundo ansioso, campanha em crescimento, mas impossível saber ou antever o resultado final no dia seguinte.
De repente, sentimos, todas e todos, um frêmito geral. Havia uma energia diferente. As
pessoas paravam com a nossa chegada, nos recebiam com palmas, palavras, aplausos, sorrisos, abraços. Era o cheiro, o sentimento, a certeza da vitória. O PT passou a governar Porto Alegre com Olívio Dutra e Tarso Genro, E com a população organizada.
A partir daí a história é conhecida. Governo popular, Orçamento Participativo, conhecido e reconhecido no mundo inteiro, e repetido em centenas de cidades e municípios Brasil e mundo afora, inclusive no Governo do Estado, a partir de 1999, com Olívio Dutra e Miguel Rossetto.
A caminhada da Rua da Praia foi o sinal. Quando uma onda acontece, sabemos todos que
já nadamos ou enfrentamos ondas no mar, uma onda segue outra, elas nos arrastam, embalam corpos e mentes. Ninguém segura uma onda que vem. Vai no seu embalo e encanto.
Há todos os sinais de uma onda vermelha em setembro. “O que há, portanto, é uma
resposta ao golpe. As pessoas não são loucas. É preciso entender que o que está acontecendo faz sentido” (Katarina Peixoto, Virada de Lula no Rio Grande do Sul é resposta da classe média letrada às consequências do golpe, em http://www.viomundo.com.br).
Setembro promete ser empolgante. Com Lula, sem Lula, candidato de direito ou de fato.
As bandeiras voltaram, o corpo a corpo de campanha está nas ruas. O nome Lula é mágico.
Aproxima as pessoas, faz que peguem material de campanha, que sorriam, mas estão indignadas, que digam que estão junto, que sabem da injustiça que está acontecendo. Como disse outro dia Raul Pont, ex-deputado constituinte e ex-prefeito de Porto Alegre, brincando: ‘Já não somos recebidos a pedradas’.
Ninguém vai deter a primavera de setembro. As elites do atraso, o Sistema de Justiça,
acovardado e submisso ao poder dominante, e a mídia golpista ainda podem aprontar alguma ‘novidade’ ou até mesmo inventar novo golpe. Mas não vão deter o povo consciente e organizado.

Todos os relatos que se ouvem hoje, de todos os cantos, bairros, vilas, comunidades do
interior, porta de fábrica, entrada de escolas e Universidades, a palavra-chave, a senha é apenas uma: Lula. A injustiça é muita, a população percebe, assim como o desemprego, assim como o ódio e a intolerância, alimentados por setores da mídia e até por candidatos.
A onda, vermelha, está no ar, nos corações, começa a fazer brilhar os olhos, acender uma
chama que parecia esmaecida, uma esperança que parecia derrotada. As Diretas-Já, anos 1980, começaram assim, de gestos e atos pequenos, quase localizados. De repente, eram multidões, como na frente da Prefeitura de Porto Alegre, em 1984. A democracia estava voltando depois de décadas.
Ninguém sabe, a um mês do 7 de outubro de 2018, o que vai acontecer até lá. Poderão
tentar até novo tipo de golpe. Poderão tirar Lula da urna. Poderão (quase) tudo. Mas não poderão matar a esperança que renasce, não poderão matar um povo que acredita e sonha. Não conseguirão deter a primavera. Ela sempre acaba chegando, mesmo depois de um longo e tenebroso inverno em nossas vidas e na sociedade.
A onde existe. A onda acontece. E é vermelha.

Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Um pensamento sobre “A ONDA. VERMELHA. (Por Selvino Heck)

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