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Em último debate, candidatos cobram ‘amarelada’ de Bolsonaro e se alternam em dobradinhas

Debate na Globo teve quase três horas de duração. (Foto: Ricardo Stuckert)

Luís Eduardo Gomes no SUL 21

Acabou oficialmente a temporada de campanha dos candidatos à presidência do Brasil no rádio e na televisão. O último ato foi o debate promovido pela TV Globo na noite desta quinta-feira (5). Com quase três horas de duração e se estendendo até 1h de sexta-feira (5), foi um debate que não contou com a presença física do líder nas pesquisas de intenção de voto, Jair Bolsonaro (PSL), mas com seu nome sendo lembrado de forma crítica em quase todas as interações entre os participantes. O outro ausente da noite, Cabo Daciolo (Patriota), não foi lembrado.

O debate da Globo teve quatro blocos, todos eles de perguntas diretas entre os candidatos. A principal regra era de que nos blocos 2 e 4 as perguntas eram sobre temas sorteados e não livres, como nos outros blocos. No princípio, a impressão era de que os candidatos que almejam ocupar o chamado “centro” tentariam repetir o que já fizeram em outros debates e apresentar Bolsonaro e o candidato petista Fernando Haddad, segundo colocado nas pesquisas, como os dois lados de uma mesma moeda de polarização baseada no ódio e no medo. Este inclusive foi o tom da primeira pergunta, feita por Ciro Gomes (PDT) a Marina Silva (Rede). Contudo, aos poucos foi ficando demarcado que o alvo principal da noite seria mesmo o candidato ausente.

No momento mais forte do primeiro bloco, Guilherme Boulos (PSOL) pediu licença para não responder a uma pergunta sobre o corte de direitos promovidos pelo governo Temer para fazer um discurso em defesa da democracia e de crítica ao que pode representar uma eleição de Bolsonaro. “Quando nasci o Brasil estava na ditadura. Não quero que minhas filhas cresçam na ditadura. Temos que dar um grito, botar a bola no chão e dizer: ditadura nunca mais”, disse. A fala fez a hashtag #DidaturaNuncaMais virar um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

Mas Boulos não foi o único a tratar do bode ausente na sala. Marina acusou Bolsonaro de ter “amarelado” ao não ir no debate ao mesmo tempo que uma entrevista dele passava na Record. Este foi o tema também de duas “dobradinhas” entre Ciro e Henrique Meirelles (MDB). No primeiro bloco, o emedebista perguntou ao pedetista o que ele achava de candidatos que se intitulavam como salvadores da pátria, lembrando que o Brasil elegeu em 1989 um presidente que assim se apresentava e que não teve governabilidade para comandar o país. Mais tarde, Ciro retribuiu perguntando a Meirelles o que ele achava de um candidato que não aparece no debate. Ambos aproveitaram os momentos para criticar o capitão da reserva.

As críticas a Bolsonaro também apareceriam na boca de Geraldo Alckmin (PSDB), mas com o ex-governador sim tratando de aproximar os candidatos do PT e do PSL como opostos semelhantes. O único que evitou maiores críticas ao líder nas pesquisas foi Alvaro Dias (Pode), que preferiu tratar, em praticamente todas as perguntas, dos temas de corrupção, Lava Jato e criticar o PT.

A vontade de ironizar o PT foi tamanha de Dias que, no primeiro bloco, ele estourou seu tempo sem fazer uma pergunta para Meirelles porque optou por fazer uma encenação de que iria entregar uma carta para Haddad levar a Lula. Mais tarde, foi justamente em uma pergunta de Dias a Haddad o momento “mais quente” do debate.

No segundo bloco, quando foi sorteado para perguntar sobre gastos públicos, o senador paranaense voltou à história da carta antes de questionar o petista sobre a corrupção na Petrobras. Haddad criticou a “falta de compostura” de Dias pelo que chamou de “brincadeiras” e falta de respeito às regras do programa. O senador tentou rebater que brincadeira “foram os governos no PT” e acusou Haddad de fantasiar sobre os governos do seu partido. Na tréplica, o petista subiu o tom e cobrou o senador por ter votado a favor de “entregar o pré-sal para os americanos” e defendeu o seu período como ministro da Educação. “Em relação ao Ministério da Educação, você não sonha fazer o que eu fiz”.

No último bloco, Dias e Haddad voltariam a debater, com o tema sorteado tendo sido justamente a corrupção. Surpreendentemente, no entanto, o tom da interação foi mais cordial. Apesar de o senador seguir na cobrança ao petista sobre atos de corrupção, a conversa não foi para o lado pessoal. Dias posicionou-se, como sempre faz, como defensor da Lava Jato, enquanto Haddad defendeu que os governos petistas investiram mais do que seus antecessores na Polícia Federal, que respeitaram mais a autonomia do Ministério Público e que criaram legislações mais duras para o combate à corrupção.

Com a exceção desse “duelo”, o debate da Globo, na comparação com os anteriores, teve mesmo um tom mais amistoso entre os participantes presentes. Ciro e Meirelles, por exemplo, chamaram um ao outro duas vezes cada, quase sempre em tom elogioso às propostas um do outro, com exceção de quando o pedetista criticava a gestão Temer. Ciro também aproveitou logo a sua primeira pergunta à Marina Silva para fazer a “dobradinha” já mencionada. A candidata da Rede, por sua vez aproveitou todas as suas oportunidades para se colocar como uma via alternativa à polarização e para “trocar” propostas com seus adversários, excetuando o momento em que cobrou Haddad uma “autocrítica” pelos “erros do PT”.

O petista, por sua vez, teve em Boulos o seu interlocutor preferido, tendo escolhido o psolista em duas de suas quatro oportunidades de pergunta e sempre direcionando os questionamentos para críticas ao governo Temer. Sobre educação, ambos concordaram sobre a necessidade de revogar a reforma do Ensino Médio, com Haddad prometendo focar nessa etapa, e Boulos o cobrando pelo fato de os governos petistas terem adotado uma política de compra de vagas em universidades privadas em detrimento de maiores investimentos nas universidades públicas.

Já Boulos optou em três de suas quatro perguntas por se dirigir a Alckmin. Enquanto o psolista defendia a necessidade de enfrentamento de privilégios, taxação de grandes empresários e mais investimentos públicos, o ex-governador de São Paulo focava suas respostas na necessidade de o País retomar o crescimento a partir de reformas, como a previdenciária, a política e a tributária.

Com o encerramento do debate, os candidatos agora não farão mais aparições em rádio e televisão, excetuando na cobertura jornalística. Eles têm permissão para seguir a campanha presencial até sábado e se comunicarem por suas redes sociais, mas sem o impulsionamento pago de publicações.

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