
Os Correios não são apenas uma empresa de logística; são um fio invisível que costura o vasto território brasileiro há séculos, desde 1663.
Antes do sinal de internet e do fenômeno das encomendas rápidas, a relação entre a estatal e o cidadão era umbilical.
Era através do carteiro que chegavam as notícias de nascimento, as declarações de amor e os telegramas que encurtavam distâncias continentais.
Essa confiança histórica, construída na base do “porta a porta”, é o que torna a empresa um patrimônio afetivo e estratégico do povo brasileiro. Foi por esta razão que Mais de 5.000 agências dos Correios em todo o Brasil ofereceram atendimento presencial gratuito para aposentados e pensionistas do INSS contestarem descontos indevidos de associações.
Com Agências em TODOS os Municípios do País, os Correios são também um instrumento de Integração Nacional.
O Desmonte Planejado e a Exploração Privada
Apesar dessa importância vital, a última década foi marcada por um processo deliberado de enfraquecimento.
Durante os governos Temer e Bolsonaro, a empresa sofreu com a falta de investimentos e uma gestão voltada para o sucateamento, visando a privatização. É daí que advém o prejuízo bilionário dos últimos anos.
Projetos inovadores, como o Mais Correios — o marketplace da estatal criado na década passada para democratizar o acesso ao comércio digital — foram praticamente descontinuados.
O resultado desse abandono foi a transformação da infraestrutura pública em um “puxadinho” das grandes Big Techs do e-commerce.
Assistimos hoje a um cenário absurdo: plataformas privadas cobram fretes que chegam a R$ 40,00 do consumidor, mas repassam apenas cerca de R$ 11,00 aos Correios para que estes realizem a entrega final nos locais mais difíceis do país.
Na prática, o povo brasileiro está pagando para que empresas privadas lucrem em cima de uma estrutura que é pública.
Mais que um Complemento: Uma Alternativa Popular
Recuperar os Correios como empresa 100% pública não significa apenas reformar agências; significa retomar sua missão original de servir ao cidadão e não ao mercado. O foco deve deixar de ser a complementariedade às gigantes do setor para se tornar uma alternativa real de soberania.
O ressurgimento do Mais Correios é fundamental por três motivos principais:
Apoio ao Pequeno e Médio Produtor: O pequeno vendedor hoje é refém de taxas abusivas e algoritmos punitivos das grandes plataformas. Um marketplace público oferece um espaço com taxas justas e logística integrada, permitindo que o produtor do interior brasileiro alcance o mercado nacional sem ser esmagado.
Atendimento às Necessidades do Cidadão: Enquanto as empresas privadas selecionam CEPs por rentabilidade, os Correios entregam por direito. Um espaço de comércio eletrônico público garante que o cidadão de um pequeno distrito tenha o mesmo acesso a produtos que o morador de uma metrópole, sem ser explorado por fretes abusivos.
Soberania e Inteligência de Dados: Em um mundo movido por dados, permitir que o Estado gerencie uma plataforma de comércio ajuda na criação de políticas públicas para o desenvolvimento regional, mantendo a inteligência comercial dentro do país.
Um Futuro Público e Estratégico
A história dos Correios se confunde com a história da integração nacional. Da carta manuscrita ao pacote de e-commerce, o papel da empresa deve ser o de garantir que o progresso chegue a todos, independente da distância ou do lucro.
É hora de reverter o desmonte dos últimos anos e investir pesado na estatal.
Os Correios não podem ser o “plano B” das Big Techs; eles devem ser o “Plano A” de um Brasil que busca autonomia, justiça social e respeito aos seus produtores e cidadãos.
Recuperar os Correios é, acima de tudo, recuperar um pedaço da nossa própria soberania.
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