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Porta-voz da indisciplina (Por Fernando Rosa)

A entrevista do general Villas Bôas para o jornal Folha de S. Paulo é a confirmação de que o Exército brasileiro tornou-se um partido político, com alas e tendências. Até ela, o atual estágio de degeneração disciplinar, hierárquica e profissional tinha saltado aos olhos com as desastrosas intervenções do general Mourão. Na […]

via Porta-voz da indisciplina — SENHOR X

Fernando Rosa – A entrevista do general Villas Bôas para o jornal Folha de S. Paulo é a confirmação de que o Exército brasileiro tornou-se um partido político, com alas e tendências. Até ela, o atual estágio de degeneração disciplinar, hierárquica e profissional tinha saltado aos olhos com as desastrosas intervenções do general Mourão. Na entrevista, o general Villas Bôas tenta posar de mediador, mas na verdade assume o papel de porta-voz da indisciplina na instituição militar.

Ao disparar seu twitter contra o STF no julgamento do ex-presidente Lula, o general Villas Bôas posicionou-se ao lado dos insubordinados, abrindo mão de seu papel institucional. E mais grave, quem promoveu a insubordinação e a indisciplina foram graduados generais de quatro estrelas. Ao agir assim, antes de coibir a ação dos insubordinados, o comandante que devia zelar pelo respeito à hierarquia nas tropas tornou-se o chefe da indisciplina.

Diferente do que imagina o general Villas Bôas, a principal instituição atingida pelo seu twitter não foi o STF, mas sim o próprio Exército. Nenhuma instituição resiste, principalmente militar, quando a indisciplina é patrocinada e avalizada pela sua cabeça, da forma como ocorreu nesse caso. A partir de agora, a isenção, a autoridade está definitivamente comprometida, desmoralizada para cobrar disciplina de quem quer que seja.

Ainda, ao reclamar das críticas “do pessoal de sempre”, o general Villas Bôas assume de uma vez por todas que tem lado no debate político nacional. Não tem outra leitura a se fazer a não ser aquela em que o general divide a sociedade brasileira em “nós e eles”, desmentindo sua postura de isenção. Aliás, a mesma postura que norteou a campanha do candidato do “partido do Exército” e, pelo visto, seguirá sendo a orientação do novo governo.

Na entrevista, o general Villas Bôas também se diz preocupado com o risco de politização dos quartéis na esteira da eleição, como se isso fosse novidade. Por tudo que fizeram, ou deixaram de fazer, o Exército já está partidarizado, no pior sentido, dividido em grupelhos que se manifestam a seu bel prazer. A campanha eleitoral deixou claro, não apenas o papel de algumas de suas lideranças, mas envolveu e mobilizou forças militares no país inteiro em seu favor.

O governo Bolsonaro é o governo do prêmio à indisciplina que, além dos fatos atuais, ainda traz a marca de seu capitão-presidente afastado do Exército por insubordinação. A tentativa do general Villas Bôas, portanto, de “salvar” a imagem do Exército diante de um antevisto desastre, pode ser louvada por alguns, mas é inócua. O Exército brasileiro foi levado à essa aventura irresponsável e, por conta disso, pagará um alto preço perante a história.

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