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Além da militância voluntária nas redes, O PT precisa ter a Comunicação como política estratégica (Por Norma Souza)

socialNorma Souza é Cientista Política pela ULBRA e Especialista em Estratégia e RI pela Ufrgs

Companheiros: Desde 2013, com as manifestações de rua, a difícil disputa eleitoral de 2014, o golpe de impeachment, a prisão do Lula, as novas eleições sem o Lula e o (de novo) golpe das fake news que levou à eleição de um governo cívico-militar-fascista, tudo parece ter acontecido num minuto! É de ficar tonta. Sinto-me pressionada pela conjuntura, a dar resposta imediata e eficaz a tudo e todas as barbaridades que esse governo tem dito e feito. Eleito, o fascismo se põe grandiloquente e encontra eco na sociedade brasileira – também entre os que não o elegeram. Isso me exaspera. Pretendo que talvez, alguns companheiros possam também se sentir assim. Por isso, refletindo, chamo à reflexão.
Preciso(amos) me(nos) acalmar ante conjuntura tão adversa. Dar tempo ao tempo – ainda que pareça que o que menos se tem é tempo! Afinal como não agir ante a publicação da medida provisória que altera o status dos índios brasileiros, só para citar um exemplo? Como dar tempo ao tempo se tudo está por ser feito e nada está claro, nem como fazê-lo e o que é ainda mais complicado: se poderemos fazê-lo, dar conta de tudo e salvar o Brasil da catástrofe? A resposta é não, não vamos salvar o Brasil da catástrofe! Mas também, sim, podemos fazê-lo, no longo prazo, quando voltarmos a ser (o partido) a alternativa política para o Brasil.
Começando do começo, me (nos) dispus(emos) colaborar na tarefa da Comunicação do PT em Porto Alegre. Para começar(mos) efetivamente a trabalhar, em primeiro lugar preciso(amos) aceitar, ainda que contra vontade, que não daremos conta de toda realidade e que terei(mos) de ser disciplinada(os) para atender ao que já foi previamente definido e aceito como objetivos, meios e, resultados a serem alcançados. Isto é:
A Formação de grupos iniciando com os filiados divididos pelas 10 regiões de planejamento da cidade; a elaboração de estratégia vinculada entre redes sociais na internet e presenciais; e, a mudança de cultura na comunicação partidária superando vícios e envolvendo seus dirigentes.
E isto não se faz sem termos um foco bem estabelecido. O quê queremos prioritariamente comunicar e a quem? Temos de eleger prioridades. Neste momento, a prioridade me parece, ser a consolidação dos Grupos de Trabalho.
Para tanto, conforme planejado (e já aceito por todos nós), precisamos construir a unidade de linguagem e narrativa e avançar da comunicação meramente reativa aos acontecimentos para a busca de pautar meios de comunicação e sociedade.
Sabemos que Comunicação significa antes de tudo ouvir e compreender e para tanto é preciso tempo. É necessário ter calma e foco, cientes de que não se atenderá todas as frentes – outros companheiros o farão em outros pontos (setores) do Partido, conforme o entenderem (e nem sempre poderemos influir). Temos uma tarefa a dar conta: a Comunicação. Também é importante reconhecer que existe um nível de ansiedade que precisa ser trabalhado individualmente. Buscar a solidariedade em cada companheiro que está na luta – lembrando que há muitos milhares que não se dispuseram por decepção, derrotismo e até mesmo ódio ao Partido. Sentimentos passíveis de serem reelaborados pela experiência de um governo que causará desastre certo e pela nova forma de Comunicação que estaremos inaugurando.
Nesta reflexão parto do pressuposto de que qualquer lucidez de proposta para o momento atual tem base na compreensão que tivermos de que às vezes há que se deixar a Direita agir. Não fornecer-lhe a desculpa de que não a deixamos governar e que, ao final, possam atirar a culpa de tudo no “populismo”, como eles dizem. Deixá-los fazer, sem tentar impôr uma resistência maior do que a que somos capazes e que nos coloca sob o holofote, dando espaço para que o “debate” eleitoral “continue”.
Limitemo-nos a difundir o desastre conforme ele ocorre. Há que se contar com a experiência (futura) que o povo terá em relação às medidas desse governo. Não significa abandonar a luta, mas a compreensão interior de que só se luta quando se está forte e o que podemos fazer agora é meramente reagir!
Claro que enquanto isso, há que se (re)organizar as forças de esquerda em todo país – mas esta não é uma tarefa específica nossa, mas das lideranças e direção do Partido. Tenhamos calma para confiar e influir. Há um governo fascista que recém começa, eleito pelo povo, gostemos/concordemos ou não. É preciso deixá-lo agir. O desastre que virá é inevitável, façamos o que fizermos. Deixá-los fazer, mas difundir amplamente as injustiças. Afinal, não se pode ser forte em todo o tempo e lugar.
Enquanto isso às direções do Partido, cabe organizar politicamente buscando nacionalmente/localmente a unidade das forças de esquerda. O PT é a referência de luta! Ao PT cabe a tarefa de organizar e unificar as forças políticas do Brasil e os movimentos populares.
Em outras palavras, nosso foco, na Comunicação, não é dar solução à crise nacional.
Há um trabalho importante que já em curso:
Estabelecer parceria e tentativa de maior unidade entre partido (bancadas?), blogs e páginas de esquerda; formar os GTs de comunicação divididos em Conteúdo, Análise/Pesquisa Social, Estratégia de disseminação, que trabalhem nesse primeiro momento os temas LULA LIVRE, Resistência a Bolsonaro e o projeto 30 Anos da Administração Popular (passado, presente e futuro).
Estas são as nossas tarefas no momento. Já definidas, ou precisamos ainda debater mais sobre isso?
Minha proposta (eu aposto nisso!) é que o conteúdo principal da Comunicação deve focar centralmente em apôr-se com clareza o programa petista como  alternativa viável para o Brasil (ignoremos o que dizem sobre o partido). Idéias e programa claros (Estado de Bem- Estar Social) é o que precisamos assumir e propagar quando abordarmos os temas acima propostos para os GTs. Para tanto precisamos contruir unidade na concepção para ter unidade na ação. Do meu ponto de vista, as reuniões virtuais e presenciais servem para irmos nos afinando.
São certos os ganhos em maior capacitação que virão da frequência às oficinas regionais e setoriais de comunicação que serão realizadas a partir de fevereiro. Estas oficinas serão importantíssimas, principalmente se nos encontrarem focados, individualmente decididos, já, sobre em qual GT contribuiremos.
O seminário de planejamento estratégico da comunicação, em fevereiro, demonstra que temos planejamento e já, uma boa agenda de trabalho. Se completarmos nossas atuais tarefas, o seminário será um passo adiante.
No mais, todos somos livres e capazes para contribuir em todos os espaços que quisermos. Entretanto, no tocante à Comunicação, temos um projeto a ser construído. Minha saudação carinhosa a todes!

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