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Bolsonaros tentam colocar chefe da milícia no colo do Queiroz, mas mimam PM hoje foragido desde 2003

Bolsonaros tentam colocar chefe da milícia no colo do Queiroz, mas mimam PM hoje foragido desde 2003
Adriano, o cara; reprodução de video

Do VIOMUNDO

Adriano Magalhães da Nóbrega, alcunha Urso Polar, é um policial de sorte.

Foragido, deve se cuidar para não ser vítima de queima de arquivo.

Em 2005, teve o privilégio da presença de um deputado federal em seu julgamento: Jair Bolsonaro.

Adriano era acusado de homicídio. Foi condenado. (Mais tarde, conseguiu a anulação e no segundo julgamento foi absolvido).

A presença de Bolsonaro no tribunal do júri não foi o primeiro “agrado” da família Bolsonaro no Urso Polar.

Em outubro de 2003, o então tenente Adriano recebeu uma moção de louvor do deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Em 23/08/2005, mesmo preso, recebeu a mais alta condecoração do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes, também por ação de Flávio Bolsonaro.

Dois meses depois (27/10/2005), condenado, Adriano mereceu o discurso em sua defesa na Câmara dos Deputados (reprodução abaixo), com palavras do próprio Jair Bolsonaro.

Mas, não foi só.

Oficialmente, o PM Fabrício Queiroz só entrou na vida dos Bolsonaro em março de 2007, ao ser contratado para o gabinete de Flávio.

No dia 06 de setembro de 2007, Danielle Mendonça da Costa Nóbrega, esposa de Adriano, já promovido a capitão, foi empregada no mesmo gabinete da Alerj, segundo a família nomeada por Queiroz.

Mas,  notem, há uma história anterior envolvendo Jair, Flávio e o miliciano Adriano.

A mãe do capitão Adriano também conseguiria uma boquinha, no mesmo gabinete, mais adiante.

Quantos agrados, não?

Duas comendas e um discurso, antes do Queiroz surgir na cena oficialmente!

Em 2014, Adriano foi expulso da Polícia Militar, depois de acusações de extorsão, de envolvimento com bicheiros e de que teria prestado serviços à máfia dos caça-níqueis.

Curiosamente, no entanto, tanto a mãe quanto a esposa do Urso Polar continuaram empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro, de onde só foram demitidas… em 13/11/2018.

Não é estranho que, agora, tanto Jair Bolsonaro quanto Flávio joguem toda a responsabilidade de seu envolvimento com Adriano no colo do ex-PM Fabrício Queiroz?

Hoje, Adriano está foragido. É acusado de chefiar a milícia do Rio das Pedras e de fazer parte de um esquadrão da morte a serviço de bicheiros.

Rio das Pedras?

Num debate sobre a instalação da CPI das Milícias na Alerj, em junho de 2008, Flávio Bolsonaro sugeriu ao presidente da comissão, hoje deputado federal Marcelo Freixo, que ouvisse como testemunhas moradores de algumas comunidades.

Quais? Leiam com seus próprios olhos as palavras de Flávio:

O sonho de todo policial no Rio de Janeiro é viver só do contracheque, mas não consegue.

É muito mal remunerado, precisa buscar outras fontes e vai então fazer segurança privada, vai buscar atividades que muitas vezes são reprováveis pela opinião pública, pela imprensa.

[…]

Em muitas comunidades, onde residem policiais, onde residem bombeiros, eles se organizam para que o tráfico não impere nessas regiões, sem visar lucro, sem exigir cobrança de nada.

[…]

Sempre que ouço relatos de pessoas que residem nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, não raro é constatada a felicidade dessas pessoas que antes tinham que se submeter à escravidão, a uma imposição hedionda por parte dos traficantes e que agora pelo menos dispõem dessa garantia, desse direito constitucional, que é a segurança pública.

Façam consultas populares na Favela de Rio das Pedras, na própria Favela do Batan, para que haja esse contrapeso também, porque sabemos que vários são os interesses por trás da discussão das milícias, como falei.

Abaixo, a defesa que o pai de Flávio fez de Adriano em 2005, na Câmara Federal:

O SR. JAIR BOLSONARO (PP-RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, antes de iniciar, peço à Deputada Juíza Denise Frossard que ouça minhas palavras, pois não tenho experiência nessa área e quero depois me aconselhar com S.Exa.

Na segunda-feira próxima passada, pela primeira vez compareci a um tribunal do júri.

Estava sendo julgado um tenente da Polícia Militar de nome Adriano, acusado de ter feito incursão em uma favela, onde teria sido executado um elemento que, apesar de envolvido com o narcotráfico, foi considerado pela imprensa um simples flanelinha.

Todas as testemunhas de acusação — seis no total — tinham envolvimento com o tráfico, o que é muito comum na área em que vivem.

O Tenente Adriano era o décimo militar a ser julgado pelo episódio. Cinco haviam sido condenados e quatro absolvidos.

O curioso é que o militar que apertou o gatilho e matou aquele elemento foi absolvido, e o tenente, que era o comandante da operação, condenado a 19 anos e 6 meses de prisão, sendo enquadrado inclusive em crime hediondo.

O que é importante analisar no caso?

Não considero que a Promotoria o condenou, Deputada Denise Frossard.

Um dos coronéis mais antigos do Rio de Janeiro compareceu fardado, ao lado da Promotoria, e disse o que quis e o que não quis contra o tenente, acusando-o de tudo que foi possível, esquecendo-se até do fato de ele sempre ter sido um brilhante oficial e, se não me engano, o primeiro da Academia da Polícia Militar.

Terminado o julgamento, ao conversar com a Defesa, fiquei sabendo que ela não conseguira trazer para depor o outro coronel que havia comandado o tenente acusado.

Por quê? Porque qualquer outro coronel que fosse depor favoravelmente ao tenente bateria de frente com o Coronel Menick, e, com toda a certeza, seria enquadrado por estar chamando de mentiroso o colega coronel.

Esse fato não poderia ter passado despercebido pelo juiz. Se bem que, nesse episódio, o juiz só entrou na parte final, na sala secreta.

Apesar disso tudo, poderia ter sido discutido o porquê de a Defesa não ter podido trazer nenhum outro superior ou comandante de batalhão em que tivesse servido o tenente.

E o que serviu para fazer com que os jurados o condenassem por 5 a 2 foi exatamente o depoimento do Coronel Menick, que falou sobre uma sindicância feita por ele à época.

Não vou entrar em detalhes sobre a desqualificação dos acusados ou sobre o fato em si. Entendo também, e V.Exa., Deputada Denise Frossard, deve concordar comigo, que o que tem de ser discutido é o que está nos autos, o que está fora dos autos não existe. Mas a palavra do coronel foi considerada.

Estou completando 16 anos de Brasília. É importante saber a quem interessa a condenação pura e simples de militares da Polícia do Rio de Janeiro, sejam eles culpados ou não.

Interessa ao casal Garotinho, porque a Anistia Internacional cobra a punição de policiais em nosso País, insistentemente.

É preciso ter um número xis ou certo percentual de policiais presos.

O Rio é o Estado que mais prende percentualmente policiais militares e, ao mesmo tempo, o que mais se posiciona ao lado dos direitos humanos.

Então, Sr. Presidente, não sei como podemos colaborar. O advogado vai recorrer da sentença, mas os outros coronéis mais modernos não podem depor, senão vão para a geladeira, vão ser perseguidos. E o tenente, coitado, um jovem de vinte e poucos anos, foi condenado.

Mas não foi ele quem matou, Deputada Denise Frossard! Quem matou foi o sargento, que confessou e, mesmo assim, foi absolvido no tribunal do júri.

A decisão, portanto, tem de ser revista.

Ao que parece, há um interesse muito grande por trás disso. Eu não sei como funcionam as promoções na magistratura, mas está mais do que comprovado que Coronel Menick está ao lado do Governo do Estado, que, repito, quer atender à Anistia Internacional e simplesmente punir por punir.

Isso não pode acontecer. Essa prática desqualifica, desmoraliza o tribunal do júri. E o tenente, como qualquer outro policial militar, não tem dinheiro para pagar um bom advogado, tem de se valer de um profissional sem muitos conhecimentos, que, numa hora dessas, não levanta todos os fatos. Eu, que não sou advogado, percebi isso e depois comprovei.

Esse comportamento não está certo, Deputado Reinaldo Betão.

Quero me assessorar com a Deputada Juíza Denise Frossard e com outros juízes para saber como podemos proceder no futuro.

Se um coronel vai depor e outro não pode fazê-lo porque será perseguido, o depoimento dessa autoridade tem de ser desqualificado.

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