Lula

‘Lula transmite fortaleza’, diz Juca Kfouri após visitar ex-presidente

Procurador Afrânio Silva Jardim e jornalista Juca Kfouri visitaram o ex-presidente e relatam como foi o encontro. Dia 7 de abril completará um ano que Lula foi preso

No Jornal GGN

Reprodução

Jornal GGN – Após visitar o ex-presidente Lula, preso desde 7 de abril de 2018, no prédio da Superintendência Regional da PF no Paraná, o procurador aposentado de Justiça Ministério Público do Rio de Janeiro, Afrânio Silva Jardim, e o jornalista Juca Kfouri, expuseram suas impressões dos 60 minutos que puderam conversar com líder político.

Kfouri revelou que, apesar das condições, Lula transmite “fortaleza”.

“Primeiro, eu vim aqui dar um abraço de avô solidário pelo falecimento do neto do Lula. Eu tenho duas netas, eu sou perfeitamente capaz imaginar a dor que sente o presidente Lula pela perda que teve, pelo fato de não poder curtir o luto com os seus filhos, com a sua família, estar aqui. Evidentemente que ninguém que esteja aqui como ele está, praticamente em uma solitária, a gente pode dizer que está bem, embora ele seja essa fortaleza que todos nós conhecemos”, contou.

O jornalista destacou que imaginava encontrá-lo mais debilitado fisicamente, mas o que viu foi alguém preocupado com os “projetos do Brasil”. “Ele só fala ‘em quando sair daqui’ e naquilo que o PT precisa fazer”, destacou.

“[Ele diz que] os petistas têm que ser igual aos pastores, têm que todo o dia repetir as coisas para ensinar o que o Brasil precisa ser amanhã. Não adianta ter uma ideia brilhante e só manifestar a cada 40 dias na reunião do partido. Tem que ser uma pregação diária, tem que ser todo o dia”, exemplificou.

Lula chegou a dizer aos visitantes que “prefere ser um preso digno do que um rato solto”. Apesar do ânimo, o jornalista disse que saiu com sentimento ambíguo do encontro.

“Saio daqui com o sentimento de que não é possível que esse cara seja mantido ali, já há quase um ano, e a gente não sabe por mais quanto tempo. Embora tenha esperança de que cada vez esse tempo seja menor. Mas, saio daqui também otimista, porque não da para encontrar com ele e não ser otimista”.

Já o procurador aposentado Afrânio Silva Jardim demonstrou indignação com o estado de encarceramento de Lula. “Não faz nenhum sentido isolar esse homem por um ano. O maior líder político da história do Brasil isolado numa sala. A troco de quê?”, questionou.

“Juridicamente é um absurdo o que estão fazendo. Juridicamente e processualmente falando. Eu conheço isso, leciono sobre essas coisas há 39 anos. Estudei o caso dele”, pontuou.

“Não estou querendo pregar revolução infantil, nem ser um esquerdista inconsequente, mas eu acho que a gente tem que ficar mais indignado. A gente não pode ficar aqui gritando só ‘Lula boa tarde’, ‘boa noite’, Lula Livre’”, completou.

Emocionado, Afranio seguiu contando que externalizou sua indignação ao próprio Lula.

“Aquilo que via de longe, que me indignava, vendo [agora] pessoalmente, entrando lá, [na] sala de custódia. Semana passada estive na Argentina, fui visitar a ESMA, [Escuela de Mecánica de la Armada, a Auschwitz argentina onde presos políticos foram mortos e torturados na ditadura], e ao entrar na porta me lembrou um pouco. Ele tem um conforto aqui, está muito melhor, evidentemente”, ponderou, mas os procedimentos de revista, retirada de documentos e o isolamento do ex-presidente não deixam de ser uma outra forma de tortura, refletiu.

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