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DESCULPEM AS CANELADAS. NÃO NASCI PARA SER PRESIDENTE, SIM MILITAR.

Por Sérgio Martins de Macedo

Temos assistido nestes primeiros três meses de governo Bolsonaroacontecimentos inimagináveis. Nem o secador mais sórdido deste governo, e eu meconsidero um, poderia imaginar que em tão pouco tempo um homem, investidoconstitucionalmente no cargo de Presidente da República, pudesse cometer tantoserros, dito tanta bobagem, capazes de revelar o seu oceânico despreparo para exercero cargo. Além disso tem exposto o país ao ridículo internacional com seuspensamentos e bravatas. Afirmações semelhantes que aqui no país passam porfolclóricas, no mundo civilizado demonstram falta de educação, despreparo,infantilidade, e somente não uso o adjetivo burrice para não expor o animal queempresta o nome a esta expressão a vexame tão grande. Chegar no Chile ereverenciar Pinochet é um desrespeito faraônico a democracia daquele país. Fazer talafirmação diante da Chefe de Governo, perante a mídia e ao povo que perdeu 40 mil compatriotas inocentes assassinadas pela Ditadura que o General representava não tem parâmetro de comparação na história da diplomacia brasileira. Ir ao Paraguai e elogiar Strossner tem efeito semelhante. Provavelmente, se convidado a visitar a França, Bolsonaro certamente seria capaz de dizer que bom mesmo teriam sido Luís XIV e Luís XVI.Correta mesmo estava a Rainha Maria Antônia Josefa Joana de Habsburgo-Lorena quando afirmou: “Se o povo não tem pão que coma brioches”. E, aquela Revolução protagonizada por pobres, mendigos e esfarrapados certamente foi coisa do PT ou de comunistas.O Brasil, considerado por De Gaulle quando de sua visita ao Brasilcomo um país que não era sério, já viveu muitos momentos históricos vergonhosos.Muitas vezes os governantes cometeram não apenas erros, mas tiveram posturascriminosas e cruéis contra o povo, e, ao justificarem seus atos para a sociedade deforma grotesca ou supostamente bem-humorada, acabavam por ter suas condutas relevadas pela imprensa oficial e consequentemente foram perdoados pela sociedade.Achamos gozado um homem ser preso num aeroporto com dinheironas cuecas, e este até hoje não foi julgado nem está preso. Vimos 500 quilos decocaína serem apreendidos em um helicóptero pertencente a um amigo de um ex-candidato à Presidência da República, encontrado em uma propriedade deste último, eaté hoje não há ninguém punido por este fato. Ouvimos na Rede Globo uma gravaçãotelefônica deste mesmo candidato, combinando o envio de malas de dinheiro parauma determinada pessoa, e quando questionado sobre quem transportaria aencomenda dizer: “Qualquer um que se possa matar antes de fazer delação premiada”. E tudo isso passa impune aos olhos e ouvidos deste povo aparentemente tão dócil.Mas os acontecimentos atuais fogem a estas mazelas tradicionais da política brasileira. Trata-se de algo completamente novo. Um ato que parece até umainfantilidade.

Se um brasileiro, após uma partida de futebol, escusar-se perante oscompanheiros dizendo: Desculpem as caneladas. Não nasci para ser jogador, simpeladeiro, talvez devesse passar desapercebido.Mas o ocupante do mais alto cargo da República, em discursoproferido na Sede do Governo, diante do microfone, com cobertura dos maioresórgãos de imprensa do país e do exterior confessar: “Desculpem as caneladas. Nãonasci para ser Presidente, sim militar”. Pasmem. Isso é algo novo.Agravada tal afirmação se se considerar que o protagonista destainfeliz, senão insana afirmação, que admite que teria nascido isto sim para ser militar,foi expulso do exército brasileiro por má conduta. Conduta igualmente vergonhosa.Que consta no processo que foi afastado por incapacidade para ser militar. Se asForças Armadas brasileiras consideraram tal homem incapaz para prosseguir em suacarreira militar, como hoje se pode ver este mesmo homem no cargo de Presidente?No mesmo dia em que o Presidente praticou mais este ato que o eleva a condição de mais atrapalhado e despreparado homem para ser Presidente da República, talvez no intuito de afastar a discussão do que tinha dito, afirmou mais aofinal da mesma tarde:Vou acabar com o horário de verão! De Gaulle tinha razão: “Este não é um país sério”

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