Porto Alegre

Porto Alegre: Censura bolsonarista acaba com exposição de cartunistas na Câmara de Vereadores

Cartuns e charges criticando o Presidente da República foram censurados numa exposição que se inciava na Câmara de Vereadores em Porto Alegre. O estranho, ou nem tão estranho assim para quem o conhece, o mentor da Censura é o Vereador Walter Nagelstein, descendente de judeus. Os argumentos que ele utilizou estão expostos num vídeo postado no twitter, em que ataca o PT nos moldes quem Bolsonaro tem feito seus ataques repletos de ódio e mentiras. O Bolsonarismo vai ficando mais perigoso, quanto mais acuado vai ficando. E seus próceres regionais parecem cada vez mais imbuídos de uma aura monárquica vinda e expressa por sua liderança nacional, alçada a Presidência da República numa eleição eivada de farsas, mentiras e fake news. A Câmara de Vereadores de Porto Alegre é um espaço público e como tal, não pode ser alvo da censura e nem do ódio, venha de quem vier. Infelizmente, apesar de uma briga escancarada entre Nagelstein e a Presidenta da Câmara, ambos nutrem ódio a tudo que indique participação popular e liberdade. Será que a Vereadora Mônica Leal e o Vereador Nagelstein vão propor uma moção contra a Rede Globo por conta do Programa Zorra Total, que faz caricaturas do Presidente Proto fascista e de seu “Super Moro”?

Porto Alegre vai de Capital da Participação Popular a Capital da Censura, já que também aqui começou a censura a exposição de artes.

A gauchada táse superando…

Segue matéria do SUL 21 sobre a exposição e a posição dos cartunistas:

Mônica Leal encerra exposição na Câmara com cartuns sobre Bolsonaro; artistas denunciam censura

Exposição de artistas gaúchos foi encerrada pela Câmara de Vereadores um dia após ser inaugurada | Foto: Luiza Castro/Sul21

Luís Eduardo Gomes

A presidência da Câmara de Vereadores determinou, no início da tarde desta terça-feira (3), que os desenhos que compunham a exposição de cartuns e charges Independência em Risco, inaugurada no final da tarde de ontem (2), fossem retirados da frente do plenário da Casa. A decisão foi tomada depois de o vereador Valter Nagelstein (MDB) publicar um vídeo em suas redes sociais reclamando do “teor ofensivo” contra a figura do presidente Jair Bolsonaro (PSL). A exposição deveria ir até o dia 19 de setembro.

Por volta do meio-dia, o vereador Valter Nagelstein postou um vídeo de 9 minutos nas redes sociais em que analisa e comenta os cartuns e charges. “Olha, se tivesse em qualquer lugar na sede do PT, ok, eles teriam todo o direito de fazer isso. O problema é que eles estão tratando o mandatário do País, que é o presidente da República, gostem dele ou não. Foi eleito. E nós estamos num prédio público, que é o Parlamento da cidade. Para mim não é uma manifestação democrática esse tipo de manifestação em relação a um presidente que foi eleito”, disse.

No vídeo, feito antes que tivesse sido tomada a decisão da retirada, afirma ainda que iria encaminhar uma manifestação formal de repúdio à exposição. “Eu acredito que essa exposição foi além do que se poderia permitir em um prédio público”, disse.

Censura

O cartunista Leandro Dóro diz que o vereador Marcelo Sgarbossa (PT) convidou os artistas gráficos gaúchos, por meio da Grafar (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul), para realizar uma exposição sobre a conjuntura política atual. Segundo Doro, Sgarbossa deu “toda a liberdade” para os artistas. A exposição passou então a ser pensada no mês de julho, com organização da Grafar, que se reúne no Clube de Cultura — um espaço de resistência da época da ditadura militar –, e a presença de 19 cartunistas. Doro destaca que a exposição foi solicitada e aprovada pela Câmara.

“Hoje de manhã, fomos informados que o vereador Valter Nagelstein viu a exposição, achou um acinte à figura do Jair Bolsonaro, enviou um tuíte em relação a isso e pediu à presidência da Casa, a vereadora Mônica Leal, que retirasse a exposição. Soubemos agora que a exposição foi acorrentada e colocada numa sala longe dos olhos do público”, diz Dóro.

Desenhos foram retirados para um corredor da Câmara | Foto: Luiza Castro/Sul21

Para o cartunista, a exposição foi alvo de censura. “Essa é a primeira vez em que artistas gráficos são censurados no século XXI no Rio Grande do Sul. A última vez que isso aconteceu foi quando foi lançada a revista DumDum, por Adão Iturrusgarai, que houve uma mobilização de vereadores tentando retirar a revista que era financiada por um fundo de cultura público. Agora, aconteceu essa censura pelo vereador Valter Nagelstein e aprovada pela vereadora presidente da Casa, Mônica Leal”, diz Dóro.

O chargista Carlos Latuff, que também tinha desenhos na exposição, concorda com a avaliação de que a exposição foi censurada. “O tema da exposição Independência em Risco parece que foi realmente um título muito apropriado para os tempos que estamos vivendo. A própria atitude de vereadores como Valter Nagelstein demonstram bem que esse título está correto. Não só a nossa independência, a nossa soberania que está em risco, como também algo muito caro às democracias que é a liberdade de expressão”, disse.

Para Latuff, a decisão de impedir a exposição é uma sinalização muito ruim e que atenta contra a liberdade de expressão. “Eles têm esse argumento da democracia, mas, quando se trata de uma exposição de charges que têm opiniões contrárias as deles, eles não tentam debater, não tentam abrir para discussão. Não, eles querem censurar, impedir que a mensagem da arte atinja a sociedade”, diz.

Chargens e cartuns sobre o contexto político atual foram consideradas ofensivas pela presidente da Câmara | Foto: Luiza Castro/Sul21

Posição da Câmara

A presidente da Câmara, Mônica Leal (PP), explica que a Câmara recebeu pelo sistema eletrônico um pedido de autorização para a exposição feito pelo vereador Marcelo Sgarbossa. “Eles fez uma solicitação e colocou como exposição de cartum intitulada Risco em Risco. Aí veio um modelo de charge, não ofensivo, uma charge até bem bonita”, diz.

Leal afirma que o pedido foi então encaminhada para o setor de Relações Públicas da Casa, que designou um local e uma data para a exposição, posteriormente aprovadas pela direção-geral da Casa. “Aí o que aconteceu? Eu fui informada de que havia uma exposição ofensiva na frente do plenário, o que nunca tem, porque ali é um espaço de coffee break, happy hour, de circulação. Eu fui até lá para ver. Realmente, eu achei a exposição com um teor ofensivo e mandei retirar. Isso que aconteceu, bem simples”.

Para a vereadora, não é possível tolerar a presença da exposição na Câmara, que, em suas palavras, seria um espaço voltado para obras de arte, com valores culturais, históricos e não ofensivas.

“Primeiro que as informações que a diretoria-geral recebeu não condiziam com a realidade da exposição, eu tenho toda a documentação na minha mão. Tanto que eu fiquei surpresa. Eu comecei a receber ligações de pessoas de fora, me levantei para conferir, e realmente a exposição é ofensiva. Não tem o porquê manter a exposição numa casa legislativa dessa forma”, diz. “Nenhum tipo de exposição ofensiva, na minha gestão, vai fazer parte do saguão em frente ao plenário”.

Exposição estava colocada diante dos plenários da Câmara de Vereadores de Porto Alegre | Foto: Luiza Castro/Sul21

O vereador Sgarbossa, que fez o pedido de autorização para a exposição, diz que recebeu com espanto a notícia da retirada. “Isso coloca em dúvida se estamos em uma democracia ou não”, diz o vereador, que informa que não foi comunicado oficialmente da decisão da presidente da Casa.

Ele argumenta que as críticas e os questionamentos presentes nos desenhos da exposição fazem parte da linguagem da arte e que isso é um direito respaldado pela liberdade de expressão. “No passado recente, quantas charges já se fez do Lula? Também é um ex-presidente. Então, não é disso que estamos falando, estamos falando de não entrar no conteúdo do que se faz. No caso, ela está entrando”, afirma.

O vereador também avaliou como censura a decisão de retirar a exposição. “Como é que tu vai mandar toda a exposição para ela, todos os desenhos. Aliás, um desenho foi feito ontem à noite, enquanto ocorria a abertura da exposição. Ela queria ver também? Aí sim é uma postura de censor, ‘eu quero ver todos’”.

Dóro argumenta que, mesmo sem o título Independência em Risco, já estava claro desde o início que seria uma exposição sobre o contexto político do momento. “A atual conjuntura política é a que vemos e o conteúdo apresentado em nada difere do debatido em redes sociais e espaços públicos. Se você discorda do conteúdo, debata, mas não censure. Quem censura agride a democracia e se aproxima da ditadura”, afirma.

O cartunista diz que os artistas devem agora se reunir para pensar o que será feito com a exposição. “Nossa exposição foi feita com nossos próprios recursos. Inclusive, hoje, estávamos rateando os valores. Sequer fizemos coquetel. Saímos da Câmara para jantar. Ontem mesmo Latuff comemorava de ainda vivermos uma democracia para poder expressar opinião. Hoje, em um espaço público em que deveria existir a diversidade, fomos cerceados”.

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