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Para Mourão, capitania hereditária é… “empreendedorismo”! E não é piada. Ele falou mesmo!

Bandeirantes e senhores de engenho eram pioneiros das startups?

Do Conversa Afiada

Capitanias.jpg

Do Twitter do vice-presidente Augusto Mourão, no sábado 28/IX, recheado de hashtags:

“Na data de hoje, em 1532, o Rei D. João III criava as #capitanias no #Brasil. Descoberto pela mais avançada #tecnologia da época, o País nascia pelo #empreendedorismo que o faria um dos maiores do mundo. É hora de resgatar o melhor de nossas origens.”

As capitanias hereditárias, criadas entre 1534 e 1685, foram uma divisão do território brasileiro imposta pelo domínio português.

A ideia era repartir a administração da colônia entre membros da baixa nobreza de Portugal, facilitando assim o desbravamento do território e a exploração da agricultura.

O sistema fracassou: apenas as capitanias de São Vicente e Pernambuco deram algum lucro aos seus proprietários, graças à plantação de cana de açúcar.

Não é exatamente um exemplo bem-sucedido de empreendedorismo, portanto…

A publicação, entretanto, fornece um vislumbre do que é “sucesso econômico” para o vice-presidente do Brasil: exportação de commodities.

Produtos primários.

Como cana de açúcar e pau-brasil… Assim como no período colonial!

Na noite de ontem (domingo, 29/IX), o gal. Mourão retornou à rede social para insistir em sua teoria:

“Donatários, bandeirantes, senhores e mestres do açúcar, canoeiros e tropeiros, com suas mulheres e famílias, fizeram o Brasil. Só um povo empreendedor constrói um país dessas dimensões que segue o destino manifesto de ser a maior democracia liberal do Hemisfério Sul.”

Mais exemplos de empreendedorismo…

Como se sabe, capitães donatários e senhores de engenho se consideravam pioneiros das startups

Interessante notar, também, a menção ao “destino manifesto”.

Trata-se do Manifest Destiny, doutrina dominante nos Estados Unidos no século XIX que defendia a colonização e exploração de todo o continente norteamericano, sob benção divina, pelo homem branco.

Nem que para isso fosse necessário massacrar a população nativa!

Por este aspecto, faz sentido chamar os bandeirantes de “empreendedores”…

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