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Artista Gurulino é vítima de brutal violência policial em Brasília

O artista Gurulino, famoso por seus grafites no Distrito Federal, foi vítima de brutal violência policial, tal como descreveu em sua conta de instagram, no mês de julho deste ano. Na desculpa da polícia de Ibaneis de estar fazendo vista grossa à quarentena, o que na verdade se faz é…

Artista Gurulino é vítima de brutal violência policial em Brasília — Desacato

Por Rosa Vertov.

O artista Gurulino, famoso por seus grafites no Distrito Federal, foi vítima de brutal violência policial, tal como descreveu em sua conta de instagram, no mês de julho deste ano. Na desculpa da polícia de Ibaneis de estar fazendo vista grossa à quarentena, o que na verdade se faz é uma vigilância policial especializada em reprimir e matar negros, bem como humilhar artistas. Ibaneis não fez testes massivos para a população, nem mesmo investiu na saúde pública do Distrito Federal assegurando EPIs e leitos para as e os trabalhadores; no final das contas, se curvou à política genocida de Bolsonaro de reabrir o comércio mesmo no pico de contágio, enquanto centenas de milhares precisam sair para trabalhar com medo da fome e da COVID.

Segue aqui parte do relato do artista: “Um dia no final de junho, seguindo a risca todo o protocolo da pandemia, sai para pintar um mural na rua, com o intuito de trazer um respiro de arte pra cidade, como faço há mais de 7 anos e como sou reconhecido pelas pessoas de Brasília. Fui abordado violentamente pela polícia. Não pude nem sequer dizer o meu nome. Fui agredido verbalmente e com truculência física. Não pude falar, pegaram meus documentos, tomaram meu celular, tiraram a identificação do uniforme. Fui levado para a delegacia onde fui preso, algemado à uma barra de ferro, obrigado a ficar sem roupa e fazendo flexões enquanto eles riam. Fui xingado, ameaçado e humilhado por policiais pró-governo. Repetiam o tempo todo que, se eu fosse “bolsonaro”, o tratamento seria outro. Fiquei sem direito a usar máscara, sem celular, sem roupa, algemado, em uma cela trancada. Me chamaram repetidamente de “comunista vagabundo financiado por sindicatos de esquerda”. Isso durou mais de 4 horas na cela, em uma delegacia do Paranoá, sem que nenhuma pessoa, amigos ou familiares soubessem do meu paradeiro.”

O relato expressa a brutalidade da polícia de Ibaneis, mais um seguidor de Bolsonaro e desse regime golpista, mais um retrato bárbaro da polícia assassina de Ibaneis, cães de guarda contra a liberdade artística e dos interesses da grande burguesia. Como diria Trótski: “um trabalhador que entra para a polícia deixa de ser um trabalhador, passa a ser um agente fardado da burguesia”. Isso fica mais do que nunca escancarado nesse brutal ataque.

Esse ato de brutal violência acontece dentro de uma agenda de ataques à liberdade artística. A bancada apoiadora de Ibaneis na CLDF, formada por fundamentalistas evangélicos e bolsonaristas, está tentando censurar manifestações artísticas “que contenham nudez e símbolos religiosos”. Isso não passa, no entanto, de um pretexto ultra-reacionário para que o Estado decida o que é arte e o que não é, excluindo as massas trabalhadoras, em sua maioria mulher e negra, do acesso e a própria produção artística e de exercer sua criatividade.

A arte, sobretudo na pandemia e na crise capitalista atual, tem sido transformada pelos patrões e seus agentes fardados cada vez mais em um privilégio de classe. Ibaneis, capacho de Bolsonaro e dos militares, quer que a liberdade de expressão exista só para aqueles que não precisam se preocupar com a violência policial nas ruas das cidades satélites, . Enquanto isso, centenas de milhares de trabalhadores do Distrito Federal e Entorno gastam horas e mais horas em trabalho precário se expondo ao vírus para colocar comida na mesa da família – todos excluídos de acesso à arte e, também, de tempo para exercer suas potencialidades criativas.

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