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Jaques Wagner, Flavio Bolsonaro, O STF de André Mendonça e o Fantasma da Lava Jato

O Brasil assiste, mais uma vez, a um filme repetido no cenário político-judiciário. A autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT) acendeu os holofotes da mídia e incendiou as redes sociais bolsonaristas.

As acusações contra Wagner são graves? Sim, e precisam ser rigorosamente apuradas. Não se trata aqui de defender a blindagem de Jaques Wagner. Se o senador errou, se capitulou diante dos vícios do sistema político, que pague por isso dentro dos ritos legais. A questão central que este artigo propõe não é a inocência de A ou B, mas a gritante e perigosa assimetria com que a balança da justiça tem pesado os lados em disputa.

A Sombra da Suspeição e o Caso Flávio Bolsonaro

É impossível analisar a canetada de André Mendonça sem olhar para o retrovisor. O ministro foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, sob a célebre promessa de levar alguém “terrivelmente evangélico” à Suprema Corte. Diante disso, a atuação de Mendonça em casos que envolvem diretamente a família de seu padrinho político deveria ser cercada de um cuidado extremo — ou, como defende a boa prática jurídica, do reconhecimento de sua própria suspeição.

Enquanto Mendonça mostra agilidade para chancelar medidas invasivas contra adversários políticos do bolsonarismo, o contraste com os processos de Flávio Bolsonaro — hoje candidato à Presidência da República — é constrangedor.

O Volume de Evidências: As investigações e relatórios da própria Polícia Federal e do COAF acumulados ao longo dos anos sobre as “rachadinhas” e as movimentações financeiras de Flávio Bolsonaro são robustos e detalhados.

A Inércia Seletiva: Contra Flávio, os pedidos de quebra de sigilo e o avanço das investigações parecem colidir contra uma parede invisível de burocracia e boa vontade jurídica.

Como explicar que acusações contra um opositor virem operação policial num estalar de dedos, enquanto o filho do homem que colocou o ministro no cargo desfruta de uma blindagem que desafia a lógica dos fatos apurados pela PF?

O Método Lulinha: A Indústria da Desinformação Chancelada

Esse modus operandi evoca memórias recentes e dolorosas para a democracia brasileira. No passado, André Mendonça não hesitou em autorizar a quebra de sigilo de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. O resultado prático da investigação? Nada foi comprovado.

Porém, para a máquina de triturar reputações do bolsonarismo, o resultado jurídico pouco importa. O estrago já havia sido feito:

O prejuízo político e moral é construído no momento em que a manchete é publicada. As hostes digitais “fazem a festa”, espalham a narrativa de culpabilidade e consolidam o linchamento virtual.

Quando o Judiciário chancela medidas drásticas sem o devido lastro, ele deixa de ser o garantidor da lei e passa a ser o fornecedor de matéria-prima para a desinformação. O desmentido posterior, a absolvição ou o arquivamento saem em notas de rodapé que ninguém lê.

A República Não Suporta uma Nova “Lava Jato”

O que se exige não é o fim das investigações contra a esquerda, mas a aplicação do princípio constitucional de que a lei é igual para todos.

O Brasil ainda recolhe os cacos do consórcio de Curitiba. A famigerada e, hoje comprovadamente, criminosa Operação Lava Jato ruiu justamente porque abandonou a impessoalidade para adotar um projeto de poder, escolhendo alvos cirúrgicos enquanto poupava aliados de conveniência.

O lawfare — o uso das leis e procedimentos jurídicos como arma de destruição política — destrói a credibilidade das instituições. E o Bolsonarismo vem mostrando que é a isto que veio.

Se André Mendonça quer agir como um magistrado da Suprema Corte de uma democracia madura, precisa demonstrar a mesma energia e o mesmo rigor constitucional para todos, independentemente do sobrenome ou do partido. Caso contrário, suas decisões continuarão a carregar o incômodo aroma da gratidão política, e o STF continuará sendo usado como palco para campanhas eleitorais antecipadas, como foi a Lava Jato.

Por outro lado, Jaques Wagner deveria se espelhar em José Dirceu quando dos episódios de outra farsa jurídica montada contra o Governo Lula 1 em 2005. José Dirceu, então acusado de corrupção, prontamente renunciou a função de Secretário Geral do Governo a época, para responder os respectivos processos judiciais, que o então Juiz Joaquim Barbosa abriu para se vingar de Lula, que não o havia nomeado Ministro do Supremo.


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