Eleições 2020

Sobre “consensos jornalísticos” e o suposto “fracasso” do PT nas eleições (Por Wilson Gomes)

Por Wilson Gomes no Twitter

Como sou meio desconfiado, resolvi examinar de perto alguns “consensos jornalísticos” sobre os resultados eleitorais que vêm desde ontem à noite. Por enquanto, considerei apenas os resultado dos 10 maiores colégios eleitorais do país (SP, Rio, SSA, FOR, MAO, BHZ, REC, CTB, POA e BEL).

1) “O PT foi um fracasso nessas eleições”. Bem, foi o partido que faz mais vereadores nas dez maiores capitais do país, numa eleição em que cada partido contou apenas com o seu próprio nome na disputa por mandatos nas casas legislativas municipais.

2) “O PSOL está tomando o lugar do PT na esquerda”. Os dados anteriores anulam metade desta afirmação, mas o PSOL está, sim, deixando de brincar no play infantil, disputando eleições de DCE, para se tornar uma força eleitoral para valer. Foi o 4º lugar no top five, e só não pontuou em Manaus e Curitiba.

3) “O DEM foi o grande vitorioso desta eleição”. Bem, nos 10 grandes municípios, ficou atrás apenas do PT no número de vereadores, mas a sua pontuação é dependente de 4 colégios eleitorais (Rio 7, SSA 7, SP 6 e CTB 5). Na direita, quem de fato me surpreendente é o Republicanos, com cadeiras distribuídas de forma consistente em todas as casas legislativas e apenas 3 vereadores a menos que o DEM.

4) “A esquerda, em geral, deu-se muito mal”. É relativo. No top six temos 4 partidos de esquerda (PT, PSOL, PSB e PDT) contra dois da direita (DEM e Republicanos). Agora, é preciso admitir que os dois últimos são muito dependentes de apenas um dos 10 maiores colégios. 12 dos 23 vereadores do PSB são de Recife, 10 dos 22 pedetistas são de Fortaleza.

5) “O grande vencedor foi o Centrão”. De fato, a direita fisiológica e pragmática saiu-se bem. Mas entre os grandes mesmo só jogam hoje o Republicanos, o PP e o Podemos. O forte deles, entretanto, está no volume.

6) “Bolsonaro fracassou”. Não tenho certeza. A base bolsonarista é composta de três grupos: os bolsonaristas ideológicos, a direita pragmática (o bloco de Arthur Lira: PL, PP, PSD, SD, Avante, parte do PSL, PT e PROS) e o centro-direita antipetista (DEM, PSDB, MDB). MDB e PSDB minguaram, mas ainda resistem em alguns lugares, o DEM está forte), os outros partidos bolsonaristas ou da base ficaram com 43% das cadeiras. Então, não, os partidos de apoio a Bolsonaro estão bem fortes. A questão é que são pragmáticos e basta o governo sangrar para que eles se afastem deles. Não se esqueçam que todos esses, fora o DEM e o PSDB, há bem pouco estavam coladinhos no PT.

É isso.

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