A política gaúcha, frequentemente marcada por polarizações intensas e fragmentações à esquerda, assiste hoje a um movimento que é, ao mesmo tempo, pragmático e profundamente simbólico. A decisão de Edegar Pretto em aceitar a candidatura a Vice-Governador na chapa encabeçada por Juliana Brizola — um movimento articulado diretamente pelo Presidente Lula — não é apenas uma estratégia eleitoral de curto prazo; é um resgate de DNA político.
Embora setores mais puristas do Partido dos Trabalhadores possam ver com ressalvas a ocupação de uma posição secundária na chapa, é necessário encarar a realidade histórica: o PT é, em grande medida, caudatário do trabalhismo e do brizolismo.
A gênese das lutas sociais contemporâneas no Brasil e, especificamente, no Rio Grande do Sul, bebe diretamente da fonte da Legalidade de 1961 e do ímpeto transformador de Leonel Brizola. Ao unir o legado de luta camponesa e a capilaridade social de Pretto à força simbólica e ao projeto educacionista de Juliana Brizola, a esquerda gaúcha interrompe um ciclo de isolamento para formar uma frente que dialoga com a alma do povo gaúcho.
O Resgate das Reformas de Base
O ponto de maior relevância nesta aliança não reside nos nomes, mas no programa. Vivemos um momento em que as bandeiras levantadas por João Goulart no histórico comício da Central do Brasil em 1964 — as Reformas de Base — revelam-se mais atuais do que nunca.
Muitas dessas reformas nunca foram integralmente realizadas e permanecem como feridas abertas no desenvolvimento brasileiro:
Reforma Agrária: Representada na figura de Edegar Pretto, a luta pelo acesso à terra e pela soberania alimentar ganha centralidade governamental.
Reforma Educacional: O “Brizolismo” de Juliana traz de volta o foco na escola de tempo integral e investimento na Educação Pública, levada a efeito pelo Avô, Leonel Brizola.
Soberania Nacional: A proteção e o resgate do patrimônio público gaúcho contra o desmonte neoliberal ecoa o nacionalismo desenvolvimentista de Jango.
Esta contida nesta aliança também o Resgate e a Defesa dos Direitos Trabalhistas e Previdenciários inscritos na Constituição de 1988 e dilapidados em especial durante os Governos Golpistas de Temer e Bolsonaro .
“Esta aliança não é um retrocesso para o PT, mas um reencontro com a história. É a compreensão de que, para avançar nas transformações que o Rio Grande precisa, é necessário unir a força do campo com a tradição das lutas urbanas trabalhistas.”
A ação de Lula para selar este acordo demonstra uma visão macroscópica da política brasileira. Ao nacionalizar a aliança PDT-PT no Rio Grande do Sul, cria-se um cinturão de resistência e proposição que transcende a disputa local.
Para Edegar Pretto, o gesto de humildade política ao aceitar a vice-governadoria consolida sua estatura como homem de partido e de projeto, e não de vaidades pessoais. Para o Rio Grande do Sul, a chapa Juliana-Pretto oferece a oportunidade de concluir o que foi interrompido em 1964: um projeto de desenvolvimento que coloque o trabalhador e o desenvolvimento social no centro do orçamento público. É o passado iluminando o futuro.
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