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O Discurso de Lula e o “Espirito do Tempo” de Hegel (Por Paulo Ferreira)

Passados alguns dias do discurso do Lula na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e distantes quase três anos de sua prisão pela Lava Jato, em 07 de abril de 2018, quando liderava com 40% das intenções de voto na corrida presidencial, Lula volta a catalisar a atenção do país.

Dados medidos pelo Ibope apontam para a maior audiência do JN em toda história registrada, mais de 48 milhões de pessoas assistiram à reportagem, quase um quarto de toda população brasileira. Repercussão seguida pelos vários canais e redes sociais internacionais. Lula mais uma vez tornou-se notícia mundial.

Praticamente todos que leem esse artigo acompanham a trajetória do Lula, somos de gerações do pós-ditadura atentos às falas deste personagem mais presente na história brasileira desde as memoráveis lutas sindicais da metade da década de 70. A longevidade de Lula na vida social e política nacional supera Getúlio Vargas, Juscelino, Brizola, enfim, é incomparavelmente o mais presente.

Para um líder de 75 anos chegar nesta quadra da vida com a capacidade de impressionar aliados e adversários, é necessário muito mais do que o currículo de líder sindical; muito mais que ter contribuído para fundar a CUT e o PT; mais que ter sido deputado constituinte; mais que ter disputado quatro vezes a presidência da república; mais que ter sido eleito e reeleito presidente do Brasil; mais que ter indicado com êxito a primeira mulher presidenta do Brasil e de ter sido vítima do maior episódio de lawfare (guerra jurídica), ocorrido até hoje.

Como, então, explicar essa empatia causada pela entrevista, após três anos sendo impedido de falar ao país? Como explicar que ao dirigir-se à nação tenha feito renascer a esperança nas forças progressistas da sociedade de pôr fim a este período sombrio inaugurado pelo mais incapacitado presidente que este país já teve?

O Brasil é um antes e um depois da fala do Lula. Como pode um indivíduo ter esse poder? Sem querer responder de forma (alguma?), mas unicamente para tentar achar alguma explicação que acalme a inquietude da alma, encontrei em Hegel algo que me parece adequadíssimo a esta situação.

Lula, quando discursava em cima de um caminhão, momentos antes de se entregar à Polícia Federal, ao dizer que ele não era mais ele e sim era uma ideia, uma ideia que se misturava às nossas ideias, expressa o que Hegel chamou de Espírito do tempo, um conjunto de vontades e sentimentos dos indivíduos presentes em determinada época. Transmite um conteúdo de humanidade diante da miséria política e material do Brasil atual marcado pela supressão de direitos, naturalização da morte e da violência. Lula expressa o que cada um gostaria de dizer, toca profundamente nos desejos de um Brasil com justiça e igualdade.

Por isso, desperta consciências e sua fala continua atualíssima diante do Brasil e do mundo. Um herói hegeliano.

Paulo Ferreira é Ex Tesoureiro e Deputado Federal do Partido dos Trabalhadores

Paulo Ferreira

Um pensamento sobre “O Discurso de Lula e o “Espirito do Tempo” de Hegel (Por Paulo Ferreira)

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