Pesquisa/Tecnologia

Soberania científica como valor (Por Adão Villaverde)


Sem pretender ser uma verdade absoluta, o aforismo que segue parece ser quase irrefutável: “países que investem prioritariamente em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), constroem sua soberania e independência como nação”. Sobretudo se firmando nos ativos intangíveis da era que vivemos, o conhecimento e o fazer ciência.

Ainda que exemplos possam ser reducionistas, vivemos um período da história em que estas evidências saltam aos olhos de todos.

Para ancorar a assertiva, vejam o trabalho da revista científica britânica Nature, que atualiza periodicamente, através de estudo, um gráfico simbólico. Que traz no seu eixo horizontal “o percentual de dispêndios em PD&I dos países em relação ao seu PIB (Produto Interno Bruto)”, e no eixo vertical, “número de pesquisadores por milhão de habitantes”, revelando uma forte relação causal entre investimento e pesquisa.

Constata-se, portanto, ponteando o ranking aqueles países que tradicionalmente nominamos de desenvolvidos, tais como Alemanha, Estados Unidos, Dinamarca, Finlândia, Israel, Suécia, França, Coreia, dentre outros, e se aproximando para ingressar no grupo, a China e a Rússia. Exatamente aqueles que têm uma postura de apoio à ciência e, com base nela, enfrentam com rigor a tragédia sanitária da covid-19 que assola a humanidade.

E enquanto estes países veem a ciência como um enorme valor para a vida das pessoas, aqui no Brasil, contrario sensu, o Orçamento da União sofre o maior ataque de sua história, que está nos levando para um célere desmonte de instituições e centros de pesquisas, fundamentos de base para PD&I. E para arrematar, em solo rio-grandense, liquidam quase que passivamente nosso polo nascente de semicondutores.

De duas, uma: ou interditamos tal dinâmica, nos espelhando nestas experiências exitosas em nível mundial, ou senão, o intenso, desumano e desapiedado jogo do poder regressivo e obscurantista vai se sobrepujar à soberania e à independência da nação, amplificando a desesperança e o futuro de nosso já desprotegido povo.

Adão Villaverde é engenheiro, professor, ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do RS

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