Mundo

Submissão Sem Fim aos EUA: Brasil Participa de Manobra Militar Contra a Rússia! (Por Ilton Freitas)

Por Ilton Freitas em seu Blog

Uma notícia muito importante passou “desapercebida” pelos meios de comunicação de massa em nosso País. Entre o final do mês de junho até o dia 10 de julho, os Estados Unidos, países membros da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e países “convidados” (entre eles o Brasil) participaram de uma manobra militar denominada Sea Breeze (Brisa Marítima) no Mar Negro, conforme a matéria que estou divulgando no blog, assinada pelo jornalista italiano Manlio Dinucci.  Manobra militar subentenda-se exercícios de guerra naval, submarina, anfíbia, terrestre e aérea.  Pelo volume de equipamentos e de pessoal militar empregado, especialistas avaliam que se tratou da maior manobra militar dos EUA na região desde 1997.  Como se sabe no Mar Negro os russos possuem uma importante e estratégica base naval/militar no porto de Sebastopol, na península da Criméia. A Criméia é território historicamente russo e recentemente sua população através de referendo validou tal condição no ano de 2014. É absolutamente claro e evidente que pela proporção da operação, para além de exercícios militares o objetivo foi provocar e ameaçar a Rússia, considerada pelos Estados Unidos junto com a China como adversária dos seus interesses imperiais. 

Contudo, é lícito a qualquer cidadão brasileiro (incluindo nossos congressistas patriotas) que com os seus impostos sustentam os poderes da república brasileira inquirir; porque as Forças Armadas do Brasil  participaram da manobra e qual foi o custo dessa participação? Qual o sentido estratégico em participar de um evento cujo objetivo é ameaçar uma nação amiga do Brasil e com a qual somos parceiro no bloco dos BRICS (Brasil, Russia, India, China e África do Sul)? O que temos a ver com a OTAN geográfica, histórica e estrategicamente? 

Não bastasse setores da alta oficialidade das forças armadas do País, sustentarem e conduzirem o governo genocida e apátrida de Bolsonaro, integrarem vergonhosamente com um general a IV Frota  Norte-Americana (que planeja golpes e intervenções em países latino-americanos), agora se submetem como vassalos aos interesses geoestratégicos dos imperialistas do norte para afrontar uma nação amiga como a Rússia.  

Na matéria do jornalista e geógrafo italiano Manlio Dinucci são descritas em detalhe a operação Sea Breeze, e a lamentável participação das forças armadas brasileiras. Que papel infame e vergonhoso a submissão do governo brasileiro aos interesses geopolíticos do imperialismo!

                                    A imagem é do encontro entre Putin e Bolsonaro durante cúpula do G20, em 2019.                                                   Putin encara Bolsonaro como chefe de Estado. Já o miliciano…                                                             

Vento de Tempestade Atlântica no Mar Negro

| por Manlio DinucciFONTE: https://www.globalresearch.ca/vento-de-tempestade-atlantica-no-mar-negro/5748886FONTE DA IMAGEM: Diário do Centro do Mundo

Foi iniciada ontem a Sea Breeze, Briza Marítima, a grande manobra aeronaval oficialmente “organizada em conjunto, no Mar Negro, pelos Estados Unidos e pela Ucrânia“. Os Estados Unidos, que a planeiam e comandam, são, portanto, os anfitriões neste mar próximo do território russo.  A Sea Breeze, que ocorre de 28 de Junho a 10 de Julho, é dirigida pelas Forças Navais USA/Africa, da qual faz parte  a Sexta Frota, com quartel general em Nápoles. Essa mesma manobra subentende exercícios de guerra naval, submarina, anfíbia, terrestre e aérea.

Desde quando, em 1997,  teve início esta série de manobras anuais no Mar Negro, a edição de 2021 conta com o maior número de participantes: 32 países de seis continentes, com 5.000 militares, 18 equipas de forças especiais, 32 navios e 40 aviões de guerra.  Participam não são só países membros da NATO – Itália, Grã-Bretanha, França, Espanha, Grécia, Noruega, Dinamarca, Polónia, Bulgária, Roménia, Albânia, as três repúblicas bálticas, Turquia e Canadá – mas também países parceiros, principalmente a Ucrânia, Geórgia, Moldávia, Suécia e Israel. Entre os outros que enviaram forças militares para o Mar Negro, estão a Austrália, o Japão, a Coreia do Sul, o Paquistão, os Emirados Árabes Unidos, o Egipto, a Tunísia, Marrocos, Senegal e o Brasil. O facto de serem destacadas forças militares no Mar Negro, provenientes da Austrália e do Brasil, para a manobra em larga escala sob o comando dos EUA dirigida contra a Rússia, está de acordo com o que Joe Biden prometeu: “Como presidente, vou tomar medidas imediatas para renovar as alianças dos Estados Unidos e fazer com que a América, mais uma vez, lidere o mundo“. A manobra de guerra do Mar Negro, a maior realizada até à data, mostra que os passos do Presidente Biden vão no sentido de uma escalada crescente contra a Rússia e, ao mesmo tempo, contra a China.

A Sea Breeze 2021, na realidade, foi iniciada a 23 de Junho, quando o navio de guerra britânico HMS Defender, navegando da Ucrânia para a Geórgia, entrou em águas territoriais da Crimeia. Um acto deliberadamente agressivo, reivindicado pelo Primeiro Ministro Boris Johnson, que declarou que a Grã-Bretanha pode novamente enviar os seus navios de guerra para essas águas, visto que não reconhece a “anexação da Crimeia Ucraniana” pela Rússia. Esta acção hostil, seguramente de acordo com os Estados Unidos, foi efectuada apenas uma semana após a Cimeira Biden-Putin, descrita pelo Presidente dos EUA como “boa e positiva“, uma semana após o Presidente da Federação russa, Vladimir Putin ter advertido na conferência de imprensa em Genebra: “Conduzimos exercícios militares dentro do nosso território, não levamos o nosso equipamento e as nossas tropas para perto das fronteiras dos Estados Unidos da América, como os EUA e os seus parceiros estão agora a fazer perto das nossas fronteiras”. Esta acção hostil foi implementada pela Grã-Bretanha somente duas semanas após a assinatura da Nova Carta do Atlântico com os Estados Unidos, na qual os Aliados têm a garantia de que podem sempre contar com “os nossos dissuasores nucleares” e que “a NATO continuará a ser uma aliança nuclear“.A violação deliberada das águas territoriais da Crimeia torna ainda mais perigosa, a manobra de guerra no Mar Negro. Tal acto, se repetido, pode ter como objectivo provocar uma resposta militar russa, possivelmente com alguns mortos ou feridos, para acusar Moscovo de agressão. Não é pura coincidência que na Administração Biden ocupem cargos importantes, alguns dos arquitectos do putsch da Praça Maidan, em 2014, tais como Victoria Nuland, a actual Subsecretária de Estado para os assuntos políticos. O putsch desencadeou a sequência dos acontecimentos que, com a ofensiva sangrenta contra os russos da Ucrânia, levou os habitantes da Crimeia – território russo passado para a Ucrânia, na era soviética, em 1954 – a decidir, com 97% dos votos num referendo popular, a separar-se de Kiev e reanexar-se à Rússia. Foi acusada pela NATO e pela UE de ter anexado ilegalmente a Crimea e foi submetida a sanções. Agora querem passar do confronto político para o confronto militar. Estão a brincar com o fogo e, também, com o fogo nuclear.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s