Brasil/Fascismo

A agressão a Jornalista Vera Magalhães e o papel da mídia na nazificação do Brasil

Bolsonaristas fazendo o Símbolo Nazista diante de Bolsonaro no “cercadinho”. Um dos muitos momentos de simbologia nazifascista, incluindo as “motociatas” muito caras a Benito Mussolini e tantas outras secundarizadas pela mídia enquanto o Bolsonarismo avançava célere sobre as instituições e inclusive a própria liberdade de imprensa. A mídia colhe o que plantou.

Reproduzo o seguir na íntegra o artigo A agressão a Vera Magalhães e o papel da mídia na fascistização e na desfascistização do Brasil . Só alterei o título, por que entendo que sem a Lei dos Meios a mídia não será “desnazificada” , ou seja, a segunda parte do título dele, de “o papel da mídia na desfascistização não existe. Ela esta acuada pelo monstro que criou, mas passadas as eleições com Lula vitorioso, começarão no dia seguinte a bater no governo com velhas e novas artimanhas e mentiras. No Mais, concordo com o Jeferson.

Leia o Artigo:

Jeferson Miola

Cría cuervos y te sacarán los ojos
Ditado espanhol

A agressão perpetrada pelo deputado bolsonarista Douglas Garcia contra Vera Magalhães é sintoma do processo entranhado de fascistização do Brasil.

A jornalista não é a primeira, como tampouco será a última profissional de imprensa a ser vitimada pela violência fascista reinante no país.

O fascismo, assim como o nazismo, elege um inimigo capital. Este inimigo é destinatário de um ódio mortal; é um mal a ser extirpado para que a sociedade seja “purificada e limpa” de “seres impuros e inferiores”. Não por acaso os nazistas jocosamente chamavam o campo de concentração de Auschwitz como “o ânus da Europa”.

O fascismo se reforça e se expande com a intolerância, preconceito e violência contra inimigos estigmatizados. Na Alemanha dos anos 1930 do século passado, os inimigos do regime nazista eram os judeus, os gays, ciganos e comunistas.

No Brasil contemporâneo os petistas, de modo específico, e a esquerda e os progressistas, de modo difuso, equivalem aos judeus, aos gays, ciganos e comunistas perseguidos implacavelmente pelo nazismo. É esse o papel que cumpre a contrarrevolução fascista do bolsonarismo.

A construção do inimigo no imaginário social é um processo metódico e persistente de satanização e estigmatização de segmentos da sociedade. Exatamente como procedeu a elite dominante e sua mídia por meio da guerra semiótica travada para aniquilar Lula e o PT praticamente durante toda a trajetória petista, com impulso decisivo a partir da Operação Lava Jato.

A mídia hegemônica, sobretudo a Rede Globo, foi fundamental neste processo. Durante anos a fio o consórcio jurídico-policial-midiático-militar incutiu e disseminou ódio antipetista.

A responsabilidade da mídia no contexto atual de fascistização do Brasil foi determinante e essencial – as facções moro-lavajatista e bolsonarista da extrema-direita foram fermentadas e cresceram suas garras sob os generosos auspícios da mídia.

A mídia tem, por isso, uma responsabilidade insubstituível no processo de desfascistização do país, ou seja, na desconstrução do maniqueísmo e do sentimento antipetista que alimenta a espiral fascista do ódio, da violência e do terrorismo político. Essa é uma tarefa complexa e que demandará anos, para não dizer décadas, com um esforço permanente de recuperação da memória e da verdade e de combate e ilegalização de práticas fascistas e extremistas de direita.

Sem o álibi antipetista que “legitima” sua razão de ser, o fascismo perde muito da sua força e da sua autojustificativa existencial para conduzir a “luta do bem contra o mal”.

A questão, no entanto, é saber se os meios privados de comunicação – seus proprietários, articulistas, editorialistas, colunistas e jornalistas como a Vera Magalhães – estão dispostos a contribuir efetivamente, usando todos os recursos possíveis, para derrotar o fascismo.

Esta parece ser uma parada difícil. Afinal, o antipetismo é o combustível que abastece a máquina de reação da elite dominante para evitar qualquer avanço de políticas distributivas e de igualdade no país.

* charge: Duke

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