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Fake news, “infiltrados”, “tratamento indigno”: após atos terroristas, bolsonarismo se reagrupa e domina narrativa nas redes

Disputa digital expõe dificuldade do campo da esquerda depois da eleição

O titulo acima é de artigo de Luiza Marzullo em O Globo, que reproduzirei na íntegra, logo após pequeno comentário.

Sou leigo no tema monitoramento de Redes. Mas é visível que a Estratégia de Ações nas redes adotada durante a Campanha de Lula já não existe mais.

Nos Atos terroristas e após, muita gente de Esquerda na minha TL passou a publicar vídeos emitidos por Bolsonaristas durante a invasão e mesmo depois de presos. Na narrativa da direita, boa parte destes vídeos são de “heróis da causa que lutam por nós”.

No artigo Sem acabar com a estrutura de propagação de mentiras e com seu financiamento, o terrorismo seguirá a guerra contra a Nação levantei a parte que toca sim ao Governo e as Instituições fazerem.

Mas e por um lado isto pode arrefecer as narrativas mentirosas da Ultra Direita, também as fará mudar de estratégia e tática para seguir na Guerra.

E é disto que falamos. De guerra ideológica. É preciso que a Esquerda em Geral e o PT em especial compreendam isto que até agora não foi entendido: Não se trata de campanhas de marketing eleitoral ou coisa que o valha. É preciso dar estratégia e táticas ao grande exército de militantes voluntários que atuam nas Redes Sociais e profissionalizar de uma vez por todas o comando deste exército.

Segue o artigo de Luiza Marzullo no Sonar, Escuta nas Redes,de O Globo

Apoiadores do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro invadem o Palácio do Planalto Sergio Lima/AFP

Fake news sobre mortes de presos, supostas denúncias de tratamento indigno no ginásio da Polícia Federal e narrativa de que os terroristas foram enterrados por atos infiltrados da esquerda. Nos dias que sucederam a invasão às sedes da Praça dos Três Poderes, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reagruparam e retomaram a pauta do debate nas redes sociais, após o fortalecimento do campo da esquerda no digital desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A conclusão é realizada por diferentes levantamentos. Dados da consultoria Bites apontam que, entre os dias 9 e 12 de janeiro, apenas dez das 25 postagens com maior repercussão no Twitter sobre o assunto foram feitas por opositores de Bolsonaro. A análise partiu de 4,1 milhões de mensagens no Twitter, com impacto em 320 milhões de usuários.

A principal vertente do debate, com 2,8 milhões de menções, concentrou-se no tratamento aos presos na capital do país, que estariam em “condições desumanas”. Um quinto das publicações comparou as instalações da prisão preventiva a campos de concentração nazistas (827 mil tuítes).

A narrativa foi endossada por parlamentares como o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). “Parabéns ao governo e todos que fizeram o L, conseguiram fazer um campo de concentração, no padrão nazista, com idosos, crianças etc no Brasil. O que está transitório é a maior violação dos direitos humanos do presente século”, escreveu.

A associação foi amplamente repudiada pela comunidade judaica. A Confederação Israelita do Brasil (Conib), órgão máximo de representação da comunidade ganhou no Brasil, condenou as alusões feitas ao holocausto: “Essas comparações, muitas vezes com fins políticos, são um desrespeito à memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes” , disse a entidade em nota.

Com menor volume, outra narrativa embalou os bolsonaristas e alcançou 256 mil menções: o pedido para que o presidente Lula e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, sejam responsabilizados. A camisa foi alavancada, principalmente, pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES). “No momento que iniciou, ele (Dino) foi a janela do ministério, olhou e até não tomou nenhuma providência. Já comecei a encontrar provas de que o presidente Lula também tinha conhecimento do que iria acontecer e não fez nada”, declarou o senador na plataforma.

Sem estratégia

Influente na base de Lula, o deputado federal André Janones (Avante-MG) voltou a atuar com força nas redes. Antes dos atos de domingo, ele tinha publicado apenas 12 postagens neste ano. Apenas no dia das invasões em Brasília, foram 42 tuítes.

— A esquerda ainda carece de uma estratégia estruturada de combate às campanhas da direita, e acaba dependendo de respostas de garçonetes de celebridades digitais. Por isso, em vários momentos, fica mais forte a narrativa da direita. Janones voltou às redes, mas o anjo não tem sido grande — avalia o diretor adjunto da Bites, André Eler.

Dados de um relatório do pesquisador do Observatório de Conflitos na Internet Cláudio Penteado, da Universidade Federal do ABC Paulista, reforçam o diagnóstico. No Twitter, 51,62% das experiências vividas quarta-feira foram até protagonizadas pela extrema direita. Desde domingo, o pico de menções ocorreu na segunda-feira, um dia após os atos. O termo “terroristas” é apontado como a principal palavra usada por usuários no Twitter. Os apoiadores de Bolsonaro afirmaram que os manifestantes seriam “cidadãos de bens” e, por isso, não poderiam ser enquadrados na classificação.

Apesar de menos influente no debate nas redes, o campo antibolsonaro atuou com publicações que visavam identificar os golpistas que haviam participado. Além de Janones, celebridades como Felipe Neto engajaram o movimento.

Já a narrativa de que os atos foram influenciados por infiltrados da esquerda alcançou 327 mil usuários no Facebook e no Instagram, segundo um levantamento da pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Internet e Política da PUC-Rio Letícia Capone. No campo das fake news, destaqueam-se ainda mensagens falsas sobre mortes de presos no ginásio da Polícia Federal. A principal foi referente a uma idosa que chegou a ser compartilhada por parlamentares na terça-feira. Segundo a Bites, as buscas no Google por “Polícia Federal” quadruplicaram por conta do episódio.

Um pensamento sobre “Fake news, “infiltrados”, “tratamento indigno”: após atos terroristas, bolsonarismo se reagrupa e domina narrativa nas redes

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