Se a Operação Lava Jato se escondia sob o manto da “ética”, o Caso Master em 2026 revela a faceta mais madura e perigosa desse esquema: a institucionalização de uma polícia política.
O que era uma influência de bastidores de Sergio Moro sobre “seus” delegados na Polícia Federal agora ganha contornos de legalidade bizarra através de decisões judiciais que rasgam o organograma do Estado brasileiro.
O episódio protagonizado pelo Juiz Mendonça — magistrado de perfil declaradamente bolsonarista e alinhado ao lavajatismo — ao afastar delegados naturais e nomear substitutos “sob sua batuta”, não é apenas uma irregularidade processual. É a certidão de nascimento de uma Polícia Judiciária Privada.
A decisão de Mendonça de isentar os novos policiais de se reportarem ao Diretor-Geral da PF, determinando que respondam diretamente a ele, é o estágio supremo do Lawfare. Essa manobra aniquila a impessoalidade do Estado.
Ao criar um “bunker” investigativo, o magistrado repete o criminoso método da “república de Curitiba”, mas de forma ainda mais explícita:
Blindagem da Investigação: Ao isolar os agentes da cadeia de comando da PF, o juiz impede qualquer controle interno ou correição sobre métodos que, historicamente, incluem vazamentos e pressões ilegais.
A Escolha dos “Carrascos”: A substituição de investigadores por nomes de confiança do magistrado garante que o resultado do inquérito seja desenhado antes mesmo da coleta de provas. É a investigação de “alvo”, não de “fato”.
A finalidade dessa estrutura paralela no Caso Master é clara: fornecer munição para o senador Sergio Moro e o núcleo bolsonarista contra o Supremo Tribunal Federal. Ao “capturar” a investigação do Banco Master, o juiz Mendonça e seus delegados escolhidos a dedo tentam construir narrativas que liguem o fluxo financeiro do banco a ministros da Suprema Corte, com o descarado apoio da Globo e da Grande Mídia.
Não se busca a verdade sobre crimes financeiros; busca-se o constrangimento institucional. É o uso do aparato estatal para manter viva uma estrutura de poder que já não tem o voto popular, mas que detém as chaves de gavetas repletas de dossiês montados sob encomenda.
A “bizarria” do caso Master não está nos valores envolvidos, mas na audácia de um juiz de primeira instância em sequestrar um braço da Polícia Federal para fins ideológicos. Moro, da tribuna do Senado, atua como o ideólogo desse movimento, validando politicamente as “descobertas” que sua rede de influência produz nos porões dessa investigação isolada.
A conexão de Moro e sua turma com interesses americanos, ganha nova força. Uma polícia que não responde ao seu comando central é uma polícia mais vulnerável a cooperação internacional opaca, onde dados de inteligência nacional são trocados por apoio político externo.
O Caso Master prova que o lavajatismo não foi um erro de percurso, mas um método que se recusa a morrer. Quando um juiz declara que “sua” polícia não deve satisfações à instituição Polícia Federal, o Estado de Direito é substituído pelo Estado Policial.
O silêncio diante dessa estrutura paralela é o passaporte para que o Lawfare continue sendo a única política praticada por aqueles que, incapazes de vencer no debate de ideias, apelam para o distintivo e a toga como armas de guerra.
Descubra mais sobre Luíz Müller Blog
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
