
A ascensão de figuras como Augusto Cury na Campanha presidencial não ocorre por acaso, tampouco por um repentino desejo de moderação por parte da sociedade. Trata-se da construção de uma falsa narrativa alimentada pelos grandes meios de comunicação e por um empresariado retrógrado e subserviente ao capital internacional: a tese de uma suposta polarização.
Ao equiparar o projeto democrático a um suposto “radicalismo de esquerda”, a imprensa corporativa omite a verdadeira correlação de forças no Brasil. De um lado, opera uma extrema-direita abertamente golpista, disposta a aparelhar e destruir o Estado e as instituições para impor sua agenda autoritária. Do outro lado, atua um projeto progressista que, para preservar a própria democracia e manter a governabilidade, é forçado a fazer constantes concessões econômicas e políticas ao mercado.
É justamente nos estertores desse neoliberalismo em crise no mundo que a mídia tenta cavar uma alternativa de “centro”, lançando mão de personagens que vestem a roupagem da paciência e da autoajuda para aplicar a mesma cartilha de desmonte social.
O fetiche por Paulo Guedes e a barbárie fiscal
Por trás do discurso de “inteligência emocional” e “pacificação”, a verdadeira bússola econômica de Cury aponta para a ortodoxia mais tacanha. Em declaração pública, o candidato chegou a afirmar que o Brasil precisaria de uma “mente brilhante” como a do ex-ministro Paulo Guedes para “arrumar a casa”.
Recomendar a visão de Paulo Guedes significa chancelar um dos períodos mais violentos contra a classe trabalhadora brasileira:
O massacre da Previdência Social: Sob o fetiche da “meta fiscal de R$ 1 trilhão”, a Reforma da Previdência promovida pela gestão anterior esmagou o direito de aposentadoria dos mais pobres. Aumentou-se a idade mínima e o tempo de contribuição para impor a lógica de que o trabalhador deve produzir até morrer, enquanto se tentava privatizar a seguridade por meio da capitalização.
A insensibilidade com a vida humana: A obsessão contábil do modelo Guedes colocou o rendimento do capital especulativo acima da subsistência da população. A morte pregressa de milhares de idosos ou a miséria de aposentados foram tratadas como meras variáveis de ajuste orçamentário.
O papel da mídia e a única via para a soberania nacional
A tentativa de apresentar nomes como Augusto Cury como uma “terceira via pacificadora” cumpre o papel histórico das elites financeiras: criar um amortecedor eleitoral para manter intactos os privilégios do capital.
A “psicologização” das crises proposta por Cury transfere para o indivíduo a culpa pelo sofrimento social gerado pela própria falta de investimento público. Em vez de exigir postos de trabalho, saúde pública e universidades, sugere-se a “resiliência” para suportar a precarização.
O cenário real não deixa dúvidas: a elite econômica e a grande mídia toleram o avanço de agendas autoritárias e chancelam discursos privatistas porque recusam qualquer projeto nacional de desenvolvimento inclusivo. Para o Brasil preservar sua soberania, proteger sua infraestrutura e garantir o investimento social no futuro da população, não há alternativa fora da reconstrução democrática e da sustentação do projeto popular liderado por Lula. Qualquer aceno que flerte com a herança de Paulo Guedes é apenas o velho ultraliberalismo fantasiado de moderação.
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