
Tive a oportunidade de acompanhar de perto o anúncio oficial do programa RS Contra o Crime Organizado, promovido pela candidata ao governo Juliana Brizola (PDT) e seu vice, Edegar Pretto, em Porto Alegre.
O Rio Grande do Sul enfrenta uma realidade dura: hoje somos o terceiro estado do país em apreensão de fuzis e há 15 facções locais ativas — a maior concentração do Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
As antigas quadrilhas viraram corporações do crime que cobram pedágio, extorquem comerciantes e sequestram o futuro dos nossos jovens.
Diante de um problema estrutural, a resposta não pode ser espetáculo. Precisa ser ciência, integração e planejamento. É exatamente isso que o programa apresentado propõe.
Os 4 Pilares da Estratégia Estadual de Enfrentamento às Facções

Coordenado por Alberto Kopittke — diretor executivo do Instituto Cidade Segura e a mente por trás da estratégia de Niterói (RJ), que reduziu mortes violentas em quase 70% e roubos em mais de 80% desde 2018 —, o plano do RS se consolida em uma política de Estado dividida em quatro eixos fundamentais:
Atacar as finanças: Asfixiar o poder econômico do crime organizado com rastreamento de criptoativos, combate ostensivo à lavagem de dinheiro e confisco de bens.
Retomar os presídios: Acabar com a lógica de presídios funcionando como escritórios do crime, aliando contenção tecnológica à reintegração efetiva dos egressos.
Proteger territórios: Atuar nas comunidades dominadas pelo medo com inteligência policial e forte prevenção social voltada aos jovens mais vulneráveis.
Cortar o fluxo de fuzis: Fechar o cerco à entrada de armas de grosso calibre no estado, estancando a violência de alto impacto.
Ações Concretas e Inovadoras
Diferente do marketing vazio, o plano traz entregas técnicas com metas bem delineadas:
Centro Integrado de Inteligência de Combate ao Crime Organizado: Unificação inédita entre Brigada Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Receita Estadual e forças de segurança dos países vizinhos.
Muralha Digital dos Presídios: Bloqueio efetivo de sinal telefônico e implementação de escudos antidrones nas unidades prisionais estratégicas.
Banco Estadual de Organizações Criminosas: O Rio Grande do Sul será o pioneiro no país a aplicar esse instrumento da nova Lei Antifacção.
Rastreamento de 100% das Armas: Rastreabilidade obrigatória de todo armamento apreendido com a publicação de um relatório público anual sobre sua origem.
Prevenção e Proteção à Mulher
O plano contra o crime organizado junta-se a outra iniciativa essencial já apresentada pela coligação: o RS Mulher Segura. A proposta altera a lógica de atendimento, atuando antes que a violência culmine em feminicídio.
Trata-se de uma rede integrada entre Segurança Pública, Saúde e Assistência Social para garantir proteção e acompanhamento contínuo às mulheres em situação de vulnerabilidade.
O Rio Grande do Sul cansou de soluções mágicas e slogans de campanha.
O que vimos no evento de lançamento foi a apresentação de uma política baseada em evidências, com métricas, inteligência e responsabilidade social.
Chegou a hora de trocar a pirotecnia eleitoral por segurança pública de verdade.
Descubra mais sobre Luíz Müller Blog
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.