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TRANSITO: PORTO ALEGRE NA CONTRAMÃO 2

Outro dia  escreví aqui um artigo sobre um vereador da base do Governo Fortunatti que quer mais carros privados no Centro de Porto Alegre (https://luizmullerpt.wordpress.com/2011/02/08/transito-porto-alegre-na-contramao/). Alguns meses atrás, escreví outro artigo sobre a barbaridade de uma rua que a prefeitura fez, rasgando ao meio o Parque Marinha do Brasil, com aa justificativa de que seria a duplicação da Av. Beira Rio. No entanto esta rua, ao contrário do que se poderia imaginar, não é paralela à outra faixa da mesma avenida, mas perpendicular a mesma (https://luizmullerpt.wordpress.com/2010/10/12/prefeitura-de-porto-alegre-destroi-parque-marinha-do-brasil-para-abrir-rua-inutil/). Agora acontece este crime de trânsito, onde dezenas de ciclistas são atropelados por um automóvel na Cidade Baixa. A reação de perplexidade não foi só das pessoas que viram o covarde e intencional atropelamento. A perplexidade maior é pela forma como se expressaram autoridades do trânsito da cidade, policiais e a mídia tupiniquim. Par a mídia, até a manhã de sábado era só um acidente. Para as autoridades do trânsito, ciclistas não deveriam trafegar assim pelas ruas. Segundo a tal autoridade, “ciclistas só deveriam andar com batedores” pelas ruas da cidade. Ou seja, ciclistas só podem andar se for acompanhado de alguma autoridade. Um absurdo. Mas pior absurdo veio da polícia. Um delegado ou escrivão, não sei bem, deu uma declaração referindo-se aos ciclistas como se estes estivessem “atrapalhando o direito de ir e vir” de automóveis e pedestres. Duplo absurdo. E o poder público não faz ciclovias. e nem abre faixas específicas na ruas para que ciclistas possam trânsitar. É a cultura do automóvel. Quem tem carro pode tudo. Qurm tem bicicleta pode ser atropelado. O título deste artigo vai em busca do 1º artigo com o mesmo titulo. Na verdade não se trata apenas de uma ou outra pessoa fazendo pouco caso das bicicletas. É a sociedade que ainda não se deu conta da realidade no mundo. Na maioria das grandes capitais do mundo o mais difícil é transitar de carro pelas ruas dos bairros centrais. Em Londres há caros pedágios para se acessar o centro e não há locais de estacionamento. Em Florença é probido andar no centro histórico de carro. Em todos os cantos das grandes cidades há bicicletários para esteacionar as bicicletas. Aluga-se bicicletas em cada esquina. Mas em Porto Alegre querem promover mais ainda o automóvel. O resultado é stress, mas pode também ser tentativa de assassinato como esta deste motorista que jogou se automóvel sobre as bicicletas. Este incidente tem que ser o motivo definitivo para que Porto Alegre faça ciclovias. Se não tem dinheiro, que sinalize faixas nas ruas atuais. Havia uma ciclovia que ligava os parques da cidade. Não era grande coisa. Nas ruas estava sinalizada por “tartatarugas” e faixas pintadas. Pois esta gestão acabou com este pouco que tinhamos. E há quem pensa em bicicletas só para o lazer. Não. Estamos falando de ir ao trabalho de bicicleta. Muitos até iriam de bicicleta ao trabalho, pois é saudavel e poupa a passagem ou a gasolina. Mas ninguém vais se dispor a ir ao trabalho de bicicleta e ser assassinado por algum motorista louco. Mas mesmo ests “loucos” por automóvel, respeitam sinais, pistas exclusivas, etc… O poder público tem a obrigação de ajudar e não de atrapalhar. Foi graças a uma ação de muitos ciclistas e do pessoal do “Massa Crítica”, este mesmo que foi atropelado por este marginal agora, que a prefeitura instalou bicicletários no Mercado Público.  Deixo minha bicicleta lá quando vou ao Mercado. Mas aquilo deveria ter sido o sinal verde para a implementação de outras políticas incentivadoras do uso da bicicleta. Não foi. E logo depois veio o vereador e propõe estacionamentos “subterrâneos” na região central. Porto Alegre continuou na contramão até ontem a noite, quando dezenas de ciclistas foram atropelados de uma vez só. Quando uma capital como Porto Alegre anda na Contramão, é por que esta com problema de direção. Se ainda não entendeu Prefeito, entenda: muda o rumo e sai da contramão ou também pode ser atropelado, por que na contramão qualquer um pode ser atropelado. Já os ciclistas, estes estavam e estão na mão certa. Estou com eles. E vou pedalando também.

6 pensamentos sobre “TRANSITO: PORTO ALEGRE NA CONTRAMÃO 2

  1. O processo civilizatório da humanidade ainda não se cristalizou em uma significativa quantidade de indivíduos, que vivem como se estivessem na idade média. A começar pelas “autoridades” citadas no texto.

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  2. Caro Muller, espero que este terrível acontecimento sirva para (além de penalizar devidamente esse aloprado criminoso) despertar também na cidadania a necessidade da humanização do trânsito de Porto Alegre e do Rio Grande, impondo às ‘autoridades’ que implementem ciclovias e retirem os ‘motores’ – pelo menos – das áreas centrais das cidades.
    Grande abraço!

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  3. Atropelar do jeito que fez é errado. Atropelar do jeito que fez pode ter sido legítima defesa? Pode ter sido justiça arbitrária pelos próprios meios? Mas, bicicletas querendo impor uso de bicicletas, também pode ser: desrespeito ao direito dos outros, desde que não existam ainda leis permitindo tal ideia. Seria também exercício arbitrário do direito e exposição premeditada ao risco? E, se provada agressão e ameaça ao motorista? Será justificada a legítima defesa? Andar de bicicleta do jeito que andavam é errado também. E, aí? A Justiça decidirá!

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    • Caro Ricardo

      Não há na legislação nenhuma proibição de bicicletas circularem em via pública. Que bom. Só faltava alguém querer proibir o que nos outros países esta sendo cada vez mais utilizado, justamente por causa dos congestionamentos causados pelos automóveis particulares. O pessoal do massa crítica não esta “impondo o uso da bicicleta”. Eles apenas incentivam o uso através de passeios coletivos, o que também não é proibido pela lei. Este cara que saiu atropelando é só a exasperação do que a sociedade do consumo gera. Tem várias propagandas, de várias diferentes marcas de carros e até de uma empresa de combustível, vendendo a idéia as vezes as claras, as vezes subliminarmente, de que “brasileiro é louco por carro”. E nunca se venderam tantos carros no país. Ora, o brasileiro é louco por carro, logo faz loucuras por ele ou com ele, principalmente contra bicicletas, que são bem menores que ele. A justiça vai decidir mesmo o que? Se foi agressão ou não? Se foi crime doloso ou sei lá o que? Mas o problema não está aí. Esta no fato de que continuamos querendo mais e mais espaços para o automóvel em detrimento da saúde das pessoas. Saúde esta que vem sim do andar de bicicleta, mas saúde que se preserva também se houver menos poluição e menos stress gerado pelo trânsito perturbador e atravancado por carros que levam cada um apenas um indivíduo que poderia estar num ônibus, numa lotação, num táxi ou até numa bicicleta. A questão não é portanto solucionável pela justiça, mas pela compreensão da sociedade, de que como está não dá pra continuar.

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  4. Prezado Luiz,

    O fato, de repercussão nacional, é importante para encontrarem-se várias soluções para vários problemas, desde o ecológico até o consumismo.
    Mas, é preciso centrar as coisas.
    Concordo com você em alguns pontos e discordo em outros. Concordo quanto ao consumismo exagerado do automóvel, de interesse comercial das montadoras, que além do que você citou, ainda vendem a idéia do “carro novo” para manterem as vendas, gerando danos ambientais, etc…
    Discordo quanto a questão da lei. A lei a que me referi em meu comentário seria a que todos buscam, não somente no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil. Uma lei de proteja o ciclista, permita que circule de bicicleta sem correr grandes riscos, competindo com outros veículos. E esta lei não se obtem com passeatas inconsequentes quanto a exposição ao risco e quanto a negligência em relação ao direito de outrem. Isto talvel tenha sido o que queria dizer a autoridade que alertou para a falta de “batedores” na manifestação do grupo. A obtenção da lei não pode ser imposta pela circulação de ciclistas, feita de qualquer jeito, expondo-se a competição com veículos maiores.
    A meu ver, a maioria das pessoas está tendo uma visão unilateral do fato, esquecendo-se que havia o direito do agressor, porém que não permitia a ele agir do jeito que agiu. Ontem, uma emissora nacional divulgou entrevista com outro motorista que testemunhou agressões e ameaças a ele e ao agressor. Estes fatores pesam em enventual e possivel condenação também dos ciclistas envolvidos.
    Quanto à Justiça, que você questiona o que deverá decidir, ela, como meio social que temos de teor civilizatório, deverá pesar os dados e provas num processo e equilibrar as punições.
    Mas, a discussão deve continuar, buscando todos os fatores envolvidos dentro da Sociedade para uma solução final e satisfatória.
    Saudações Luiz, continue seu blog.

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  5. Pingback: Ciclista morre ao ser atropelado por caminhão na Capital « Luizmuller's Blog

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