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Sobre bicicletas e de redes sociais – O ato contra a violência no trânsito em Porto Alegre

A grande mídia diz que havia 2 mil pessoas no ato de ontem. Já participei de outras caminhadas e atos com o mesmo tamanho e a própria grande mídia sempre disse que eram mais. No mínimo 5 mil. Mas não importa. Foram milhares. A mídia, a Prefeitura e a polícia, desde a sexta-feira, dia do acidente, se desdobram em explicar que o atropelamento foi um acidente mas que os culpados no fim e ao cabo, foram os ciclistas que teriam que ter pedido “autorização” para circular. Apesar desta insistência de autoridades e da mídia em não dar, ou dar pouca importância, aos fatos mostrados nas imagens, milhares foram ao ato de desagravo. Como mídia de divulgação do ato, o unico espaço foram as redes sociais. A grande maioria das pessoas presentes alí, era evidente, não se conhecia presenciamente antes do ato.  Foram por que as redes sociais e blogs chamaram o ato. Não é a revolução em marcha, até por que não estamos sob uma ditadura. Mas o evento exige que as autoridades revejam seus conceitos. Foi-se o tempo da versão única. Foi-se também  o tempo onde só havia duas versões. Agora muitas versões, de angulos diferentes, e com imagens gravadas e tudo. E a caminhada de ontem demosstrou claramente que o atropelador tem que ser punido, pois sua atitude poderia provocar a morte de muitos. Mas o ato também demonstrou que parcela mais conciente da sociedade quer novos arranjos na mobilidade urbana. E o novo arranjo é o arranjo que já foi feito em muitas grandes cidades de países desenvolvidos. É preciso abrir espaço para as bicicletas, qualificar o transporte coletivo e reduzir o número de automóveis nos grandes centros urbanos. Mas o gestor municipal há que ter a coragem dos revolucionários para tomar medidas duradouras. Medidas paliativas, estas haverão, por que nenhum ato como o de ontem deixará impune a falta de ação do poder público. Mas as medidas duradouras mesmo, estas são tomadas por gestores corajosos. Sobre o ato a mídia esta falando. O meu artigo eu complemento com parte de um artigo publicado no Blog Panóptico há dois anos, mas que continua atual.

IMAGENS DE CIDADES SUBDESENVOLVIDAS

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Fotos: kbrookes. Alguns direitos reservados

Para nós que vivemos num país desenvolvido de distribuição de renda justa, às vezes, é difícil imaginar como as pessoas que moram nas cidades pobres desse mundo se deslocam.

Será que os cadeirantes deslocam-se de forma autônoma para trabalho, o estudo, o lazer?

Será que quem adquire um carro, adquire também a licença de dono da rua e sai buzinando e acelerando em cima de todos os demais que não estão dentro de um automóvel?

Será que os pais agarram as mãos das crianças com força para elas não “fugirem” para a rua?

Sim, para nós é difícil imaginar que ainda hoje existam sistemas de transporte que não sejam baseados no automóvel. Mas, com tanta pobreza, na Suíça seus cidadãos são obrigados a andar em bondes e bicicletas!

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As imagens não mentem. O estado caótico das cidades suíças, a tristeza e o estresse de seus moradores são evidentes.

 


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7 pensamentos sobre “Sobre bicicletas e de redes sociais – O ato contra a violência no trânsito em Porto Alegre

    • Marcelo

      Quando vocês sairam lá da reunião com esta preposta do Busato (a serviço do Fortunatti) eu dei umas boas risadas. Cinco mil pessoas na frente da prefeitura e o car não tem nada a dizer sobre ciclovia, ciclofaixa, nada. Só propõe umas “oficinas”. Aí tem mesmo que achar que neste caso não é oficina de debates, ams de conserto de bicicletas. Os caras acabaram com o único arremedo de ciclovia/ciclofaixa que havia, que era o Caminho dos Parques e prometeram fazer “quilometros e quilometros de ciclovias em Porto Alegre”. Prometeram na campanha de 2004 e repetiram a promessa em 2008. Se elegeram. Não fizeram, e agora ainda vem propor “oficinas”. Esta pode ser chamada a gestão “Tiririca”. Só faz piada.

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  1. Pingback: Ciclista morre ao ser atropelado por caminhão na Capital « Luizmuller's Blog

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