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A Globo, a informalidade no trabalho e o Bolsa Família

No JN desta sexta-feira, a Globo retoma os ataques ao Bolsa Família. Segundo o noticioso, o Bolsa Família estaria incentivando a “informalidade” no trabalho.  O que há por trás deste discurso, é novamente a visão de que o Bolsa Família deveria ser passageiro e que ele deeria ter “portas de saída”. E a tal “porta de saída” seria o trabalho, e pelo discurso da globo, trabalho formal. No entanto, há várias condicionalidades (contrapartidas) para quem recebe o Bolsa Família. E o principal deles é o fato das famílias manterem os filhos em idade escolar na escola. Há outras contrapartidas da família: filhos vacinados, acompanhamento da gestante, etc… Com o Bolsa Família a sociedade está garantindo o futuro, muito mais que o presente. Ou o outro discurso da globo não é o que diz que sem educação não há desenvolvimento? Sim. E é este o primeiro objetivo do Bolsa. Garantir as condições mínimas de sobrevivência para famílias que tem renda per capita de até R$ 140,00 mensais. E a média do Bolsa família no Brasil é de R$ 121,00 por família. Não se víve com este dinheiro. É claro que as pessoas que o recebem fazem algum “bico”. Elas trabalham portanto. Então o discurso de que as pessoas que recebem bolsa família não trabalham ou não querem trabalhar não procede. Mas o preconceito contra os que recebem o Bolsa, ou seja os pobres, continua. Segundo o JN, o Bolsa estaria fazendo com que as pessoas não queiram trabalho “formal”. No entanto, ao afirmar isto, reconhece que estas pessoas trabalham na “informalidade”. Mas por que mesmo alguém quereria trabalhar na informalidade, muitas vezes sujeito a trabalho precário, se há “oportunidades” de trabalho no mercado “formal”?  Quem recebe o Bolsa Família, o recebe por que em contrapartida mantém filhos na escola. Com a educação que esta criança e/ou jovem vai ter, pressupõe-se que vá trabalhar num emprego formal que exige determinada escolaridade. Mas aí, ao verificar os salários pagos a quem tem um razoável patamar de escolaridade, as vezes não passa muito do salário mínimo, poderíamos perguntar por que mesmo alguém desejaria se submeter a um trabalho destes, mal pago, e que ainda por cima exige uma das jornadas de trabalho mais longas do mundo, com horas fixas e consecutivas, e em alguns casos exigindo trabalho até em sábados e domíngos?  E isto quando falamos de alguém que tem a tal escolaridade requerida, por que se não a tiver, é recusado no emprego, como se escolaridade tivesse necessariamente a ver com qualificação profissional, o que no entanto não é verdade  em muitas funções. Então, num momento onde milhares de postos de trabalho estão em aberto, e há a possibilidade da capacitação profissional através do PRONATEC, que aliás esta ocorrendo, seria bom olhar um pouco mais para a cultura instituída no país, de que trabalhador tem que ganhar pouco e que há profissões que seriam menos “dignas”, a ponto de nem serem consideradas trabalho. Ora, se trabalho não são, a tendência é de que sejam executadas na “informalidade”. Aliás, nunca houví falar que para as isenções tributárias que a Globo ou qualquer empresa recebe, e que são bem superiores aos R$ 140,00 do Bolsa Família, houvesse a exigência de manter filhos na escola, etc… Também nunca ouví falar que determinados incentivos dados as empresas tivessem uma “porta de saída”. A isenção tributária é para que a empresa cresça mais, vendendo mais, e assim gerando mais empregos. O Bolsa Família, para além das condicionalidades, que aliás o capital nunca tem, também ajuda a empresa a crescer e gerar empregos. Na verdade a mãe entrevistada na mesma matéria do JN já dá os sinais disto. Ela falou que compra materal escolar e roupa para os filhos com o dinheiro do Bolsa. Ela antes não comprava, até por que muitos dos filhos estavam fora da escola. Se compra material escolar, caderno, mochila, lápis, etc…, alguém tem que produzir. Quem produz é o trabalhador. Então, empregos formais são gerados sim por conta do Bolsa Família, pois este era um dinheiro que antes não estava na mão destas pessoas, que portanto não comravam estes produtos. O direito a uma vida digna e o direito ao trabalho estão cravados na constituição brasileira. Não dá para indicar a porta de saída de um direito para uma pessoa, para que ela acesse o outro direito. A cidadania tem que ter direitos plenos. E os direitos inscritos na constituição são para TODOS, independente de cor, crença, ideologia, genero, idade… Não pode haver “portas de saída”.  O que tem que haver é a “porta de entrada” para a plena cidadania. E a Plena Cidadania pressupõe também que quem está dentro tem que ter cada vez melhores condições sociais e econômicas. Por isto, ao mesmo tempo em que estamos gerando empregos, é preciso identific ar se de fato tais empregos são dignos, decentes e pagam salários compatíveis com a função. E não vale falar que o mercado é que regula, pois se o mercado regulasse, com certeza mais pessoas assumiriam os milhares de postos que estão em aberto no mercado formal de trabalho.

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6 pensamentos sobre “A Globo, a informalidade no trabalho e o Bolsa Família

  1. Num discurso caloroso com uma pessoa descobri que ela , criticando o Bolsa família era filha de militar e não casou para usufruir também de uma bolsa(??)que o exército repassa a ela como filha. Durante muitos anos teve um companheiro, tem filhos e agora ele faleceu e quer ser pensionista. Com certeza os valores devem ser significativos, visto o pai ter estrelas. A globo nunca falou nisso, que essas filhas não estudam pois não precisam, não trabalham e ainda tem tempo para fazer a acusação do resgate social que é o Bolsa família enquanto vivem as custas de …pensão?! Bolsa-auxilio, direito adquirido. Como chamar isso?

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    • Suzana

      Para além da hipocrisia desta mulher, ela também carrega consigo o preconceito das Classe médias e alta contra os pobres, negros e mulheres. O Bolsa família é um instrumento de manutenção do capitalismo, já que garante recursos econômicos para famílias comprarem coisas. Se compram coisas impulsionam o mercado, se compram coisas, estas coisas tem que ser produzidas por alguem, ou seja, o Bolsa Família é um indutor da economia local, em especial nas pequenas e médias cidades, mas tambéem nos bairros das grandes cidades. Enfim, serve para desenvolver a economia. Já a “bolsa milico” desta mulher, que corresponde a milhares de bolsa família por mês, foi criado durante a ditadura militar para premiar a milicada, e o pior, transformou em hereditário o prêmio. E nesta caso não gera nem desenvolvimento econômico e nem empregos, por que esta mulher com certeza, por preconceito, prefere produtos estrangeiros e gosta de viajar para outros países, levando para lá as divisas e os empregos que os beneficiários do Bolsa e os pobres geram por aqui.

      Abç

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  2. Pingback: O Bolsa Família e seus inimigos « Luizmuller's Blog

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