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A bizarrice intelectual dos discursos anticomunistas

comunismo_caveiraPor Juremir Machado no Correio do Povo

As redes sociais fazem parte da tecnologia de ponta. Mas, como a clonagem na ironia do grande pensador francês Jean Baudrillard, que usa o máximo da ciência para produzir a reprodução das amebas, elas têm servido para os embates ideológicos deslocados no tempo: comunistas versus capitalistas. Anticomunistas atacam seus supostos adversários como se estivéssemos nos anos 1950 ou 1960 à beira de revoluções marxistas. É a chamada retórica macarthista dos comandos de caça aos comunistas e das famílias com Deus pela liberdade. Uma conversa para fazer elefante dormir de tédio.

– Chico Buarque mora no Leblon e tem apartamento em Paris. Isso é que é comunista!

– Que absurdo!

– Por que esse hipócrita não doa tudo e vai morar em Cuba?

– Porque Chico ganhou seu dinheiro trabalhando, vive no capitalismo e não acredita que uma atitude individual, isolada, seja uma solução – responde o observador saturado de ouvir tamanha conversa fiada todos os dias.

Os argumentos dos anticomunistas tradicionais são de uma “sofisticação” intelectual sem tamanho. Coisa de cérebros privilegiados. A lógica não alcança esse discernimento tão particular. Pensamento raro. Rarefeito. Pressupõe-se que os tais “comunistas” queiram a pobreza de todos. Espera-se que coletivistas apostem em soluções individualistas.

Uma faceta desse sopa de ervilhas ideológica é obcecada por uma questão estranha:

– Por que Lula, quando adoece, não vai no SUS?

– Porque pode ir onde quiser.

– Então não acha o SUS bom? Ou só é bom para pobre?

E se for um progresso, mas obviamente não o ideal, enquanto se espera que um dia, no sistema capitalista mesmo, todos tenham direito ao mesmo tratamento? E se a melhoria do capitalismo passar por essa dupla articulação antagônica e complementar: iniciativas individuais e políticas públicas de ampliação dos interesses de todos. Os países escandinavos têm dado exemplos marcantes das possibilidades de êxito dessa estratégia. Os lacerdinhas recorrem a uma lógica bizarra:

– É tudo ou nada.

– Questão de coerência.

– Se o cara quer melhorar a vida dos pobres à custa dos ricos, que viva como pobre e doe seu patrimônio individual.

Faz parte de uma ideologia esperta: parem de querer cobrar impostos, desconcentrar renda, distribuir riqueza, criar uma sociedade mais equilibrada e diminuir desigualdades. Cada um que se vire. Como se vê, uma filosofia social altamente sofisticada e justa. Os problemas nunca são estruturais, sociais, históricos, mas sempre individuais, de “caráter” e de “índole”. Salvo quando o governo não dá incentivos para as “forças produtivas da nação” ou não cobre os prejuízos provocados por excesso de chuva ou secas. A preguiça sempre explica a falta de êxito nessa visão de mundo única.

A sociologia não existe. Só a psicologia. Aos mais aquinhoados devem ser reservadas todas as oportunidades de estudo e de formação. Aos demais, as escolas técnicas. A educação deve ser o mais eficaz sistema de hierarquia social. O lacerdinha cobra infraestrutura perfeita. E gasolina com imposto zero. Só isso. A demagogia é o seu pão de cada dia.

Critica-se a impunidade até se praticar uma infração de trânsito, sofrer uma multa justa e desandar a discursar:

– É a indústria da multa. Tinha era que educar.

O anticomunismo tem cheiro de naftalina. Vive a perseguir fantasmas. Coisa de cachorro louco.

Ou de psicopatas.

Salvo se for apenas indigência intelectual.

No popular, burrice.

2 pensamentos sobre “A bizarrice intelectual dos discursos anticomunistas

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