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A psicologia do anticomunista pós-tudo

cotasPor Juremir Machado no Correio do Povo
O mundo hipermoderno é complexo.

Cada um precisa encontrar um lugar ao sol, mas não há sol para todos.

O sol foi privatizado.

Disso decorre uma corrida em direção à luz.

Essa corrida tem consequências. O melhor e o pior de cada um disputam espaço.

Ninguém está a salvo.

A salvo de quê?

De algo tão anacrônico quanto o suspensório: o anticomunista.

Há mais anticomunistas, no momento, do que comunistas ao longo dos séculos.

O verdadeiro comunista é tão raro e de gosto tão duvidoso quanto o caviar.

Tem maluco anticomunista ferrenho sobrevoando o céu nebuloso das ideologias.

Tem o anticomunista saído do ventre da baleia como último avatar do fake chacal.

Tem o aposentado à espreita para uma estocada contra um político qualquer:

– Ele não é decente. Foi visto nas ilhas gregas com os anões do orçamento.

– Mesmo?

– Comprou um apartamento de 700 mil.

– O senhor tem alguma prova contra ele?

– Prova? Se a imprensa falou.

Tem o anticomunista farroupilha determinado a salvar honra dos nossos heróis.

– Não esqueça o contexto histórico da época.

– Se não fosse da época, seria de quê?

– Não se pode detonar os farrapos.

– Ah, era isso!

Tem a senhora no facebook que luta contra os comunas festivos enrustidos.

Que obsessão! É comunista para todo lado. Tem gente vendo comunista embaixo da cama. E gente querendo ver comunista em cima da cama. E gente querendo cama. E gente perdendo o sono por causa dos comunistas. Ainda! E gente que não se toca.

Um espectro ronda o mundo virtual: o mala.

A máxima da internet é; malas do mundo inteiro, uni-vos!

Nem precisa mandar.

Uma Feira do Livro, por exemplo, é um espaço cheio de anticomunistas implacáveis.

De repente, de trás de uma árvore, surge um, dando passinhos que parecem pulinhos, de jaqueta Tevah, aquela reversível para um aproveitamento capitalista melhor, apesar do calor (anticomunistas sentem freio e temem um resfriado), e ataca:

– Vocês estão dividindo o Brasil.

Tem a senhora anticomunista, com laquê no cabelo, que odeia comunistas e grita:

– Eu odeio vermelhos!

– A senhora vai ao Gre-Nal?

– Me respeite, me respeite, seu comunistinha.

A separação entre comunistas e anticomunistas não se dá mais pela estatização ou não dos meios de produção.

É mais simples: defende os nordestinos? Comunista.

2 pensamentos sobre “A psicologia do anticomunista pós-tudo

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