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Gilmar Mendes é uma das peças para golpear a democracia e a soberania do Brasil

Gilmar Mendes, as contas de Dilma e a estratégia do inimigo ferido.

Em uma batalha, um soldado inimigo ferido é estrategicamente mais interessante que morto. Estará fora de combate como se estivera morto e imporá ao inimigo o esforço de socorrê-lo.

Os movimentos que vemos da parte dos derrotados nas urnas de outubro de 2014 – Aécio e seu grupo, bem como, nas ruas e galerias do Congresso onde um pequeno número de desordeiros e saudosos da ditadura tenta sem sucesso criar um clima de instabilidade têm claramente a intenção de insurgir contra o resultado das eleições presidenciais. O PSDB nacional irresponsavelmente chegou a colocar a lisura das urnas eletrônicas em dúvida e questionou as contas da campanha de Dilma. Em ambos os casos sofreu derrotas humilhantes no TSE e MPE. Nas ruas, otários, este fim de semana, ficaram esperando por Godot.

Por si só, seriam cenas patéticas de inconformismo e não mais do que isso.

Ocorre que a essas cenas somam-se pelo menos dois movimentos em progresso continuado desde o fim das eleições. A grande mídia tentando vincular a campanha de Dilma aos escândalos da Petrobras e a manobra Dias Toffoli – Gilmar Mendes atribuindo a esse último, notório desafeto do PT, a análise das contas das campanhas de Dilma e do próprio PT, mesmo contrariando regimento interno do TSE e parecer do PGE – procurador geral eleitoral.

Somadas tantas frentes têm todos os ingredientes para assemelhar-se a tentativa de um golpe institucional que leve ao impedimento da presidente reeleita.

Nem vamos considerar as enormes dificuldades que uma aventura dessas tem na prática em um país com a dimensão e a complexidade institucional, social, econômica e internacional que o Brasil tem hoje em dia. Não é coisa para o querer de apenas um homem. Mas, deixemos correr o imaginário.

E ainda assim, a lógica não fecha com a ideia.

O impeachment de Dilma só interessa a Aécio Neves, que está tentando um terceiro turno e a FHC que nutre dor de corno em relação a Lula e busca uma vingança pessoal na base do “pode ser qualquer um, desde que não sejam eles”. Não vejo um país se convulsionando para lhes dar apoio.

Tirantes esses e os seus motivos, o impeachment de Dilma não interessa a nenhum outro agente político. Não interessa principalmente a José Serra e a Alckmin e, tampouco, aos seus grupos de apoio – poderosos na plutocracia paulista.

Dilma presidente coloca o horizonte de suas candidaturas em 2018. Qualquer outra situação transfere esse horizonte para 2022.

Se o STE decidir pelo impedimento de Dilma e empossar Temer, perdem todos.

Se o STE anular a eleição para presidente e convocar novas eleições, dará Lula – lá.

Se o STE impedir a chapa PT-PMDB e empossar Aécio, perdem Alckmin e Serra.

Conhecendo o histórico de atuação de Gilmar Mendes e da grande imprensa, seria impensável que Serra e Alckmin fossem prejudicados.

Como conciliar, então, os movimentos claramente golpistas e a lógica eleitoral de Alckmin e Serra?

Uma resposta me apareceu lendo o artigo de Paulo Moreira Leite de 08/12/2014 sobre a eminente reprovação por Gilmar das contas de Dilma. Em um determinado ponto de suas considerações, PML pontua:

“Do ponto de vista jurídico, a rejeição das contas de um candidato não impede que seja empossado. Isso acontece no final de todas as campanhas, com deputados, senadores, prefeitos e mesmo governadores de Estado. O TSE pode levar meses e até anos para tomar uma decisão definitiva sobre seu mandato. Mas se uma eventual rejeição de contas de uma presidente da República pode ter o mesmo caminho jurídico, seu valor político é outro. Tem impacto sobre o conjunto da população, sobre as alianças políticas do governo, pode afetar os rumos da economia e mesmo acordos internacionais”.

Lembrei-me da lógica das batalhas, onde o inimigo ferido é mais interessante do que morto.

“O TSE pode levar meses e até anos para tomar uma decisão definitiva sobre seu mandato”.

Dilma estaria no governo com a espada de Dâmocles sobre a cabeça ao longo de seu governo. Seria como uma presidência provisória. A presidente como uma marionete com os cordames presos aos dedos dos ministros do TSE.

Que futuro candidato do PSDB à presidência em 2018 poderia pensar em estratégia melhor?

Um pensamento sobre “Gilmar Mendes é uma das peças para golpear a democracia e a soberania do Brasil

  1. Pingback: Nassif tinha razão.Havia um golpe em andamento | Luizmuller's Blog

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