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A derrota do PT nas mãos da direita vai beneficiar a esquerda pequeno-burguesa?

Parte da esquerda, capitaneada pelo Psol e pelo PSTU, aposta na queda do governo em nome de uma “alternativa dos trabalhadores”. Mas quem vai assumir se Dilma for derrubada?

Aécio Neves no ato pelo impeachment de Dilma em 16/8, em Belo Horizonte

A CSP/Conlutas, organização sindical dirigida pelo PSTU, juntamente com outros partidos como o PCB, o Psol e o PPL, além de organizações como a CGTB convocam para o próximo dia 18 de setembro uma manifestação nacional pelo “Fora Dilma”.

Enfeitando sua palavra de ordem, que nada mais é que a repetição das manifestações da direita “coxinha”, anticomunista, dos dias 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto, com os dizeres “nem Aécio, nem Cunha, nem Temer”, essa curiosa frente da esquerda pequeno-burguesa é apoiada também por uma parcela ainda menor e menos conhecida de grupos de esquerda que orbitam a Conlutas e o PSTU, como o MRT/LER-QI, a LBI, o POR, o MNN e outros tantos grupelhos argupados no Psol.

 

Quem vai derrotar o PT?

Apesar de estarem convocando sua própria manifestação e levando às ruas a palavra de ordem da direita, de “Fora Dilma”, à sua própria maneira, essa curiosa frente de esquerda aderiu a uma campanha em curso, colocada em marcha pela direita, na qual o papel da esquerda que aderiu ao “Fora Dilma” é apenas secundário, marginal.

Na operação colocada em movimento no Congresso Nacional, no STF, por meio das denúncias de corrupção e do julgamento de exceção da “República do Paraná”, a esquerda ao estilo “Conlutas” não cumpre nenhum papel a não ser o de espectadores ansiosos. Quem está efetivamente trabalhando para derrubar o governo é a direita.

Quem vai se beneficiar com a derrota do PT?

Os trabalhadores, a população pobre e oprimida e a esquerda nada têm a ganhar com a derrubada do governo pela direita.

A construção de uma “alternativa dos trabalhadores”, como diz a frente de esquerda que adotou o “Fora Dilma”, só pode se expressar de forma concreta, isto é, real e não como demagogia, na construção de um governo dos trabalhadores da cidade e do campo que, por sua vez, precisa de uma direção revolucionária, socialista, a direção de um partido operário.

Se a direita derrubar o governo do PT agora, antes que essa “alternativa” tenha se organizado, haverá melhores condições de construí-la sob um governo da direita? Ou a “frente de esquerda pelo Fora Dilma” realmente acredita que a derrubada de Dilma pela direita vai acelerar essa construção?

Os próximos na fila

A esquerda pequeno-burguesa centrista parece viver sob a ilusão de que seu desenvolvimento se dá em ascensão constante e de maneira ininterrupta.

Assim, por exemplo, transmitem ao público a ilusão de que o próximo passo na evolução da situação política seria o deslocamento da população “à esquerda”, do apoio ao PT para o apoio ao Psol e/ou ao PSTU.

Essa esquerda ignora o papel que a direita cumpre na atual etapa da situação política, assim como ignora que, embora haja uma montanha de acusações, estatísticas e denúncias contra o PT, o setor fundamental da população, e que é a base de sustentação do PT, o seu eleitorado majoritariamente operário, pobre, trabalhador, nas regiões industrializadas e no interior do país, não se pronunciou de modo decisivo diante da crise. Não aderiram às manifestações da direita, que permaneceram, da primeira à última, como manifestações da burguesia e das classes médias das grandes capitais, dos que nunca foram eleitores do PT.

Eternos candidatos, os representantes dessa “esquerda Fora Dilma” esperam um desenvolvimento “parlamentar”, isto é, eleitoral, institucional, da crise. Confiando cegamente no funcionamento pseudo-democrático do regime político burguês, Psol, PSTU e aliados se sentem seguros e acham que terão seu espaço preservado no futuro do País depois da queda de Dilma pelas mãos da direita, de Aécio, Cunha, Temer e todos os outros que estão trabalhando ativamente para derrubá-la. Nós, não.

É preciso denunciar o golpe. É preciso impedir a ameaça direita golpista

A ameaça golpista da direita é concreta: a derrubada de Dilma Rousseff abrirá o caminho para a formação de um governo totalmente controlado pela direita, por PMDB, PSDB e DEM que encontram, hoje, no governo do PT, um obstáculo ao desenvolvimento de uma política mais dura de ajustes e ataque às condições de vida das massas diante da crise capitalista.

A ameaça golpista representa um enorme retrocesso ao país e à luta dos trabalhadores de conjunto.

Justamente por esse motivo, o Partido da Causa Operária vem denunciando sistematicamente a operação da direita golpista e chamando a população trabalhadora, seus sindicatos e organizações de luta, a se mobilizar contra o impeachment, contra o golpe, para enfrentar a direita nas ruas, usando os meios que forem preciso.

2 pensamentos sobre “A derrota do PT nas mãos da direita vai beneficiar a esquerda pequeno-burguesa?

  1. Pingback: A derrota do PT nas mãos da direita vai beneficiar a esquerda pequeno-burguesa? | Luizmuller’s Blog | Q RIDÃO…

  2. Grande engano, se achando que vai ter espaço politico com a ascensão dos fascistas! Conhecemos uma história ocorrida na Alemanha, onde o Stalin recusou uma frente de partidos de esquerda e progressistas contra a ascensão nazista de Hitler, conclusão o nazismo com o poder ceifou primeiros os comunistas stalinistas e demais forças progressistas em toda a Alemanha. Essa ultra extrema esquerda pequeno burgues acredita em papai Noel ?

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