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Investigação detalha influência e papel de Cunha na propina do FI-FGTS

Do Jornal GGN

Deputado tinha homens de sua confiança em 75% do conselho que aprovava recursos e supostamente era o destinatário de 80% dos desvios do esquema
Jornal GGN – Após a deflagração da Operação Sépsis, desdobramento da Lava Jato a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se mais difícil salvar o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da condenação. Conforme o GGN divulgou nesta sexta (01), a Operação que investiga o esquema montado no FGTS para desvio de recursos tinha como principal mira o peemedebista.
Com os documentos liberados à imprensa, soube-se que 80% da propina paga por empresas para se beneficiar do Fundo de Investimentos do FGTS era destinada a Cunha, de acordo com delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto, aliado do deputado, que disse ter atuado para a liberação dos recursos.
Entre os alvos da Operação de ontem, a sede da empresa JBS, dona da Friboi, e a casa do dono do grupo, Joesley Batista, em São Paulo, foram alvos de busca e apreensão. Também nesta sexta foi preso preventivamente o corretor Lúcio Bolonha Funaro, aliado e amigo de Cunha e apontado como um dos interlocutores do esquema. Ele é suspeito de achacar grandes empresas, com a parceria do peemedebista.
Com as investigações, soube-se também que o poder de influência de Cunha no esquema era inegável: até a demissão de Cleto da Caixa, pela presidente Dilma Rousseff, no final do ano passado, 9 dos 12 integrantes do Comitê de Investimento (que incluía metade do conselho curador do FGTS) eram ligados a Eduardo Cunha.
Ao pedir a deflagração da Operação ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, detalhou o esquema de divisão de propinas pagas pelas empresas, segundo as informações prestadas por Fábio Cleto.
O deputado Eduardo Cunha cobrava comissões sobre o valor dos investimentos feitos pelo fundo, com montantes que variavam em torno de 1%. Da propina supostamente paga, 80% era destinada ao peemedebista, 12% a Funaro, 4% a Cleto e 4% a Alexandre Margotto, que trabalhava para Funaro. O acordo previa que o ex-executivo Fábio Cleto garantisse qualquer solicitação feita por Cunha no FI-FGTS.
Criado em 2007 com o objetivo de investir em projetos de infraestrutura pela Caixa, o FI-FGTS adotava uma regra para evitar o tráfico de influência ou a prática de corrupção. A exigência feita pela Caixa é que fossem definidas as pessoas que atuassem no processo, não acatando outros interessados diferentes dos escolhidos.
Entretanto, a prática teria ocorrido na etapa seguinte à aprovação dos recursos, no chamado Comitê de Investimento, que tinha em sua equipe 75% de pessoas ligadas a Cunha. A suspeita da influência partiu de telefonemas do peemedebista perguntando sobre projetos que estariam na pauta de votação do comitê, já indicando que seus aliados integravam o conselho.
Em abril deste ano, Cleto relatou que havia um esquema de pagamentos de propina para os recursos do FI-FGTS e que o dinheiro de propina era dividido entre ele, Cunha e Funaro. Os investigadores encontraram que a empresa Eldorado Brasil Celulose, ligada ao grupo do frigorífico, fez uma emissão de títulos de dívida de R$ 940 milhões, em dezembro de 2012 e o fundo de investimentos havia aportado recursos nessas debêntures.
Também nesta sexta foi alvo da Operação o lobista Milton Lyra, que teve busca e apreensão em sua casa e em seu escritório em Brasília. Milton é apontado por diversos delatores como o operador do esquema de corrupção envolvendo o PMDB.

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