DILMA

Dilma Rousseff, uma senhora de coragem

Por Mailson Ramos no Nossa Política

Impassível, Dilma observa a sofreguidão daqueles que arranjaram um rito, um julgamento, um processo, mas jamais encontraram um crime contra ela.

Aos 68 anos de idade, Dilma Rousseff está diante do Senado Federal, defendendo-se das acusações de ter cometido crime de responsabilidade. Juízes acusadores a observam com determinada aversão. Mas é ela que brilha no púlpito ao dizer que hoje só teme a morte da democracia. Diria, sem qualquer receio, que a história aglutinou Dilma.

A ela a história reservou um espaço muito especial. Os algozes imorais que prometiam fazer verter-lhe sangue não conseguiram dominar a retórica do crime de responsabilidade e caíram na repetição de que o golpe acontece pelo “conjunto da obra”. É uma excrescência.  Impassível, Dilma observa a sofreguidão daqueles que arranjaram um rito, um julgamento, um processo, mas jamais encontraram um crime contra ela.

A senhora de coragem não teme os achaques daqueles que vociferam como cães raivosos. Ela carrega consigo a dignidade do seu mandato e a salvaguarda da democracia. Para aqueles que pouco entendem o significado do momento ou preferem enxergar apenas a superfície de verniz constitucional sobre este golpe, o amargor só virá depois. Mas será um amargor duplo: sem democracia e sob a égide de um governo golpista.

Se o povo brasileiro soubesse o que o aguarda e as tramas que engendraram para o seu futuro, estaria nas ruas protestando. É da nossa cultura não antecipar os ardis, não promover uma luta acirrada contra as injustiças à Constituição. Deste processo – caso se concretize o golpe – Dilma não sairá derrotada. Sairá derrotada a nação. O mundo observou os com lentes a manipulação política e midiática que se armou para retirar dela o mandato legítimo.

Também Michel Temer não sairá vitorioso. A escalada de políticas neoliberais e o arrocho que se promete sobre as costas do trabalhador para alimentar omercado colocará o país numa profunda e prolongada crise. Para que o Brasil baixe novamente a cabeça e – com a ajuda de José Serra – sirva de cavalgadura para os Estados Unidos.

Durante a semana, os justiceiros do Senado acharam que intimidariam Dilma. Para eles, era carta marcada que a presidenta sucumbiria diante do plenário lotado de adversários políticos. Também contavam com a beligerância por parte de Dilma, prontos evidentemente a reagir. O que se viu hoje foi uma corajosa senhora a enfrentar todos os tipos de ataques, despretensiosamente segura de si e altiva, sempre altiva.

O giro que Dilma seu em tornou de sua base social foi essencial para resgatar a mulher forte que se perdeu no interior do Palácio do Planalto. E este resgate vem num bom momento. A história fará justiça a ela, com ou sem golpe. Todas as injustiças e crimes que lhe foram imputados serão recordações históricas de uma luta travada a duras penas contra um sistema corrompido. Eles continuarão vivendo sobre o liso do verniz que encouraça a madeira da árvore da democracia. E na calada da noite serão os fungos a consumir-lhe madeira.

Dilma seguirá sendo Dilma. Uma senhora de coragem.

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