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TEMPOS DE FÉ, TEMPOS DE POLÍTICA (Por Selvino Heck)

few-e-politica                Pedro Ribeiro e Teresa Sartorio vão recebendo um a um os membros da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política durante a sexta-feira no Sítio Tarumã, onde moram, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Reunião para analisar a conjuntura e preparar o Plano Trienal do Movimento. Para refrescar a memória e a garganta, uma cachacinha acompanhada por um queijo e um torresminho mineiros dos melhores, a alegre companhia de um vinho e de uma cerveja, tempo e hora de saudações, de contar o de bom e o de ruim que está acontecendo, afinal é gente de todo Brasil: Espírito Santo, São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O Sítio Tarumã está encravado num vale da Zona da Mata mineira, cercado de verde e plantas e um casarão de quase 100 anos típico da região. Não se encontraria melhor lugar para a reflexão sossegada e profunda que os tempos da fé e da política estão precisando e exigindo. Está seco, as nascentes dos riachos quase sem água. Começa a chover, chuva que dura os três dias da reunião, como que abençoando a todas e todos nestes tempos áridos em todos os sentidos.

O Movimento Fé e Política está por completar 30 anos em 2019, quando se pretende realizar o décimo primeiro Encontro Nacional em Fortaleza, Ceará, Nordeste. Até lá há um longo caminho a percorrer, no meio das incertezas e dúvidas gerais dos tempos que correm no Brasil e no mundo. O Movimento é movimento. Praticamente sem estrutura, sua Coordenação Nacional se encontra na base da militância, cada um pagando a viagem do seu bolso, na cara e na coragem, como, aliás, convém nos tempos em que estamos.

A conjuntura não está fácil, todos concordam. Trump acaba de ganhar as eleições nos EUA, na Europa multidões vagam sem rumo e sem esperança, a intolerância aumenta em todos os lugares, as ameaças ambientais são concretas e de consequências cada vez mais imediatas. Na América Latina a direita conservadora avança, no Brasil a democracia está em risco, a corrupção parece ter ocupado todos os espaços. Os movimentos sociais resistem à escalada de fim de direitos. O dia de abertura da reunião é 11 de novembro, dia nacional de greves, paralisação e mobilização, os estudantes ocupam escolas, Institutos Federais e Universidades

Como ser cristão hoje? Como fazer política?

‘Papa Francisco, um homem de coragem!’, escreve João Pedro Stédile, depois do Terceiro Encontro Mundial dos Movimentos Populares em diálogo com o Papa Franciscano, ocorrido no Vaticano. “O primeiro Encontro aconteceu na defesa de um programa de que não deveríamos ter mais ‘nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos e nenhuma família sem moradia digna’. No terceiro Encontro estiveram sobretudo presentes os dilemas que a sociedade moderna está enfrentando em todo mundo. O primeiro tema foi a questão do Estado e da democracia.”

Escreve João Pedro: “O Papa reagiu e foi contundente que assombrou a todos, quando definiu que, na realidade, existe um Estado mais que excludente, um Estado terrorista, que usa do dinheiro e do medo para manipular a vontade das maiorias. O dinheiro expressa a força do capital que sobrepassa as instituições democráticas e o medo imposto à manipulação midiática permanente.”

A Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política decidiu realizar Seminários, com temas como Bem Viver: Economia e Ecologia, profetismo e política, e retiros sobre a espiritualidade na política em 2017, organizar Encontros estaduais e regionais em todo Brasil nos próximos três anos, estar presente e articular-se com as Escolas de Fé e Política e as Pastorais da Política de diferentes igrejas cristãs, até o Encontro comemorativo dos 30 anos no primeiro semestre de 2019 (Contato e informações: www.fepolitica.org.br; secretarianfepolitica@gmail.com).

Não há tempo a perder. Felizmente, o Papa Francisco diz a palavra certa na hora certa e anima a caminhada: “Às vezes, penso que quando vocês, os pobres organizados, inventam os vossos trabalho, criando uma cooperativa, recuperando uma fábrica falida, reciclando os descartes da sociedade de consumo, enfrentando a inclemência do tempo para vender em uma praça, reivindicando um pedaço de terra para cultivar para alimentar quem tem fome, quando vocês fazem isso  estão imitando Jesus, porque buscam curar, mesmo que somente um pouquinho, mesmo que precariamente, esta atrofia do sistema socioeconômico reinante que é o desemprego. Não me surpreende que aos soberbos não interessa aquilo que vocês dizem.”

E disse ainda o Papa no Terceiro Encontro Mundial dos Movimentos Populares e a todos os lutadores/as, sonhadores/sonhadoras e também ao Movimento Fé e Política: “Mas não tenham medo de entrar nas grandes discussões, na Política com maiúscula, e cito de novo Paulo VI: A política é uma maneira exigente mas não é a única. Ou esta frase que repito tantas vezes, que sempre me confundo, não sei se é de Paulo VI ou de Pio XII: ‘A política é uma das formas mais elevadas da caridade, do amor.”

Neste espírito, terminou a reunião da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política, em meio ao verde e sob a chuva mansa caindo no Sítio Tarumã. Como diz alguém, os tempos, da fé e da política, urgem e rugem.

Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política

Em vinte e cinco de novembro de dois mil e dezesseis

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