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R$ 1 trilhão fora de circulação no crédito. Este é o tamanho da recessão

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“Se não fosse financiado, você teria comprado sua geladeira? A máquina de lavar? A TV grandona? E seu primeiro carrinho?” Fernando Brito

POR   no TIJOLAÇO

Os comentaristas de economia, numa visão simplista, costumam comparar a economia nacional com as contas de uma família, para proclamarem a simplória regra de que “não se pode gastar mais do que se ganha”.

Aceitemos a pobre comparação, mas façamos uma pergunta que qualquer dono ou dona de casa saberá responder: se não fosse financiado, você teria comprado sua geladeira? A máquina de lavar? A TV grandona? E seu primeiro carrinho?

Muito mais ainda as empresas, que só se expandem e consolidam quando obtêm recursos no mercado de crédito para erguer fábricas, montar lojas, comprar insumos ou mercadorias para suas atividade de produção e de comércio.

Quando se fala em política contracionista, como estamos vendo desde a era Levy e mais agudamente com Michel Temer, fala-se em “enxugar” o crédito (tornando-o mais caro)  para tirar dinheiro do mercado e, em tese, reduzindo o que circula na economia, conter os aumentos de preço e  a inflação.

credpib2-1Um erro, porque o problema brasileiro estava longe de ser uma “bolha de crédito”. O patamar de crédito sobre o PIB, aqui, embora tenha subido muito, ainda é miseravelmente baixo quando comparado a outros países, como você pode ver no gráfico ao lado. O problema, aqui, é que a retração do consumo, da renda, do emprego e a exaustão das receitas públicas – sangradas pelos juros que têm de honrar – transformaram o crédito tomado em impagável.

Fez-se isso em dose cavalar na economia brasileira, como registra hoje o Estadão, ao informar que R$ 1 trilhão deixou de circular pela retração do mercado de crédito, reduzindo em 60% o crédito disponível a pessoas e em 40% o das empresas, em 12 meses.

Quer ter ideia de porque é cavalar? Simples: o PIB brasileiro, a soma de todas as riquezas produzidas e consumidas no Brasil, hoje, roda na faixa de R$ 6 trilhões ou um pouquinho menos, com a queda que se vem acentuando. Retirar R$ 1 trilhão de circulação é como se durante quase dois meses de um ano, nada se produzisse, nada se construísse, nada se vendesse ou comprasse, nada se importasse ou exportasse no Brasil.

O alívio que se anuncia nas taxas de juros, além de não poder ser muito forte (ao contrário do que ocorreu em 2009, porque os juros internacionais, então, tinham despencado para zero ou menos de zero e agora estão em uma alta que não se sabe sequer se será moderada) não significará, na maioria dos casos, dinheiro para investimento, mas para ser tomado para quitar dívidas e, como registra a reportagem, não voltar para o mercado.

O panorama da economia brasileira é e será, por um bom tempo, o que descreve a repórter Alexa Salomão:

Na sexta-feira, a uma semana do Natal, era possível caminhar tranquilamente na Rua 25 de Março, o centro de compras da capital paulista que costuma lotar nesta época. Poucas pessoas tinham sacolas. Algumas lojas estavam até vazias. A esperança dos lojistas era que no final de semana, os consumidores se animassem, movidos pelo espírito natalino e pelo dinheiro extra do 13.º salário.

Quem foi à rua no Rio de Janeiro,, ontem, viu como essa esperança se frustrou.

Um pensamento sobre “R$ 1 trilhão fora de circulação no crédito. Este é o tamanho da recessão

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