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MTST monta acampamento na Avenida Paulista

Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) se concentram nesta noite de quarta-feira, 15, em frente ao escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, em São Paulo, em um protesto contra as recentes mudanças no programa Minha Casa Minha Vida anunciadas pelo governo na semana passada.
A manifestação reúne cerca de 30 mil pessoas, segundo os organizadores. No manifesto de convocação para o ato, o MTST lembra que 84% das pessoas que fazem parte do déficit habitacional do Brasil estão na chamada Faixa 1, com renda familiar de até R$ 1,9 mil, mas foram “esquecidas” pelo governo.
“As 600 mil moradias anunciadas por Temer foram para uma outra faixa da população. Aumentaram o limite de crédito do Minha Casa Minha Vida para R$ 9.000,00, ou seja, transformaram um programa social em programa de crédito imobiliário para financiar casa própria para setores que não são os mais necessitados, que não são os sem-teto e não são aqueles que mais precisam de moradia no Brasil”, diz o texto.
O ato na Avenida Paulista é o ponto final de marchas organizadas nesta quarta-feira pelo MTST em dois pontos da capital paulista. Um grupo que se reuniu no Largo da Batata, na zona Oeste, se encontrou na Paulista com outro que seguiu da Praça da República, no Centro.
Além de São Paulo, a manifestação acontece em outros quatro Estados, afirmou o coordenador do MTST, Guilherme Boulos. Segundo ele, o programa Minha Casa Minha Vida tem diversos problemas, mas o principal deles atinge a Faixa 1. “É exatamente esta faixa, a mais necessitada, a que não consegue pagar o aluguel, que está parada. O governo Temer quer fortalecer outra linha, a que ganha até R$ 9 mil e transformar o programa em balcão de imobiliária para financiar casas para a classe média em detrimento de quem mais precisa”, disse.
Em discurso no alto de um carro de som, Boulos convocou os militantes a acamparem na avenida caso o governo não dê uma resposta às reivindicações. “No ano passado um grupo que apoiou o golpe ficou acampado a poucos metros daqui, em frente à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), e foi bem tratado pela polícia. Não há motivo, portanto, para que sejamos desrespeitados. Não vamos sair da Paulista enquanto o governo não nos der uma resposta. Ou o governo recua ou vamos permanecer na Paulista”, disse.

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