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A segunda Guerra Brasílica

Por Fernando Rosa*

Em entrevista ao jornal Valor, o Comandante do Exército, general Villas Bôas, fez um diagnóstico contundente da situação do país atualmente. “Somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser”, disse ele ao jornal. Tal avaliação é fundamental para entender o Brasil e seu papel no cenário econômico e político que se abre com o “fim do mundo unipolar“.

Em suas palavras, antes de mais nada, está o compromisso histórico das Forças Armadas com os destinos país, nunca abandonado pelos militares brasileiros. Segundo Villas Bôas, “o país perdeu sua identidade, o sentido de projeto e ideologia de desenvolvimento”. As suas palavras expressam uma verdade e, mais do que nunca, a recomposição do sentido de Nação é tarefa de todos os patriotas dispostos a superar preconceitos e olhar para o futuro.

Em palestra em uma universidade de Brasília, em 2016, o próprio general Villas Bôas identificou na origem desse processo a falsa bandeira da Guerra Fria que, em outros tempos, dividiu a Nação entre civis e militares. A gravidade da crise nacional e internacional, portanto, impõe que todos assumam a defesa do Brasil, para não incorrer no mesmo erro histórico. A bandeira da Nação não pode, e não deve, ser propriedade de nenhum setor político, econômico ou social.

Assim, o Brasil precisa resgatar suas mais importantes experiências históricas, que vêm de Getúlio Vargas, do general Ernesto Geisel e, mais recentemente, de Lula. Vargas foi responsável pela construção do Estado moderno, enquanto Geisel assentou novas bases para a infraestrutura e Lula democratizou o acesso da maioria do povo ao desenvolvimento. Nos três casos, o interesse nacional independente e a projeção soberana do Brasil no cenário mundial estiveram no centro dos respectivos governos.

O Brasil está sob ataque de uma “guerra assimétrica” com objetivo de destruir o Estado Nacional e subjugar a Nação aos interesses do sistema financeiro internacional. Não por acaso, a Operação Lava Jato mirou a indústria de defesa em seus primeiros “bombardeios”, condenando o Almirante Othon à “prisão perpétua”. Em sua “missão” lesa-Pátria, segue arrasando a indústria nacional de infraestrutura e a política de conteúdo local, herança de Geisel.

O sentimento de estar “à deriva”, em boa parte é fruto da situação política criada a partir da radical mudança política, econômica e social imposta pelo atual governo. Atrelar os destinos do Brasil aos interesses do capital financeiro internacional, e seus representantes derrotados nas eleições norte-americanas, está cobrando o seu alto preço. “Calabares” modernos, os traidores da nova “Guerra Brasílica” apostam na destruição do país para cumprir o “pacto” antinacional.

A exemplo da “Guerra Brasílica”, mais do que uma batalha momentânea contra um golpe paroquial, enfrentamos um ataque sistemático contra o Estado e a nacionalidade brasileira. Primeiro ato constitutivo da Nação brasileira, a “Guerra Brasílica”, no século XVII, uniu índios, negros e portugueses em defesa da manutenção da integridade do território nacional. É dessa experiência histórica ainda a postura intransigente contra os traidores, como Calabar.

Novamente, o Brasil está no centro das mudanças da geopolítica mundial, deflagradas com a falência da globalização, e radicalizadas com a vitória de Donald Trump nos EUA. A afirmação do país no BRICS, a presença econômica e política no cenário mundial estão em jogo, definindo a nossa existência enquanto Nação soberana ou mero protetorado. Um raro momento histórico, uma “janela de oportunidades”, que exige de todos os patriotas coragem, desprendimento e, principalmente, compromisso com os brasileiros.

Nenhum país do mundo, e menos ainda um país com a dimensão e a história do Brasil, consegue sobreviver sem um Projeto Nacional, e subordinado a interesses externos e internos menores. Menos ainda, sem contar com Forças Armadas fortes, robustas, instrumentalizadas tecnologicamente, capaz de impor respeito e afirmar os interesses nacionais. A PEC 55 abriu o caminho para desestruturar as Forças Armadas e transformá-las em mera “força policial”, capitães do mato do “exército invasor”.

Antes que, inclusive as Forças Armadas sejam comprometidas pelo processo de destruição do Estado Nacional, é urgente reagir ao desastre anunciado. A vocação de grande Nação do Brasil está profundamente ameaçada por interesses alheios ao país, ao povo, à independência e à soberania nacional. A hora, portanto, é de unir todos os brasileiros, a exemplo de outros momentos da história em que a Pátria esteve sob risco.

“Si vis pacem para bellum”, é sempre bom lembrar.

* Com Filipe Camarão.

brasilica

Um pensamento sobre “A segunda Guerra Brasílica

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